- Campanha do Verão de 2017 da Bohemian Swimwear
- Campanha do Verão de 2017 da Cantê DR
- Campanha do Verão de 2017 da Cantê DR
- Campanha do Verão de 2017 da Cantê DR
- Fato de banho Cantê (110 euros) DR
- Biquíni Cantê (95,90 euros) DR
- Biquíni Cantê (98,90 euros) DR
- Campanha do Verão de 2017 da Latitid DR
- Campanha do Verão de 2017 da Latitid DR
- Biquíni Limone, da Latitid (92,50 euros) DR
- Fato de banho Limetta , da Latitid (105 euros) DR
- Fato de banho Bellucci, da latitid (112 euros) DR
- Campanha do Verão de 2017 da Papua DR
- Campanha do Verão de 2017 da Papua DR
- Fato de banho Nilo, da Papua (99 euros) DR
- Biquíni Caroline (86.9 euros) DR
- Biquíni Dove, da Papua (89.9 euros) DR
- Campanha do Verão de 2017 da Bohemian Swimwear DR
- Campanha do Verão de 2017 da Bohemian Swimwear DR
- Biquíni Sun Blue, da Bohemian Swimwear (89,99 euros) DR
- Biquíni Dawn, da Bohemian Swimwear (99,99 euros) DR
- Biquíni Warm Red, da Bohemian Swimwear (99,99 euros) DR
- Biquíni Under the Sea, da Houndsditch (59,90 euros) DR
- Biquíni Lemons, da Houndsditch (69,90 euros) DR
- Biquíni Spaghetti Balloon, da Houndsditch (69,90 euros) DR
Verão
Com o Verão chegam os biquínis portugueses — venham mais solstícios, por favor
A 5 de Julho celebra-se o Dia Mundial do Biquíni. A data recorda o seu lançamento neste dia, em 1946, em França.
Começa a ser difícil contar pelos dedos das mãos as marcas portuguesas de beachwear que nasceram nos últimos anos. Parte já tem lojas próprias e atinge as centenas de milhares de euros na facturação anual. Conquistaram o mercado com o imaginário de viagens e campanhas de sonho; e apostaram na criatividade, design e qualidade das peças. Algumas marcas começam já a dar os primeiros passos na diversificação da oferta. É o caso da Cantê, que apresentou a sua primeira colecção de lingerie, ou da Papua, que se prepara para lançar uma colecção de Inverno.
Trata-se de todo um sector que parece feito de histórias de sucesso num curto espaço de tempo. Grande parte destas marcas têm pontos em comum nas suas origens: cada vez que se viajava para destinos de praia, encontrava-se uma oferta incrível de swimwear e partia-se de Portugal com uma lista de amigos a pedir peças lá de fora – pois cá a oferta era essencialmente não existente.
Aos olhos de hoje, é claro que se tratava de uma oportunidade de negócio e Mariana Delgado e Rita Soares foram duas das primeiras a acreditar que havia mercado. Não se limitaram a preencher essa lacuna com produtos importados, mas criaram uma marca — a Cantê —, apostaram no design e souberam vendê-la. Desenvolveram a marca, nos tempos livres, em casa uma da outra,enquanto trabalhavam em arquitectura — na altura eram recém-licenciadas —, com um investimento inicial de 5000 euros. Depois de dois anos a planear, em 2011 lançaram a primeira colecção, com cerca de 300 peças. Venderam online e num showroom em Belém, Lisboa, e rapidamente esgotaram o stock – como viria acontecer nos anos seguintes.
A Cantê desperta paixões na legião das clientes – mais correcto seria chamar-lhes fãs – que segue cada passo da marca. Prova disso é a fila que fazem à porta da loja do Chiado — inaugurada em 2015 — na data de lançamento da primeira colecção do ano. Nem é preciso ir tão longe, basta olhar com alguma atenção para o tipo de comentários que a Cantê recebe no Facebook. As fundadoras da marca pensaram — mesmo que de forma inconsciente ao início — em “construir uma marca que fosse um lifestyle”, conta Rita Delgado. Não vendiam só peças. Vendiam também “um sonho”, uma imagem com a qual as pessoas se identificavam. Como o fizeram? “Através das sessões fotográficas, da forma como falávamos com clientes, com o cuidado que tínhamos com as embalagens e as etiquetas”, exemplifica. “Tudo isso ajudou a que as pessoas criassem empatia com a nossa marca.”
