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Ao ataque de calos, unhas encravadas e micoses

Os meus pés

Agora que o tempo pede, uma boa hidratação e uma visita regular à manicure é tudo quanto os pés precisam para se mostrarem dentro de uma bela sandália.

Depois de tantos meses escondidos e sufocados dentro de botas e sapatos, é chegada a hora de os pés poderem respirar. Mas antes há que fazer uma visita à manicure para os embelezar e garantir que está tudo em ordem do ponto de vista estético.

Foi para falar sobre o embelezamento e os cuidados a ter com os pés que marquei uma hora com a técnica e formadora de manicure do salão Magrife, Anabela Sousa. Estava longe de imaginar que sairia de lá com umas unhas - quase - novas.

Calos, unhas encravadas e micoses não são temas muito agradáveis para uma conversa, mas são problemas reais que afectam muitas pessoas. Segundo um estudo realizado em 2007 pela Associação Portuguesa de Pedologia, 86 por cento dos portugueses sofrem de problemas nos pés. E calos e micoses estão entre as queixas mais frequentes. Daí que, ao observar as micoses que me estavam a consumir as unhas dos dedos grandes dos pés, Anabela Sousa não tenha sossegado até o problema não estava resolvido.

"O interior da unha é inviolável. Uma manicure só deve mexer, com muito cuidado, nas partes estragadas que não apresentem infecções ou problemas mais graves. Nesses casos, já é trabalho para os pedólogos", adverte.

Esculpir as unhas

Não me pôs os pés dentro de água porque é em seco que se conseguem ver e resolver os problemas mais graves - e deixa o alerta para que ninguém aceite colocar os pés dentro de bacias que não tenham plásticos protectores descartáveis porque são uma fonte propícia para o desenvolvimento de bactérias e fungos.

Depois de concluir que as minhas unhas grandes estavam quase totalmente contaminadas por um fungo, Anabela Sousa disse que me ia começar a esculpir a unha. Não pegou no martelo e prego, mas sim no alicate de unhas e começou a cortar toda a parte doente, o que não é agradável de ver e muito menos de contar. Vou ficar sem unhas?, pensei e perguntei em voz alta. "Tenha calma, que já vou começar o trabalho de modelagem", tranquilizou-me.

Depois de limpar e desinfectar devidamente a zona da unha contaminada, colocou um antimicótico para aniquilar de vez o fungo e pôs a dita forma, um pedaço grosso de papel plastificado que serve para criar uma linha limite à unha.

"É aqui que começamos o trabalho de reconstrução", explica a técnica. Pegou num pequeno pincel que passou num pote com o produto acrílico utilizado na construção de unhas. "Constrói-se a parte da unha que falta com acrílico, para que esta possa voltar a crescer sã, bem aderente ao leito, porque quanto mais aderente estiver menos fungos cria. Depois é só limar. Nada de cortar."

Acrílico e gel

Anabela Sousa explicou que o acrílico tem a vantagem de moldar e, como não deixa crescer a unha para fora, esta não volta a encravar. Quando colocado, o acrílico tem uma duração de seis meses. O crescimento da unha é que normalmente acontece antes desse tempo.

A técnica desenhou uma fina linha branca no topo da unha, para criar a "pintura francesa", e no resto da zona que estava ainda sem unha colocou acrílico, mas desta vez incolor, porque ao ser aplicado fica com o tom natural das unhas. Por fim, passou uma camada do gel utilizado na criação das unhas de gel, para dar brilho.