Relojoaria
Jaeger-LeCoultre: From Paris with love
Janek Deleskiewicz é o director criativo da Jaeger-LeCoultre há quase 30 anos. “Nada comparado com os 200 anos de história da marca”.
Janek Deleskiewicz é o director criativo da Jaeger-LeCoultre (JLC) há quase 30 anos. “Nada comparado com os 200 anos de história da marca”, mas suficiente para que o seu trabalho tenha marcado indelevelmente uma das maiores marcas de relojoaria em todo o mundo.
Foi um LeCoultre quem fundou a vila de Le Sentier em 1612, que ainda hoje alberga a manufatura. A origem da marca remonta a 1833, mas foi só no início do século passado, quando o relojoeiro parisiense Edmond Jaeger se aliou aos LeCoultre que a marca ganhou a forma actual, “dividida entre Paris e Le Sentier” como refere Janek Deleskiewicz. Ele próprio dividido entre as duas terras.
Este ano, no SIHH, a JLC apresentou uma nova colecção Master Control, muito simples mas elegante, mas apresentou também modelos extraordinários, como os Hybris Artistica Mystérieuse, dois modelos para homem e senhora, sem qualquer tipo de ponteiros ou indicadores. A passagem das horas é dada pela posição do turbilhão no mostrador e os minutos por um triângulo (no caso dos homens) ou uma safira. Dois relógios ricamente trabalhados sendo que o de mulher demorou seis meses para criar….
Seis meses para fazer um relógio, o artesão quis matá-lo não?
Sim (risos). A dificuldade foi fazer a decoração. O movimento, a parte técnica, já tínhamos, mas quisemos fazer algo de muito especial e bonito na parte artística. Algo que representasse bem as folhas da hera. E de cada vez que fazemos algo na JLC fazemos sempre em casa. Até há poucos anos não eramos grandes especialistas em joalharia. A Van Cleef e a Cartier são especialistas e mesmo assim trabalham com muitos artesãos independentes, mas nós estamos no Vale de Joux e fazemos tudo aqui.
Quais são os highlights da coleção?
Os modelos Rendez Vous correm sempre muito bem. Já criámos a colecção há algum tempo, e devemos ser a única marca que conseguiu desenvolver uma verdadeira relojoaria feminina com sucesso. A joalharia relojoeira também continua a funcionar muito bem.
Gosta de desenhar este tipo de peças?
Muito. Do meu trabalho gosto sobretudo da mise en scéne. Mais do que designer, sou sobretudo um director cénico. O mostrador é um cenário, onde precisamos de encontrar um ambiente confortável para a leitura, para enquadrar as complicações. É como um palco de opera ou teatro. As mulheres não reagem ao tempo da mesma maneira que os homens: se colocarmos um ponteiro com dia e noite, não lhes interessa nada, mas se colocarmos uma lua e um sol, aí já é outra coisa, é como um bailado. Temos de apelar a todos os sentidos. Se pudesse colocar perfume num relógio, punha.
O que falta à Jaeger-LeCoultre?
Temos de trabalhar na comunicação. A Chanel comunicou muito bem, porque foi a primeira e representa o melhor do chique parisiense no mundo. Não existe um gosto chinês, nem sequer um gosto americano. Existe um gosto europeu. Hoje, quando vemos as senhoras chinesas sentadas nos cafés em Paris, elas estão vestidas com umas calças pretas Dior e uma camisa branca Anne Fontaine, estão mais europeias ainda do que as europeias. A Chanel conseguiu valorizar os seus produtos. Por exemplo, o Chanel n.º5 é o ícone da perfumaria e na Jaeger-LeCoultre temos também ícones incríveis, como os Reverso, os Rendez Vous agora, o Atmos, e mesmo a colecção Master, temos de saber transformá-los em ícones chiques da relojoaria.
Mas a JLC não está em Paris…
Não está, mas também é Paris. Os mecanismos magníficos do Sentier e o design de Paris.
Ainda vive em Paris?
Sim, estou sempre em Paris. Paris não é a França, é outra coisa, por isso adoro Paris. São os americanos que lá estão, os polacos, os russos, os portugueses, o mundo inteiro está em Paris.
Já está na JLC há 30 anos…
Não é nada, a JLC tem quase dois séculos.
Mas deu para muito. Por isso gostava de saber de que relógios se orgulha mais?Os dois primeiros que desenhei. Primeiro foi o Reverso em 1991, no 61.º aniversário do modelo. E logo a seguir o primeiro Master Moon, a primeira colecção Master onde trabalhei. A última foi a Rendez Vous, mas acho que não me deu tanto prazer como o primeiro Reverso.
Começou com um ícone
Ahhh…Mas não sabíamos isso na altura. Demorou uns bons dez anos a virar um ícone.