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Tendência Primavera/Verão 2013

Fruta da época: das flores de cerejeira aos jogos de xadrez

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    A tendência oriental vista aqui num look quimono no desfile da marca Pucci REUTERS/Alessandro Garofalo
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    Os cortes que evocam a tradição japonesa foram vistos na colecção do britânico Christopher Kane DR
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    As artes decorativas asiáticas foram uma inspiração para Dries Van Noten REUTERS/Keith Bedford
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    O “nouvelle japonisme'' interpretado na colecção de Altuzarra REUTERS/Keith Bedford
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    O look étnico chique numa interpretação de Matthew Williamson REUTERS/Olivia Harris
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    Um "novo tribal" foi visto no desfile da marca Templey London DR
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    Em Prada, a influência asiática foi combinada com elementos dos anos de 1960 REUTERS/Alessandro Garofalo
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    O look preto e branco dominou o desfile de Alexander Wang REUTERS/Andrew Burton
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    Um look muito clean na colecção de Jil Sander REUTERS/Alessandro Garofalo
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    Aqui o estilo preto & branco interpretado por Ricardo Dourado numa versão mais rock ´n´ roll REUTERS/Hugo Correia
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    O glamour geométrico, aqui com um toque de vermelho, na colecção de Michael Kors REUTERS/Carlo Allegri
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    Marc Jacobs, o director criativo da Louis Vuiton, ''estava a ver o mundo em versão geométrica'' REUTERS/Benoit Tessier
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    As sempre populares riscas verticais no desfile de Michael Kors REUTERS/Carlo Allegri
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    Marc Jacobs prolongou o jogo de xadrez na sua própria marca REUTERS/Lucas Jackson
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    Frida Giannini, directora criativa da Gucci, criou um look branco total e adicionou-lhe os folhos para um toque romântico REUTERS/Stefano Rellandini
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    Os folhos vistos aqui num look mais 'girly' no desfile da Chloé REUTERS Benoit Tessier
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    Stella McCartney criou uma versão mais desportiva do vestido comprido REUTERS/Carlo Allegri
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    O maxi vestido continua a ser uma tendência para o Verão 2013, como se viu na colecção da marca portuguesa Os Burgueses REUTERS/José Manuel Ribeiro
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    O look super maxi com um padrão floral na colecção de Dries van Noten REUTERS/Gonzalo Fuentes
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    Uma mistura de padrões cria o efeito camuflado na colecção de Stella McCartney REUTERS/Benoit Tessier
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    O estilo camuflado foi o elemento-chave da colecção do criador português Felipe Oliveira Baptista REUTERS Benoit Tessier
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    O metalizado é uma forte tendência para este Verão, visto aqui num look criado por Simone Rocha DR
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    O icónico trench coat da Burberry adopta o look metalizado DR
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    A 'feminilidade' interpretada por Sarah Burton para a marca Alexander McQueen com tecidos que reproduzem o efeito "rede" (mesh) REUTERS/Gonzalo Fuentes
Fruta da época: das flores de cerejeira aos jogos de xadrez Por Joana Amaral Cardoso Directório

Os Oompa-Loompas das tendências já fizeram a sua magia e há novas guloseimas nos cabides - algumas vêm das passerelles, outras da moda de rua. Todas ficam melhor ao sol.

Ouvido na Zara: “Não percebo esta coisa dos quimonos agora”. “Quimonos?”, responde a amiga com uma pergunta, encolhendo os ombros. Estão a olhar para os cabides cheios de novidades de Primavera, algumas ainda com prazo de validade suficientemente alargado para chegar ao Verão, outras ali só para entreter os clientes já saturados dos borbotos dos saldos, alvo de um desmame cientificamente controlado ao longo de semanas pelos Gandalfs da moda rápida, os Oompa-Loompas das tendências. 

Os saldos acabam, a Primavera (espera-se ansiosamente) está a chegar e quem vai às compras está então a ser brindado com crisântemos, flores de cerejeira, cortes largos ou cinturas orientais e tecidos acetinados. É uma tendência, sim, e para o par de amigas supracitado perceber o como e o porquê, eis uma tentativa de explicação semestral da anatomia das tendências.

