• Escadaria de acesso ao spa
    Escadaria de acesso ao spa Enric Vives-Rubio
  • Reflexo da luz natural
    Reflexo da luz natural Enric Vives-Rubio
  • Um detalhe da decoração
    Um detalhe da decoração Enric Vives-Rubio
  • Um dos jactos fortes da piscina
    Um dos jactos fortes da piscina Enric Vives-Rubio
  • O claustro de descanso no centro do spa
    O claustro de descanso no centro do spa Enric Vives-Rubio
  • A harmonia do mobiliário é um convite à serenidade
    A harmonia do mobiliário é um convite à serenidade Enric Vives-Rubio
  • A sala do duche Vichy
    A sala do duche Vichy Enric Vives-Rubio
  • O spa evoca umas termas romanas
    O spa evoca umas termas romanas Enric Vives-Rubio
  • Pormenor do circuito de talassoterapia
    Pormenor do circuito de talassoterapia Enric Vives-Rubio

Marina Real Spa

Perder o corpo, ganhar o corpo

Não prometemos que os efeitos sejam os mesmos: é precisa muita desconfiança acumulada para perceber o bem que "isto" faz. Isto é um dia passado num spa, entre a talassoterapia e os tratamentos de corpo e de rosto. Uma primeira experiência para repetir até que o corpo deixe de doer.

Prometem-nos que vamos conseguir relaxar e nós dizemos que outros tentaram e nem por isso conseguiram. “Eu não disse que era eu que ia conseguir fazer com que relaxasse, é você que vai fazer com que consiga relaxar”. Não há como atirarem-nos com o ónus da responsabilidade para nos atiçar o desejo de superação. Adoramos desafios, sermos submetidos a duras provas como estas: demorarmo-nos no circuito de talassoterapia e a seguir sermos castigados com uma massagem relaxante. Uma tarde inteira a cuidarmos de nós, sem pressas, “sem notar”, acrescentam.

O spa do Grande Real Villa Hotel, em Cascais, fica na zona mais secreta do hotel. Forrado a mármore, arrancado do próprio chão onde o hotel foi construído, procura reconstituir o ambiente de umas termas romanas. O circuito de talassoterapia junta a luz natural que o recanto onde o hotel foi construído ainda guarda. A piscina de talassoterapia, uma das poucas na região da Grande Lisboa, tem oito pontos, que podemos experimentar à vontade, brincar como se desconfiássemos das vantagens, como se achássemos que aquela água é só para velhos… Minutos depois de termos entrado já sentimos os efeitos da água quente, dos jactos que trabalham sobre a zona lombar, das contracorrentes que activam a circulação sanguínea, da flutuação que nos engana nas calorias que devorámos horas antes... Ai a desconfiança da juventude e o cinismo do repórter… E as duas saunas, de banho turco e vapor, são o balanço necessário (ou o passo que falta) para nos preparar (para nos convencer) para o que se segue. A elegância dos corredores, o cuidado nos detalhes, o requinte do atendimento, o silêncio que percorre as salas, os rebuçados nos vestiários, os roupões que apetece levar, a água com limão que nos oferecem… sabe tudo a memória imaginada quando, depois, temos que recordar como foi…

Deitados numa marquesa sentimos as mãos da assistente a procurarem os nossos pontos mais fracos. É o corpo que cede. Aos primeiros passos, daquele que será um tratamento de corpo e rosto, já temos que dar razão ao aviso inicial. Deram-nos a escolher óleos de aromas diferentes. Explicam que “através da mistura de óleos essenciais com o óleo de grainha de uva, sobem o relaxamento e bem-estar” que nos foi prometido. Dizemos que sim, vamos lá. Primeiro os ombros, as costas, os braços, depois as pernas… e o corpo a desaparecer por entre aquelas mãos, o corpo a escorregar por entre aqueles óleos… Ouvimos o nosso respirar a tornar-se mais pesado, sabemos que era tão fácil deixarmo-nos ir, adormecer mesmo, dizem-nos que não há problema se isso acontecer.

A sala está escura, há uma ligeira música ambiente que não sabemos se existe realmente, as toalhas estão quentes, as velas criam sombras estranhas nas paredes… “De movimentos suaves e relaxantes, a massagem auxilia a penetração do óleo na pele fazendo com que este entre no sistema sanguíneo promovendo assim o bem-estar”, explicam. “É esse o objectivo primordial: obter o relaxamento do cliente”. “Do cliente?”, perguntamos só para nós. Tanta intimidade e não nos tratam pelo nome? Talvez seja melhor assim, todos os prazeres são melhores quando são anónimos.