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    Carpaccio de ananás com sorbet de ananás Hannah Grant
  • Bolo de banana e cenoura com framboesa
    Bolo de banana e cenoura com framboesa Hannah Grant
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    Salada de beterraba, manga e romã Hannah Grant
  • Bróculos grelhados, presunto, cebola roxa em pickle e nozes pecã
    Bróculos grelhados, presunto, cebola roxa em pickle e nozes pecã Hannah Grant
  • Frango, limão grelhado e salsa
    Frango, limão grelhado e salsa Hannah Grant
  • Wraps de alga, quinoa, abacate, pepino, cenoura e couve marinada com gengibre
    Wraps de alga, quinoa, abacate, pepino, cenoura e couve marinada com gengibre Hannah Grant
  • Hannah Grant na cozinha a preparar as suas receitas
    Hannah Grant na cozinha a preparar as suas receitas Fredrik Clement
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    A chef Hannah Grant faz dois pães diários Hannah Grant
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    O que comem os ciclistas durante a volta Hannah Grant
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    Hannah e Jonathan em Copenhaga Hannah Grant
  • Jonathan a arrumar as compras na cozinha móvel
    Jonathan a arrumar as compras na cozinha móvel Hannah Grant
  • O livro que escreveu depois do sucesso dos seus pratos
    O livro que escreveu depois do sucesso dos seus pratos Hannah Grant

Volta à França

Comer para vencer em cima de uma bicicleta

Se um exército marcha sobre o seu estômago, os corredores de ciclismo pedalam sobre o deles. Ingerir a comida certa, no momento certo, é um dos factores mais importantes para o sucesso de um corredor numa prova como a Volta à França que começa este sábado.

Por essa razão, as equipas profissionais confiam em chefs para terem a certeza que os seus atletas estão bem nutridos todos os dias.

Este sábado, 29 de Junho, tem início a centésima edição da Volta à França. Os corredores vão enfrentar cerca de três mil quilómetros repartidos por 21 dias, com passagens por estradas planas ou montanhosas.

Para quem está sentado em frente à televisão a ver os ciclistas pedalarem tudo parece fácil, mas não é. Tudo é controlado ao milímetro até mesmo o que os corredores ingerem às refeições e enquanto estão em cima da bicicleta.

Por essa razão, algumas equipas profissionais começaram a contratar chefs de cozinha para não só darem a máxima atenção às necessidades nutricionais dos ciclistas, que chegam a gastar cinco a sete mil calorias diárias, mas também para que as refeições sejam tal como num restaurante, saborosas e cuidadas.

Uma dessas equipas é a Saxo-Tinkoff Bank. A formação onde alinha o português Nélson Oliveira e o vencedor da Volta à França em 2007 e 2009; ou o espanhol Alberto Contador. Com sede na Dinamarca, a equipa contratou uma chef, Hannah Grant, que mostrou o seu valor na cozinha do Noma, considerado por três anos consecutivos, de 2010 a 2012, o melhor restaurante do mundo, pela revista britânica Restaurant.

Agora, a chef Hannah, que já vai para a terceira vez que cozinha para os corredores na Volta à França, lança um livro chamado The Grand Tour Cook Book (qualquer coisa como "o livro de cozinha da grande volta"), recheado com receitas deliciosas e nutricionais.

A ideia de que os atletas só precisam de comer pratos gigantes de massa para terem uma boa performance há muito que foi ultrapassada. Por essa razão, o livro, que pode ser usado tanto por profissionais como por qualquer pessoa que queira comer de forma saudável, foca-se mais nos vegetais e nas proteínas, mas com pratos vistosos que abrem o apetite a qualquer pessoa mesmo não praticando desporto.

“Estava sempre a partilhar as minhas fotografias de pratos que faço para os atletas tanto no Twitter como no Facebook, e isto veio criar uma procura imensa pelas receitas, como as trabalho, as que os corredores gostam, o que comem antes, durante e depois de pedalarem”, justifica Hannah. Esta procura nas redes sociais culminou em juntar várias receitas num livro com fotografias de alta qualidade.

