Brahmi

A síndrome de tudo ao mesmo tempo

Alguém se lembra da tira da Mafaldinha em que o Felipe pensa em tudo ao mesmo tempo? No Cavaleiro Solitário, na escola, no Vietname, nos chineses, na sopa, nos Beatles... Claro que rebentam os fusíveis e cai para o lado.

É o que andamos a fazer há anos, a pensar em tudo ao mesmo tempo: no que temos que fazer no trabalho, na melhor forma de nos relacionarmos com os outros, no que vamos vestir se chover amanhã, na hora a que vamos sair do trabalho se queremos apanhar o autocarro, no momento que vamos tirar para telefonar à mãe, ao pai, ao namorado... na hora em que conseguiremos ir buscar os miúdos à escola, nos truques que vamos usar para as crianças comerem os espinafres... A diferença entre nós e o Felipe é não cairmos para o lado. Porque os fusíveis apagaram-se de certeza há muito tempo.

No mundo do Felipe, um médico olharia para nós e recomendaria dez gotas de ‘nervocalm’ (aquelas gotas que o pai da Mafaldinha toma quando ela faz perguntas). No nosso mundo, temos várias opções. Mudamos de vida (tentador, mas pouco exequível; na lista dos pensamentos permanentes na nossa cabeça também há as contas para pagar). Tomamos medicamentos (perigoso, se não há alusões a problemas de dependência no ‘nervocalm’, os comprimidos criam-na e muito). Encontramos maneira de pensar numa coisa de cada vez, e isso aprende-se.

Ali mesmo na fronteira entre a Parede e São João do Estoril está um lugar onde aprendemos a gerir as nossas energias. Tem tudo a ver com elas. Com a forma como as gastamos, no que pensamos quando as gastamos, nas reservas que conservamos para enfrentar uma tarefa de cada vez. Chama-se Brahmi e é um espaço de bem-estar que se orienta pelas filosofias e medicinas orientais. Brahmi é a palavra que significa energia revitalizante em equilíbrio com a natureza.

"Não queríamos ser um ginásio, não queríamos ser uma clínica. Queríamos ter um conceito inovador com base nas filosofias orientais”, explica Vera Bilé que há dois anos abriu o centro, juntamente com Tiago Botelho. Os dois estavam de acordo em não ter um espaço onde a ginástica fosse uma fuga, queriam que fosse um lugar de recentramento, educativo e pedagógico. Ginasticar o corpo, explica Vera Bilé é trabalhar a energia. Por isso, todas as actividades do Brahmi (massagens, tratamentos, actividades e cursos) são feitas "a partir do interior”.

Quando ginasticamos o corpo – quando estamos em cima de uma bicicleta, a correr, num ginásio – continuamos com a cabeça ocupada. Muitas vezes, constata Vera Bilé, em casa ou num ginásio, temos um televisor em frente, onde passa música, onde passam notícias. Corremos, mas estamos a ver televisão. Pedalamos, mas estamos a pensamos no relatório que temos para escrever a seguir. “Temos o nosso corpo a fazer alguma coisa, mas a nossa cabeça está a mil. Não estamos em sintonia e isso não é natural. E essa vertente está muito implementada na nossa sociedade”, explica Vera Bilé. Quando fazemos uma actividade, prossegue esta especialista, o foco tem que estar em nós. “Se não o fizermos, gastamos toda a nossa energia, não ficamos com reservas, e surge o cansaço, o stress, as patologias”.

O Brahmi está dividido em três partes. Existe um lounge onde os clientes podem repousar (depois dos tratamentos ou aulas ou sempre que quiserem), duas salas de tratamentos e uma área para as aulas ou para os cursos que ali são organizados. É um espaço holístico, pois todas as suas actividades são complementares e direccionadas para este bem estar físico, emocional e mental que se resume na palavra equilíbrio. Há aulas de ioga, de Tai Chi, de danças orientais, de Chi Kung. E massagens que melhoram a vitalidade, harmonizam a energia e melhoram a qualidade dos órgãos.

Uma das massagens na carta do Brahmi chama-se Abhyanga e tem uma lista de benefícios muito apetecível a quem sofre da "síndrome Felipinho". Nutre e revitaliza os tecidos, ajuda a melhorar a circulação, melhora o poder digestivo, lubrifica os músculos e as articulações, induz um relaxamento extremo e, por tudo isto, é ideal para insónias, stress e ansiedade.

É uma massagem de baixo impacte, ou seja, a manipulação é suave (abhyanga significa massajar com óleo). “Consiste muito em drenagem física e energética, tudo o que flui no nosso corpo continua a fluir, mas, e passe a repetição, desbloqueia os nossos bloqueios, que por vezes começam por ser emocionais e acabam por ser físicos – afecta a zona cervical e lombar onde acumulamos a tensão”, explica Vera Bilé. Os óleos são terapêuticos, à base de plantas, que os tecidos absorvem e, para isso, é necessário mantê-los no corpo entre 30 e 40 minutos. Convém, por isso, fazê-la ao fim do dia, quando vamos para casa e não é necessário um banho imediato.

O ideal seria repetir a massagem semanalmente, ou quinzenalmente. E completá-la com uma rotina diária que respeite os ritmos biológicos. “Devemos corrigir pequenas coisas para voltarmos ao nosso equilíbrio natural, por exemplo ter cuidado com a alimentação, deitarmo-nos um pouco mais cedo e acordar mais cedo, fazer prática meditativa – bastam alguns minutos, mas em que estamos mesmo connosco próprios, não a pensar em alguma coisa – e, preferencialmente, fazer uma prática de ioga ou Tai Chi, que são exercícios em que nos centramos em nós próprios”.

A massagem Abhyanga tem a duração de 60 minutos e custa €55 a sócios e €65 a não sócios.

Brahmi Oriental Wellness
Avenida dos Plátanos, n.º 51, Loja C,
Jardins da Parede
Tel. 21 467 54 78
http://www.brahmi.pt/