Dizer que as malhas vão ser uma tendência no Outono/Inverno é como dizer que o bacalhau vai ser uma grande moda no Natal. Dizer que as cores vão desabrochar e que haverá flores, fluorescentes e folhos na Primavera também - ou, melhor dizendo, os fluos podem ser pastéis, os folhos podem ser franjas, mas tudo é fruta da época. É sintomático e vendável,  isto de a cor ser sinónimo da estação em que as árvores florem, em que o calor desponta e em que os ânimos mudam. É o que Sarah Burton, directora criativa da Alexander McQueen, resume na sua explicação da sua colecção para esta temporada: “Um estudo de feminilidade, sobre sensualidade e pele”. 

 

Os metalizados, como se viu na passadeira vermelha dos Óscares, evento final do Inverno já a cheirar a bronzeador no corpo das actrizes, continuam por cá. O estilo militar, tão glamorizado nos últimos anos no seu cruzamento com os power looks rock ‘n’ roll da Balmain, também. O camuflado pode não ser o das Forças Armadas dos anos 1990, mas uma versão padrões animais ou… brilhante. Os maxi vestidos e as saias longas que fizeram as delícias das bloggers e das pernas que se querem confortáveis também parecem ter bilhete vitalício.

 

Mais fresca parece ser a interpretação da tendência 2012 que foi o regresso aos motivos dos índios norte-americanos que encheu os cabides online de termos politicamente incorrectos como “navajo”, agora cheia de pistas para países exóticos com gorgorões, tecidos e detalhes no corte das peças que nos podem levar numa penada da Birmânia à América Central. Veio da rua, cruza-se com os triângulos hipster e com a simbologia da geração Y e reforça-se nas lojas de moda mais acessível.

 

E depois há os gráficos arrojados. Quadrados, enormes, como os da linha Damier da Louis Vuitton, que deram um pulo à passerelle e depois foram passear ao corpo de Kirsten Dunst e actrizes sortidas e criaram uma tendência - a par das riscas verticais pretas e brancas (Marc Jacobs, tanto na sua marca quanto na Vuitton, estava a ver o mundo versão geométrica, claramente), traduzidas em leggings de qualquer loja, em fotografia de qualquer blogue. Para abrandar, o branco, claro, total, elegante, crocante no corte - das mãos de Raf Simons-Dior para o corpo de Charlize Theron, obrigada, sempre às ordens. 

 

Mas voltemos à Zara e às amigas às compras. Agora há então uma invasão asiática. As raparigas que não percebem “os quimonos” (ou os blusões desportivos - os bombers são outra tendência a confirmar nas lojas e nas ruas - acetinados com bordados florais nas costas, ou os cetins) podem procurar respostas no mercado. Há anos, mesmo antes da recessão em que se encontra o Ocidente, que o Médio Oriente e o Oriente menos médio eram apontados como o futuro, as bolsas de oxigénio, os novos mercados que já emergiram. Da Índia à China, o poder de compra e o número de lojas de luxo - e de moda rápida - crescem hoje de mãos dadas. 

 

Ora os cortes do Japão, a sua visão arquitectónica e metódica da sociedade que se traduz nas roupas, juntamente com as suas artes decorativas, são alvo de um eterno retorno às mentes dos criadores de moda que lançam tendências. E este ano assim foi. A Vogue britânica chama-lhe “nouvelle japonisme” e de Altuzarra a Stella McCartney (e aquelas mangas enormes e os ombros redondos a tornar-se eles mesmos um padrão que se vai ver cada vez mais nas reproduções de moda rápida e nas passerelles, vide Felipe Oliveira Baptista na semana de moda de Paris em Fevereiro), passando pela sempre atenta Miuccia Prada, a elegância contida está lá. E nas lojas mais baratas também.

 

O resto é feito de calças mais curtas a mostrar o tornozelo (calor = pele, maxi = lei da compensação), anos 1960, flores - efeito Hitchcock, talvez, a juntar-se à Primavera - mais cobras. Uma elegância contida, excesso no detalhe, dos fatos à alta-costura, minimalismo saboroso, ou como dizem os directores criativos da casa Valentino, “austeridade sensual”. Apropriado ao momento, tudo isto parece uma confusão, mas ao sol fica tudo melhor. 

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