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Nutella

Não é preciso parar de comer Nutella

Ministra francesa disse que o creme de barrar não devia ser consumido devido à sua composição. Greenpeace diz que não é preciso chegar a tanto.

Podia ter sido um verdadeiro incidente diplomático que poria a Itália de costas voltadas para França, mas tudo não passou de um mal entendido.

Numa entrevista ao  francês Canal+, Ségolène Royal, a ministra francesa da Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia, alertou para a “desflorestação massiva” causada, em parte, pelo óleo de palma, um ingrediente-chave para produzir a Nutella, o creme de barrar de avelã com cacau mais famoso do mundo. Até aqui tudo bem, não fosse Ségolène apelar aos consumidores para pararem de comer Nutella. As reacções não se fizeram esperar: do fabricante italiano ao gulosos fãs da Nutella, passando também pelo governo italiano e Greenpeace. Royal acabou por pedir desculpa.

A Ferrero, fabricante da Nutella, emitiu de imediato um comunicado, sem aludir directamente às declarações da governante francesa, onde diz que assumiu “compromissos para se abastecer de óleo de palma de forma sustentável”. A maior percentegem de óleo de palma usada pela Nutella provém da Malásia (80%) e o restante é importado da Papua Nova Guiné, Indonésia e Brasil, informa a marca.

A organização ambientalista Greenpeace frisou também à Quartz que não é necessário parar de comer o creme de barrar e disse que se opõe ao boicote de produtos com óleo de palma na sua composição porque isso não “resolve os problemas de produção”. E, adiantou a organização, a Ferrero é uma apoiante do Grupo de Inovação de Óleo de Palma, que inclui a Greenpeace,  outras organizações não-governamentais, alguns produtores de óleo de palma e tem “uma política ambiciosa” para melhorar a sua oferta deste ingrediente.

“Consideramos, portanto, que a Ferrero é uma das empresas voltadas para o consumidor mais progressistas em relação ao abastecimento de óleo de palma”, declarou a organização ambiental.

Depois das declarações de Ségolène Royal, o seu homólogo italiano, Luca Galletti, também decidiu responder-lhe: “Deixe os produtos italianos em paz”, ironizando ainda, cita o Guardian, que o seu jantar seria… pão com Nutella. Já o ministro italiano da Agricultura, Michele Anzaldi, exigiu que Royal pedisse desculpas.

Com as reacções nas redes sociais, a ministra francesa, que sugeriu que a Nutella fosse feita “com outros ingredientes”, utilizou o Twitter para pedir desculpa. “Mil desculpas pela polémica sobre a Nutella. Concordo que o progresso feito deve ser reconhecido.”

A Nutella, que até tem um dia próprio, é consumida em todo o mundo – em crepes, bolos, waffles e outras guloseimas. França, refere o Business Insider, consome 26% de toda a Nutella produzida globalmente. Em Portugal, a febre da Nutella também existe e no último ano abriram sete lojas de sobremesas do doce em Portugal. A última foi na Figueira da Foz.