- Benoit Tessier/REUTERS
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Semana de Moda de Paris
Filipe Oliveira Baptista: desconstruir para libertar
Menos de um mês depois de ter apresentado em Nova Iorque a primeira colecção que desenhou para a Lacoste, Filipe Oliveira Baptista, mostrou em Paris a colecção em nome próprio para o Verão de 2012. Roupas leves e coloridas que pedem para ser desconstruídas com fechos múltiplos e geométricos, desfilaram ao som de Kalemba (Wegue Wegue), dos Buraka Som Sistema. Apesar de estar presente na Semana de Moda de Paris desde 2009, pela primeira vez houve pessoas que ficaram à porta.
Eram 16h00 quando dois autocarros de dois andares pararam na Praça da Concórdia, em Paris. Não traziam turistas, mas sim jornalistas, editores, produtores e directores de revistas de moda. Saíram em fila e dirigiram-se para o Museu Jeu de Paume para ver a colecção que o açoriano parisiense que fez carreira no estrangeiro criou para o Verão de 2012.
À entrada estavam os bloggers de moda, que não entram nos desfiles mas que gostam de captar os diferentes estilos de quem entra. Já são habitués e por isso também há quem se vista “a rigor” – a maior parte com looks extravagantes – na tentativa de chamar a atenção. Já os tínhamos visto, e em maior número, na porta do desfile de Dries Van Noten, mas aí o alvo dos bloggers são as figuras poderosas do meio, como a temida directora da Vogue americana, Anna Wintour. Assim que o desfile terminou ela foi a primeira a sair, sempre de cabeça baixa e protegida por quatro seguranças que garantiram a entrada no carro que a aguardava à porta. Foram dois minutos em que apenas se ouviam os disparos das máquinas fotográficas. E também é disto que a moda vive.
Dentro da sala do Museu Jeu de Paume, o espectáculo pelo qual aguardavam centenas de pessoas era outro e fazia-se com seriedade. Mas também aqui os fotógrafos querem garantir a melhor fotografia no espaço dos bastidores onde só entram as modelos que desfilam as peças criadas por Felipe Oliveira Baptista. “Por favor, encolham as pernas”, gritaram os fotógrafos quando foi tirado o plástico que protegia a carpete branca, como que a anunciar o começo do desfile.
A música começou e a escolha caiu sobre a faixa Kalemba (Wegue Wegue), dos Buraca Som Sistema. “Uma boa descolagem na Place de la Concorde. E a música deve acompanhar sempre o mote da colecção”, justificou Felipe Oliveira Baptista. E também porque a música tem tudo a ver com liberdade, palavra que o criador escolheu para definir as roupas que criou para a próxima estação quente. Uma colecção onde se destacam os cortes de alfaiataria com um toque desportivo que Oliveira Baptista faz com mestria. Silhuetas elegantes de casacos que se desconstroem, calções que se transformam em saias e calças que se abrem completamente graças à utilização de fechos que dão geometria às peças.
“Quis roupas que dessem liberdade, a liberdade de diferentes maneiras de as usar”, explicou o criador que pincelou a maior parte das peças com cores como o azul, o amarelo, o vermelho ou o castanho porque a cor também dá a ideia de liberdade. “Queria passar uma mensagem bastante positiva através desta colecção porque é o que todos precisamos”, disse Oliveira Baptista. Uma ideia de optimismo e leveza, considerada necessária no tempo duro que se vive, que partilha com outros criadores, como Luís Buchinho, por exemplo.
Os sapatos também despertaram a atenção pela mistura de linguagens - tinham detalhes de sapatos clássicos masculinos e outros do universo punk. "Também uma ideia de liberdade, de tocar em todos os temas que tratei ao longo destes anos mas numa só linguagem, como um traço", explicou.
Dezoito dias depois de ter dado a conhecer as suas primeiras criações para a marca francesa Lacoste, durante a Semana de Moda de Nova Iorque, Oliveira Baptista mostrou-se satisfeito no final do desfile em nome próprio. “Senti que houve um interesse maior por parte da imprensa e as boas críticas ao desfile da Lacoste trouxeram curiosidade e um maior público a este desfile. Foi a primeira vez que ficaram pessoas de fora”.
No final do desfile, um jornalista começou a perguntar se era muito diferente fazer um desfile em nome próprio quando foi interrompida por Oliveira Baptista que não a deixou acabar de formular a questão: “Ah! A pergunta da Lacoste! Já sei responder”, brincou o criador pois esta é uma pergunta à qual já respondeu dezenas de vezes. Mas disse que era completamente diferente e foi por isso que aceitou o desafio. E não sente que o facto de ter sido nomeado director criativo da Lacoste tenha trazido uma pressão extra para o desfile em nome próprio. “É diferente. Trabalhar em meios críticos é um estímulo. E trabalhar em processos criativos diferentes também. É uma questão de organização. Estou a tentar fazer o meu melhor e ir mais longe”, explicou.
Em Nova Iorque teve 1200 pessoas a assistir ao desfile. “É outra dimensão e tem a ver com a escala da marca”, diz. Quanto à Semana de Moda de Paris diz que é a mais exigente de todas as Semanas de Moda, onde estão presentes todas as casas francesas, japonesas, belgas e outras. E há a imprensa de todo o mundo.
Hoje é dia de negócio. A colecção está em showroom para venda e o criador diz que a marca está a crescer bastante bem. “São os mesmos mercados mas com vendas mais substanciais”. E vender em Portugal? "Gostava muito, mas ainda não houve contactos nesse sentido". Esta colecção vai poder ser vista no Porto, no dia 22 de Outubro, no decorrer dos desfiles do Portugal Fashion, plataforma que sustenta a realização dos desfiles do criador em Portugal e Paris.
O Life&Style viajou a convite do Portugal Fashion