Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007, 96 pontos
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007, 96 pontos

Vinhos portugueses com as melhores classificações de sempre na Wine Advocate

Os vinhos portugueses passaram com distinção no último exame da Wine Advocate, a publicação do americano Robert Parker, o mais influente crítico do mundo. destaque vai para os tintos Quinta do Zambujeiro 2007, Quinta do Vale Dona Maria 2009 e Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007, classificados com 96 pontos. Uma nota que os coloca junto da elite mundial.

Os vinhos nacionais estão a subir na cotação de Mark Squires, o provador para Portugal do site Wine Advocate, do influente e temido crítico americano Robert Parker.

No seu último relatório, publicado no passado dia 23 de Dezembro, Squires atribuiu 96 pontos, em 100 possíveis, a três vinhos portugueses: os tintos Quinta do Zambujeiro 2007 (Alentejo), Quinta do Vale Dona Maria 2009 (Douro) e Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2007 (Alentejo). Até agora, apenas um vinho português, o Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2003 (Douro), tinha obtido 96 pontos, a mais alta classificação já atribuída por Parker e os seus provadores a vinhos portugueses não fortificados (ver caixa sobre os vinhos fortificados que já obtiveram 100 pontos).

De entre os provadores de Parker, Marque Squires é um dos menos generosos na hora de dar notas, pelo que o resultado do seu último exame ganha uma especial relevância e é muito positivo para a imagem internacional dos vinhos portugueses.

Cerca de uma centena de vinhos obteve 90 ou mais pontos - e uma pontuação acima dos 90 pontos na Wine Advocate já é merecedora de elogio. Além dos três vinhos distinguidos com 96 pontos, há mais quatro com 95 pontos (Quinta do Mouro Rótulo Dourado Tinto 2005, Álvaro de Castro Carrocel Tinto 2008, Álvaro de Castro Quinta da Pellada Tinto 2008 e Casa Ermelinda de Freitas Moscatel de Setúbal Superior 2000); um com 94-96 pontos (Quinta do Zambujeiro Tinto 2009); cinco com 94 pontos (Quinta do Vale Meão Tinto 2009, Álvaro de Castro Quinta da Pellada Primus Branco 2009, Quinta do Mouro Tinto 2007, Quinta do Vale D. Maria Tinto 2005 e Poeira Tinto 2009 (Douro); 11 com 93 pontos (Quinta do Ameal Special Harvest 2010, Quinta do Crasto Vinhas Velhas Tinto 2009, Casa de Casal de Loivos Tinto 2009, Adega da Cartuxa Pêra-Manca Tinto 2007, Herdade da Malhadinha Nova Tinto 2009, Quinta de La Rosa Reserva Tinto 2009, Pintas Tinto 2009, Quinta da Manoella Vinhas Velhas Tinto 2009, Quinta do Cardo Grande Escolha Tinto 2009, Abandonado 2007 e Carm CM 2007) e dois com 92-94 pontos (Duorum Reserva Old Wines Tinto 2009 e Quinta do Zambujeiro Tinto 2008). Squires atribuiu ainda 92 pontos a 12 vinhos e 91 pontos a 15 vinhos.

Nunca a Wine Advocate tinha dado tão boas classificações a um tão vasto conjunto de vinhos portugueses como agora. E o destaque vai, sem dúvida, para quatro produtores: Quinta do Vale D. Maria (Douro), Álvaro de Castro (Dão), Miguel Louro (Quinta do Mouro, Alentejo) e Quinta do Zambujeiro (Alentejo). Este último, ainda pouco conhecido no panorama nacional, constitui a maior surpresa. Já a Quinta do Vale D. Maria continua a afirmar-se como o produtor mais bem pontuado por Mark Squires: obteve a melhor classificação nacional da colheita de 2009, o que já tinha acontecido em relação à de 2008; e o seu tinto 2009 foi também o único vinho português desta colheita a integrar a exclusiva lista dos Extraordinary Wines da Wine Advocate.

A colheita de 2009 em Portugal, que originou vinhos mais alcoólicos e encorpados, merece, de resto, grandes elogios por parte do provador de Robert Parker, que a coloca no mesmo patamar da de 2007, genericamente considerada uma das melhores, se não a melhor, da década passada. Squires - que parece partilhar com Parker o gosto por vinhos concentrados - destaca o facto de em 2009 haver bons vinhos nos vários segmentos de preços, em especial no Douro, a região que, diz, apresenta maior consistência de colheita para colheita.

Mas sublinha que é preciso esperar para ver se os vinhos de 2009 vão tornar-se em algo ainda mais especial com o passar dos anos, como está a acontecer com alguns vinhos de 2007 do Alentejo. Squires considera a colheita de 2008 a mais atípica das três, com vinhos mais austeros e ácidos, admitindo que possa ter sido a melhor para o Dão e a Bairrada.

O crítico confessa-se globalmente impressionado com o que provou, considerando que, com 2009, Portugal encerra um ciclo de três grandes colheitas. Três anos prodigiosos que, resume, elevam o estatuto dos vinhos nacionais e que podem ajudar a conquistar novos apreciadores.


Quatro vinhos portugueses já obtiveram 100 pontos

Ao longo da sua existência, a Wine Advocate já atribuiu a pontuação máxima, 100 pontos, a mais de uma centena de vinhos. Desta lista, fazem parte quatro vinhos portugueses fortificados: o José da Maria da Fonseca Moscatel de Setúbal 1947, o Quinta do Noval Porto Vintage 1997, o Taylor's Porto Vintage 1992 e o Taylor's Scion, um Tawny de 1855. Há um quarto vinho com 100 pontos que surge muitas vezes associado a Portugal, o Seppeltsfield Para Port Vintage Tawny 1909 (é assim que aparece descrito). Mas este é um Porto feito em Barossa Valley, na Austrália!

A França é o país com mais vinhos de 100 pontos (mais de 60), logo seguido dos Estados Unidos (cerca de 30) e da Espanha (seis, no final de 2010). A lista contempla os grandes vinhos do mundo, mas também contém algumas perplexidades. A maior delas envolve a marca Sine Qua Non, da Califórnia, que entre 2000 e 2005 viu nove dos seus vinhos receberem 100 pontos por parte da equipa de Parker. Algo realmente extraordinário.

Wine Advocate