A estética da marca – detalhes, folhos, motivos florais e mistura de padrões – é inconfundível. Mariana e Rita começaram a desenhar com base naquilo que as próprias queriam usar. “Não sabíamos se o nosso traço de arquitectura se adaptava ao traço de moda”, recorda Rita. Essa perspectiva fresca acabou por ser uma vantagem – significava que estavam menos presas por práticas convencionais e livres para criar. Trabalharam com uma modelista, aprenderam fazendo e foram testando aquilo que ficava mais ou menos bem no corpo.
Ao mesmo tempo foram aprendendo a gerir um negócio. No início foi um desafio encontrar alguém que criasse as suas peças: receberam muitos 'nãos' de fábricas que só produziam para fora e outros 'nãos' que lhes davam pistas para seguir em frente. Cresceram de forma orgânica, “sem dar passos maiores do que as pernas”. Todos os anos vendiam a colecção inteira e isso "era um ânimo para continuar". Apostaram nas tais sessões fotográfica, que ajudaram a criar burburinho à volta de cada nova colecção — primeiro viajaram para perto (Menorca) e depois começaram a explorar outros destinos: Rio de Janeiro, Bali e, este ano, ilhas gregas.
Neste momento, sentem que têm a marca consolidada e avançam para três novas frentes: o lançamento da primeira colecção de lingerie — que deverá estar à venda já esta semana —, a abertura de mais lojas no país e a internacionalização. “Acho que a Cantê em termos de produto pode crescer – falta de ideias não temos”, justifica Rita.
Quem também viajou este ano para ilhas do sul da Europa foi a Latitid – mais concretamente para Capri. O resultado é uma colecção de 24 peças inspirada nas cores dos azulejos, dos chapéus-de-sol e dos gelados italianos. Em termos de estética, as duas marcas estão praticamente em lados opostos, já que a Latitid aposta num estilo mais sóbrio.
Este ano, aponta Inês Fonseca, uma das co-fundadoras, esperam chegar aos 500 mil euros em vendas. Tudo começou, em 2013, com a mesma interrogação levantada por tantos outros: por que é que havia tantas fábricas a produzir com qualidade em Portugal e não se encontravam muitas marcas portuguesas? A esse nível, como outros, as três sócias tiveram de lutar para encontrar fábricas que produzissem em escala menor e modelos pouco convencionais para os standards internacionais.
A primeira colecção da Latitid, em 2013, foi uma espécie de teste de mercado. Na altura, lançaram um número exagerado de modelos – no total 100, sendo que entre aqueles, por vezes, variava apenas a cor. Assim perceberam rapidamente o que vendia e o que não vendia e puderam fazer ajustes necessários às peças. Teria sido mais fácil começar com uma colecção pequena, confirma Inês Fonseca, mas assim, “se calhar não teríamos depois crescido o que crescemos”. Nesse Verão venderam as peças num showroom em Lisboa e no Porto.
Desde 2015, a Latitid tem ocupado uma loja na Embaixada, em Lisboa, durante os meses de Verão – antes disso, chegou a estar à venda num corner, no mesmo espaço. No início de Junho foi inaugurada a primeira loja oficial da marca, que vai funcionar durante o ano inteiro, no Porto – é de lá que Inês, a sua irmã, Marta Fonseca e a terceira sócia, Fernanda Santos, são naturais. “Acredito muito em abrir lojas próprias”, aponta Inês, indicando que ambicionam ter uma rede de lojas em Portugal e até abrir alguma no estrangeiro. “Só assim é que as pessoas percebem o conceito e identidade da marca, muito mais do que online”, explica. Ao mesmo tempo, querem apostar na exportação da Latitid, que neste momento representa pouco do volume de vendas: já encontraram um cliente importante no Dubai e vão investir cada vez mais na procura de novos canais de distribuição lá fora.
