Carla Rosado

Spa Essentials

Um homem na cidade (com pele de seda)

Durante uma hora, o mundo transforma-se em água entre massagens e duches. Cervical, obrigado. Dorsal, muito obrigado. Lombar, muitíssimo obrigado. E no final, a realidade cheira muito melhor e a pele é mesmo de seda.

Há moradas que são toda uma declaração de intenções. Saber que vamos ser massajados, tonificados, esfoliados, num spa numa Travessa da Fábrica das Sedas só pode ser bom augúrio. Diga-se que a profecia toponímica não falhou. A culpa é das artes da terapeuta e dos tratamentos para homem deste Essentials, resvés Amoreiras.

Cercado de urbana confusão, o EssentialsAmoreiras é uma ilha acolhedora no rés-do-chão de um edifício da bendita travessa, moldado segundo as convenções destes locais: cores claras, sons relaxantes, salas-refúgio. Um corredor - que lembra uma passagem para um qualquer paraíso insular, uma linha de tábuas sobre seixos - conduz-nos a um perfumado gabinete, iluminado a velas, com uma marquesa decorada com flores. A primeira pedra no caminho: umas cuequinhas descartáveis, único elemento no corpo durante a próxima hora, que põe logo fim a qualquer vanglória. Vendo bem, há que levar para a massagem alguma vulnerabilidade para que o corpo se esqueça do mundo.

A profissional que vai cuidar de nós, Svetlana, uma jovem ucraniana que se especializou já em Portugal em estética e tratamentos, explica ao que vamos: um ritual masculino completo, Pure Energie, que promete repor "toda a energia da pele", seguido de tratamento e massagem facial, um X-Press, que se diz ser "desintoxicante" e "de efeito refrescante e energizante". 

Tudo a postos, o corpo acomoda-se na marquesa de um gabinete em escuridão quase total e cai uma chuva termal, levando consigo o quotidiano. É o duche vichy, que se prolongará até ao final da sessão. Os jactos de água são ladinos e sabem por onde cirandar, como se conhecessem o mapa das mazelas. Uma limpeza. Ao longo de uma hora, olhos fechados, o meu mundo é água e umas mãos delicadas que se combinam com o tratamento de hidroterapia em massagens localizadas. Cervical, obrigado. Dorsal, muito obrigado. Lombar, muitíssimo obrigado.

Nos entretantos, complementa-se este relaxamento com a mais global das esfoliações, dos pés à cabeça. "Trabalhamos com produtos Decléor, uma conceituada marca francesa que excluiu os químicos, apenas são usados ingredientes naturais", esclareceu Svetlana. Como é que o tempo passou, não me perguntem - é que entre duche e massagem, a mente decidiu ir mergulhar com golfinhos em Tróia e foi por lá que andou entretida. O certo é que quando tudo termina, se há coisa que não queremos é que termine.

A parte boa é que, no caso, vamos seguir para o tal gabinete a velas iluminado para, agora, tratar do rosto com cremes e bálsamos para a pele masculina. E com direito a um twist final. Ao rosto são removidos os despojos do dia com uma limpeza total e a devida esfoliação. Já bem preparado e retocado, tem direito a massagem com um bálsamo, seguido de uma máscara desintoxicante à base de argila. Enquanto a máscara actua, Svetlana massaja os ombros, retirando as cargas stressadas que todos acumulamos por ali. E acrescenta massagens às mãos: "causa maior relaxamento e mantém o contacto com o terapeuta". Máscara retirada, os olhos são contornados com um sérum. E fica tudo preparado para o toque final.

São apenas duas gotinhas de um concentrado puro que, aquecidas nas mãos e dadas a respirar, não só hão-de renovar-nos os pulmões e "activar a circulação" como, aplicadas na pele, diz-nos Svetlana, permitem um "aumento de absorção do creme até 65%". O aroma com base de eucalipto, um de vários à escolha, devolve-me à natureza e depois à realidade. Mas esta realidade cheira mesmo bem. Hoje sou de seda.

ESSENTIALS AMOREIRAS
Travessa Fábrica das Sedas, n.º 22
1250-108 Lisboa
Tel.: 213833484
www.essentials.pt
Tratamentos: Ritual masculino Pure Energie, 70 min., 60€.
X-Press Energie pour Homme (facial), 30 min., 35€.
(nota: A rede Essentials inclui outros espaços, em regime de franchising, em diversos pontos do país) 

Artigo publicado na revista Fugas de 21 de Julho