REUTERS/Claro Cortes IV

Alerta Greenpeace

Têxteis com propriedades tóxicas

A Greenpeace, organização ambiental internacional, denunciou a presença de resíduos químicos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente em produtos de 14 marcas internacionais de vestuário, entre as quais, a Adidas, a Calvin Klein, a H&M, a Lacoste e a Ralph Lauren.

De acordo com o site brasileiro Planeta Sustentável, a organização ambiental já tinha lançado uma campanha contra as más práticas na indústria têxtil, e foi nesse contexto que algumas pesquisas foram feitas relativamente à presença de substâncias tóxicas, nomeadamente o etoxilato de nonilfenol, em produtos comercializados em 18 lojas.

Os resultados revelaram que em dois terços dos 78 produtos estudados estavam presentes substâncias tóxicas comuns em detergentes industriais e na produção de têxteis naturais e sintéticos, proibidas na União Europeia e com fortes restrições na China.

A World Wide Fund for Nature, organização ambiental, já referiu inclusive a "feminização" de peixes machos em partes da Europa como resultado do contacto deste animais com as substâncias em questão. A poluição de rios e cursos de água foi precisamente o gatilho que despoletou a pesquisa e a denúncia levada a cabo pela Greenpeace.

O site Planeta Sustentável refere ainda que entre os principais responsáveis pela poluição ambiental estão a emissão de esgotos nas cidades, a poluição do sector agrícola e, segundo pesquisas recentes da Greenpeace, as indústrias têxteis – sendo a China o maior produtor mundial de tecidos. A organização apela a um maior controlo das empresas poluentes sobre a libertação de resíduos químicos na água.

A contaminação de rios com produtos químicos pode afectar os sistemas endócrino, reprodutivo e hormonal de pessoas e animais. Este tipo de substâncias tóxicas integram a composição de embalagens plásticas alimentares, pesticidas, herbicidas, vestuário, tapetes e produtos de higiene pessoal (cremes faciais e íntimos, espermicidas, etc), pelo que a Greenpeace lançou a campanha Detox now! (Desintoxicação já!), exigindo que as empresas eliminem os produtos químicos perigosos de toda a sua cadeia produtiva.

Denúncia da Greenpeace gera reacções

Segundo o site brasileiro Último Segundo, a activista Li Yifang, membro da organização Greenpeace, mostrou a elementos da imprensa de Pequim algumas das peças de vestuário que possuem etoxilato de nonilfenol. Li não deixou de sublinhar a “persistência” dessa natureza tóxica, nem de mencionar os seus potenciais efeitos sobre o ser humano. Nas palavras da activista, o etoxilato de nonilfenol “mimetiza as hormonas femininas, alterando o desenvolvimento sexual (inclusive nos fetos) e afectando os sistemas reprodutivos".

Em resposta ao informe da Greenpeace, publicado na passada terça-feira, o departamento de comunicação da H&M afirma que, desde 2009, a empresa proibiu o uso de etoxilato de nonilfenol. A marca sueca acrescenta ainda que os níveis desta substância encontrados pela Greenpeace estão abaixo dos níveis permitidos, 100mg/Kg, assegurando que foi uma das primeiras na indústria a estabelecer uma lista de restrições. Por exemplo, “todos os fornecedores da H&M são obrigados por contrato a cumprir esta mesma lista”.

Por sua vez, a Nike afirma que as empresas chinesas contratadas e que foram citadas no relatório da Greenpeace “realizam apenas o trabalho de corte e costura, não utilizando produtos químicos no processo.”