Dia típico do corredor
Como exemplo, Hannah conta como é um dia típico para um corredor. “No pequeno-almoço, os corredores começam com flocos de aveia, que são combinados com uma boa fonte de proteínas, os ovos. Também damos ênfase às boas gorduras como os abacates ou um smoothie com óleo retirado a frio, normalmente de linhaça ou de avelã. Não esquecer o pão e a nutella feitos por nós na cozinha.”

Durante o dia os ciclistas têm de comer regularmente. Além dos líquidos, Hannah prepara bolos de arroz, bolos de fruta ou sandes para que ingiram nutrientes durante o esforço físico.

“A refeição da noite consiste numa boa fonte de proteína, peixe ou carne de ave. Adicionam-se dois tipos de hidratos de carbono, isentos de glúten, como o pão ou o arroz. Depois juntam-se legumes e saladas coloridas”, continua a chef.

O The Grand Tour Cook Book tem em consideração a sensibilidade nutricional de cada pessoa, o que permite saber se um prato é isento de glúten, frutos secos ou produtos lácteos. Estes conceitos têm vindo a ser aprofundados por Hannah, já que trabalha de perto com a nutricionista da equipa. Desta forma, a chef ter um maior conhecimento da ciência por trás dos alimentos e da reacção que têm ao organismo dos atletas. Um desses factos é a eliminação do glúten das refeições dos corredores. “Existem muitas receitas sem glúten porque acreditamos que se pode optimizar a performance dos corredores. Ao retirar-se o glúten da dieta pode-se ter uma recuperação mais rápida e com menos alergias”, explica.

Para a chef não são precisos suplementos nem grandes dietas para uma boa performance. “Não há segredos – só apenas comida verdadeira.”

Cozinha sobre rodas no apoio aos atletas
Desde 2011 que a Hannah está a cozinhar para os ciclistas da Saxo-Tinkoff Bank. Esta mudança do Noma para uma cozinha ambulante é como passar de uma vida sedentária para uma nómoda, já que ela está 150 dias do ano a viajar com a equipa e com o seu ajudante Jonathan.

Mas para a chef dinamarquesa, apaixonada pelo desporto, este não é um problema.“No ciclismo tenho os mesmos comensais todas as noites, por isso, há um feedback diferente. Conheço as pessoas que comem, o que faz com que seja mais fácil fazê-las felizes.”

As porções para os ciclistas são diferentes, isto é, maiores, mas os produtos são muito semelhantes. “Compro os melhores ingredientes disponíveis e trabalho-os com respeito, tendo em conta que esse é o primeiro passo para criar uma refeição boa e saudável”, refere Hannah.

Outra diferença de cozinhar para atletas do que para pessoas num restaurante é o facto do apetite e das necessidades nutricionais serem diferentes. “Altero as ementas todos os dias para que a comida seja interessante e para que os corredores tenham vontade de comer. Em provas como a Volta à França pode-se perder o apetite facilmente porque se tem que comer tanto, durante as etapas, para se estar com energia para pedalar”, explica.

Já a ementa preparada pela chef, “é pensada todos os dias, dependendo do perfil da etapa, do tempo e dos percursos dos próximos dias.”

Contudo, para quem está cerca de metade do ano numa cozinha à volta da Europa, sente algumas dificuldades a encontrar certos ingredientes, até porque Hannah faz tudo na cozinha, incluindo dois tipos de pães. “Muitos dos produtos são da Dinamarca. Tenho a vantagem de ter uma cozinha com rodas e, por isso, posso enchê-la com bons produtos secos. Depois a cada quatro dias vamos às compras, mas às vezes é difícil encontrar todos os produtos que preciso em toda a Europa.”

Hannah e Jonathan vão estar nas estradas francesas a partir de sábado, com o começo da Volta à França, na Córsega. “A comida é um das causas para o sucesso dos corredores. O meu trabalho é tornar as refeições deliciosas, bonitas e apetitosas todos os dias para que eles tenham energia suficiente para ultrapassar a etapa do dia seguinte”, conclui.

O livro The Grand Tour Cook Book está disponível no site da equipa Saxo-Tinkoff. A data do lançamento em Inglês, tal como a aventura na Volta à França, podem ser acompanhados no site da chef Hannah, no Twitter ou no Facebook.