Relojoaria

Montblanc: “É um momento mágico”

Nos últimos anos, a manufactura da Montblanc criou um portefólio impressionante.

Numa altura em que o CEO da Montblanc, Jérôme Lambert, sai para assumir outras funções no grupo Richemont, a marca apresenta uma nova divisão de relojoaria liderada por David Cerato. Nos últimos anos, a manufactura da Montblanc criou um portefólio impressionante, e cabe agora ao novo homem forte desenvolver esse processo. Depois de anos como vice-presidente da Tudor, responsável pelas áreas de Marketing, Design e Desenvolvimento de Produto, Cerato parece de facto o homem certo no lugar certo. É pois tempo de lhe dar a palavra, o que fez em exclusivo para a Culto.

 Que nos pode contar sobre as novidades da Montblanc?
Regressamos com uma colecção desportiva profissional. Digo regressamos pela história da Minerva, que era líder em cronómetros e durante a primeira metade do século XX. Foi um trabalho pioneiro na medição de tempos cada vez mais curtos, e de forma mais precisa. Em 1936 chegaram a medir o 1/100 de segundo e, como homenagem, apresentamos um cronógrafo mecânico que mede 1/1000 de segundo. Onde a Minerva foi também pioneira foi nos cronómetros especializados em determinados desportos: futebol, remo, vela, e desportos motorizados. Um em específico, o Rally Timer, era utilizado pela Fórmula 1 nos anos 1950, que nós agora recriamos . É uma reinterpretação contemporânea, mas muito especial, porque se pode usar como relógio de secretária, de bolso, no tabelier e, até, no pulso. Como roda para a direita e para a esquerda, pode inclusive ser utilizado por destros e canhotos, ou ser orientado, quando se conduz para ter visibilidade perfeita.

Estas duas peças – TimeWalker e 1/1000 e Rally Timer – são muito fortes e epitomizam toda a colecção. Os tons preto e vermelho, as decorações serrilhadas na caixa, luneta e na coroa, conferem um look muito característico, desportivo e forte.

A novo bracelete de borracha com um look muito vintage mas com um novo tipo de material para respirar melhor e aumentar a durabilidade e resistência.

A Minerva será a sua grande inspiração?
Os arquivos são riquíssimos. A companhia pertenceu há mesma família durante muito, muito tempo e mantiveram tudo. Nunca foi vendida, por isso não se perderam algumas peças aqui e ali, e também nunca houve nenhum azar que pudesse ter destruído alguma coisa. Portanto, todo esse património está intacto. É um património único, riquíssimo, com todos estes avanços técnicos e não só. Temos mostradores decorados a enamel grand feu com mais de 100 anos, em excelentes condições. E não temos um, temos gavetas cheias. Com uma qualidade que já não existe. É de loucos.

Mas não foi difícil escolher estes modelos específicos?
Sem querer parecer arrogante, não. Porque olho para as coisas por instinto. E digo imediatamente "este é bom, este não"… Depois, à posteriori, posso analisar essa decisão e dizer "este é bom por este ou aquele motivo", de uma forma mais racional, mas na altura é mesmo por intuição.

São os primeiros modelos desta abordagem desportiva, que se vai manter durante muito tempo. Para mim era evidente que a Montblanc precisava de uma oferta sport muito forte, porque neste intervalo de preços, abaixo dos 5000 euros, metade do mercado é desportivo. Em alguns países como nos EUA, Reino Unido e América do Sul, essa percentagem chega mesmo aos 80%. Necessitávamos mesmo destas ofertas, e essa é a minha experiência, o meu conhecimento.

A sua experiência passa muito pelo vintage, também, que é aliás uma das principais tendências…
Sim e se reparar, na colecção 1858 temos um automático e um UTC (Universal Time Coordinated) com a caixa em aço e a coroa e a luneta em bronze. E um taquímetro totalmente em bronze. São modelos muito vintage, muito retro-chic.

Nos últimos anos a Montblanc tem tido uma política de preços muito agressiva. Vão manter?
Vamos continuar focados na relação qualidade preço. Veem-se agora muitas marcas com propostas de menor preço ou lançando novos modelos de entrada de gama, nós vamos continuar a fazer o que temos feito nos últimos quatro anos. Temos um automático, de 41 mm, por menos de 3000 euros. Um cronógrafo automático por menos de quatro mil, um UTC por menos de cinco mil, não existe nada no mercado a estes preços.

Quando entrou, como foi a primeira conversa com o CEO, Jérôme Lambert?
Na realidade, muito fácil. Discutimos o que está aqui a ver hoje na primeira meia hora dessa conversa. Sabe, fui eu que me ofereci para trabalhar na Montblanc, por isso tomei a iniciativa de falar com o sr. Lambert. E fi-lo porque acredito que a Montblanc é a marca de relógios com maior potencial de crescimento.

Vão manter todas as linhas existentes?
Não, vamos simplificar a oferta. Este ano já lançamos um pouco menos novidades e, no final, vamos ficar com seis linhas. Duas desportivas e quatro clássicas, entre masculinas e femininas. É um bom equilíbrio.

E quanto às complicações?
Antes eram apresentadas em modelos especiais Villeret com preços muito elevados. mas agora passam a estar integradas nas coleções já existentes, como o 1/1000 na TimeWalker, o Exotourbillon Rattrapante na Heritage Chronométrie . E com preços menores. Antes custavam bem por cima de 200 mil euros mas o 1/1000 de segundos vai custar 175 mil e o Rally Timer 37 mil.