Já a Papua prepara-se também para a inauguração da sua primeira loja própria, no Príncipe Real, em Lisboa. A morada que vai ocupar a partir de Julho é frente à antiga loja Entretanto – onde as peças chegaram a estar à venda. Nuno Leitão, que criou a marca em parceria com a namorada, Marta Santos, em 2012, explica que será uma espécie de concept store. “Para além de ter a nossa marca, a loja vai permitir que outras marcas possam estar integradas a vender os seus produtos”. Assim, aos biquínis e fatos-de-banho da Papua, juntar-se-ão, por exemplo, projectos artísticos e da área de moda.
A loja vai estar aberta o ano inteiro e em 2018 a Papua vai quebrar o modelo sazonal, com o lançamento de colecções “fora da moda de praia”. Há pouco para divulgar, por enquanto – o anúncio será feito, à partida, em Outubro –, mas Nuno Leitão revela, que a Papua vai ter uma colecção de senhora e de homem de Inverno “com a mesma estética da marca”.
A Papua controla todo o processo, desde o design à venda. Seis meses depois da criação da marca, decidiram apostar numa confecção própria, em Leiria – onde trabalham hoje cinco costureiras. “Todo o desenvolvimento criativo da nossa marca está assente dentro da nossa empresa. Criamos os nossos próprios padrões de início e produzimos todas as nossas peças”, conta Nuno Leitão. À medida que as vendas crescem, também a capacidade de produção tem vindo a aumentar – sensivelmente “na ordem dos 80% ao ano”. Desde as primeiras colecções tiveram cuidado com a apresentação da peças e com a imagem da marca. “Temos uma estética muito própria. Tentamos trazer algo novo com cada colecção, mas o nosso conceito base é sempre o mesmo”.
Uma marca mais adepta das tendências é a Bohemian Swimwear. Desde 2013 que a sua fundadora, Erica Bettencourt, passou a ter os pés mais assentes na terra – mas não por completo. Formada em design gráfico, trabalhava, na altura, como assistente de bordo. Surfava desde pequena e “andava sempre com modelos muito giros [de swimwear] que não havia em Portugal”, recorda. A certa altura, as amigas já lhe perguntavam porque não criava a sua própria marca.
O grande salto da Bohemian Swimwear aconteceu em 2015, quando passou de uma pequena produção, com costureiras, para uma escala maior, em fábricas portuguesas. Hoje que a marca já passou de “hobbie” – e se aproxima das 7000 unidades, em 2017 –, Erica continua a voar com a TAP: é em algumas paragens que consegue visitar produtores e encontrar diferentes estampas paras os biquínis e fatos-de-banho. Apesar de nem sempre ter padrões exclusivos, encontra forma de os tornar únicos: “Compro-os na totalidade, para que não haja outras marcas com o mesmo”, revela.
“Concebida em Londres, feita em Lisboa” – é assim que a Houndsditch começa por se apresentar no seu site. O designer Andrew Young – de origem costa-riquenha e escocesa – decidiu que para levar a marca para a frente tinha de se mudar para Lisboa. “"Tentei fazer swimwear em Inglaterra, mas lá não são muito bons [a produzir] – e é muito caro”, explica. “Os únicos dois sítios onde se pode produzir (boa) moda na Europa é na Itália e em Portugal. As únicas pessoas que me ajudavam ao início eram alguns dos fornecedores portugueses”. Assim foi estabelecendo contactos e acabou por fazer as malas e mudar-se de Londres para Lisboa.
A personalização é a palavra-chave da marca. Todos os modelos – tanto de homem, como de mulher – podem ser encomendados em três feitios diferentes. No caso delas, varia a amplitude do corte na parte de baixo e no caso deles o comprimento dos calções. Desde o início que foi essa a visão: “queria fazer algo que fosse lindo e que se pudesse personalizar o quanto possível”.