José Avillez no seu novo Mini Bar
José Avillez no seu novo Mini Bar Paulo Barata

Mini Bar – Avillez no Teatro São Luiz

O espectáculo não pode parar: José Avillez acaba de abrir mais um espaço, desta vez um bar gastronómico ligado ao Teatro São Luiz, no Chiado. Aqui pode-se passar para um copo, um petisco, um mini prato ou um menu de degustação, no balcão, no camarote ou na plateia. E saborear algumas das surpresas dos menus do Belcanto.

Quando entramos no Mini Bar, o novo restaurante – ou melhor, bar gastronómico – que José Avillez acaba de abrir em Lisboa, no Chiado (onde mais poderia ser?), vemos já pessoas sentadas na plateia, no primeiro balcão, no camarote. Algumas estão ainda no primeiro acto deste espectáculo, mas há quem avance para o segundo ou o terceiro, ou mesmo quem já esteja próximo do final apoteótico.

Bom, tanta metáfora teatral tem uma razão de ser: o Mini Bar é o espaço ao lado do Teatro de São Luiz, pelo qual passaram diversos projectos de restauração e que agora se junta ao império Avillez, que soma já o Belcanto, o Cantinho do Avillez, a Pizzaria Lisboa, e o Café Lisboa. Apesar de ter aberto discretamente na semana passada, o Mini Bar não conseguiu manter-se discreto muito tempo, e no sábado à noite já estava cheio.

Avillez justifica este sucesso imediato pelo facto de todas as noites recusar perto de duas centenas de clientes nos outros restaurantes, por falta de lugar, acabando por os aconselhar alternativas – e, neste caso, o Mini Bar é a alternativa óbvia.

O convite para explorar o espaço já tinha chegado há algum tempo, mas inicialmente Avillez não aceitou. Até que pensou melhor e surgiu-lhe a ideia que, acredita, faz aqui todo o sentido: este é um restaurante que é também, de certa forma, um teatro. A experiência gastronómica não é, hoje em dia, muitas vezes teatral? Então, decidiu, façam-se obras profundas no local, crie-se um ambiente de teatro que vai das cortinas vermelhas à entrada às letras do nome rodeadas de luzinhas (o chef admite que uma das influências neste conceito foi o Tickets, o bar de tapas dos irmãos Adrià em Barcelona). E que comece o espectáculo.

A ideia do Mini Bar é ser um espaço informal, onde se pode ir apenas beber um copo, comer um petisco, ou, se se preferir, jantar – ou seja, do simples copo de vinho a um menu de degustação com vários actos, existem diversas opções. E a grande vantagem para quem nunca foi ao Belcanto é que aqui pode provar, em separado, alguns pratos dos menus daquele restaurante.

Espreitemos então um dos menus propostos. O 1º acto é uma caipirinha (esta, por exemplo, faz parte dos menus do Belcanto) sob a forma de uma pequena esfera gelada, que se quebra na boca, libertando o líquido que tinha no interior. Teatro, portanto. Como teatro é o amuse bouche que vem a seguir: azeitonas explosivas versão XL (estas inspiradas no elBulli), que também rebentam na boca, libertando o intenso sabor a azeitona, e o Ferrero Rocher, que parece exactamente o chocolate, mas não é (e que é igualmente servido no Belcanto). Este 2º acto termina com gambas do Algarve em ceviche, servidas sobre uma lima cortada ao meio.

Passamos para o 3º acto, continuando os sabores frescos e com um toque asiático, com um “cornetto” temaki de tártaro de atum com soja picante. E o tom mantêm-se no 4º acto: vieiras salteadas som sabores Thai, servidas numa pedra branca e irregular. No 5º acto dá-se uma reviravolta na acção: chega a carne. Primeiro um JAburguer DOP, com carne barrosã, saborosíssima, num pão muito leve, e depois um arroz de bochecha de vaca com parmesão, que, explica o chef, é feito inicialmente com um estufado de mão de vaca, o que lhe dá a leve gelatina que o une e torna impossível não rapar o pequeno tacho em que é servido.

E, como em qualquer espectáculo, chegamos ao último acto deste Menu em Cartaz (35 euros), com um cone de chocolate em 3 texturas, com flor de sal e pimenta rosa, e um globo lima-limão, inspirado também na laranja fingida que é servida no Belcanto. Para quem quiser um espectáculo maior, Avillez propõe um Menu Épico (48,5 euros): “Entre em cena nas mãos do chef e divirta-se!”.

Os que optarem pelos petiscos têm mini-cocktails para trincar (como a caipirinha) a 2 euros ou 3 euros; mini petiscos (como as azeitonas explosivas, o Ferrero Rocher, “frango assado” com creme de abacate e requeijão, pipipiri e limão, ou abacate em tempura com kimchi desidratado), entre os 2 e os 6 euros; mini-pratos (brusqueta de foie gras confitado, parmesão, figo pingo de mel e balsâmico, cavala fumada com salada de maçã e aipo com trufa, ou nuggets de bacalhau com emulsão Bulhão Pato), com preços entre os 5 e os 10 euros. Por fim, há mini pratos de carne ou de peixe com preço máximo de 12,5 euros. Para “os mais resistentes” existem bifes – um deles com trufas e um preço de 45 euros.

Mas estamos num bar, e por isso há também música, com playlists de Vítor Silveira (aka Ramboiage), DJ do Lux, e DJ ao vivo de quinta a sábado a partir das 23h.

Quanto à carta de bebidas, encontra-se de tudo, deste o teatro de rua com as suas cervejas, passando pelos figurantes (vinhos de sobremesa), para acabar nas grandes vedetas (gins e vodkas). Mas há também comédia, tragicomédia, drama e revista. Teatro para todos os gostos.