- O chef argentino Chakall e o presidente da associação de escanções Rodolfo Tristão DR
- Chakall prepara o prato de vieiras DR
- O prato de Vieiras com Molho de Café DR
- O chef argentino emprata o borrego DR
- Costeletas de borrego com meslum de batatas DR
- Rodolfo Tristão serve o vinho aos jornalistas DR
- A sobremesa de bolo de chocolate e mousse de chocolate branco com framboesa DR
Workshop
Descobrir o gosto pelo café com uma refeição diferente
O Life&Style foi convidado para fazer um workshop e a editora Bárbara Wong descobriu que, afinal, gosta de café.
Tenho vícios, poucos, é saudável ter alguns vícios e os meus não passam pelo tabaco ou álcool, mas pelo chocolate, sobremesas, doces e vinhos generosos (sim têm álcool, mas têm elevado teor de açúcar!)… Nenhum dos que tenho passa pelo café. Aliás, até ao início desta semana, podia dizer com segurança a frase: “Eu não gosto de café.” Podia, agora já não posso…
O convite é da Nespresso, fazer um workshop com o chef argentino Chakall e Rodolfo Tristão, presidente da Associação de Escanções de Portugal, durante a edição do Peixe em Lisboa, no Pátio da Galé. O objectivo é experimentar o café noutros contextos que não seja apenas a bica da manhã ou o café no final de uma refeição.
Já sabíamos que o café pode ser utilizado como ingrediente numa receita e foi isso que Chakall fez, ao apresentar um prato de vieiras e outro de borrego em que os molhos são escuros precisamente por causa dos cafés – tirados da máquina, como em casa. E a escolha é variadíssima, dos suaves aos intensos. Em ambos os casos, Chakall, frente ao fogão, opta por deitar nas frigideiras onde cozinha cafés com notas mais fortes. No caso das vieiras, verte duas chávenas de Espresso Forte, um Grand Cru encorpado e persistente composto por arábicas da América do Sul, por cima das chalotas picadas e já fritas em manteiga, acrescentando de seguida mel; nas costeletas de borrego com meslum de batatas, o chef escolhe um Ristretto Origin Índia, um Grand Cru intenso e apimentado com arábicas e robustas provenientes do Sul daquele país – descreve Tristão –, para juntar a um refogado feito com cebola e salsa, a que foi acrescentado cacau, malagueta, concentrado de tomate, vinho tinto, natas, passas, limão e açúcar.
Para acompanhar os pratos, Rodolfo Tristão escolhe um branco fresco de casta Verdelho para as vieiras e um tinto Periquita para o borrego. Combinação perfeita.
Além dos vinhos, o escanção é também especialista em café e, de chávena transparente na mão, começa a explicar a importância do creme. Não é uma espuma, como na cerveja, mas um creme mais consistente que permite manter o calor e os aromas. “Quanto mais escura for a cor do creme, mais intenso é o café.” Nesta altura, começo a fazer caretas, ao imaginar o sabor amargo. Do outro lado da bancada, Tristão continua, desta vez, rodando a chávena e enfiando o nariz na mesma. Do lado de cá, os jornalistas repetem-lhe os gestos, inspiram o aroma do café. Tal como acontece com o tabaco, gosto mas não fumo; o mesmo se passa com o café, gosto do aroma mas não bebo.
De seguida, Tristão ensina a beber o café, recomenda que não se engula de boca fechada, mas deixando o ar entrar, de maneira a que o café liberte os seus aromas no interior da nossa boca. De olhos fechados e com os ombros ligeiramente encolhidos, à espera da informação que a minha língua vai dar ao cérebro – amargo, amargo –, obedeço às suas ordens, mas eis que não acontece nada, as luzes vermelhas não se acendem. Não há uma queixa a fazer. “Mas por que encho sempre o café de açúcar para o tentar beber e acabo por desistir?”, pergunto-me intrigada. Como se ouvisse os meus pensamentos, o escanção responde que “o bom café não precisa de açúcar”.
Então, Rodolfo Tristão serve um moscatel de Setúbal, Alambre de seu nome, e volta a desafiar-nos: misturá-lo com o café na boca e não na chávena. Sorrio, lembram-se que no início afirmo que gosto de vinhos generosos? E, agora, obedeço de imediato, sem medos. O nome técnico é “harmonização”, que, como a palavra indica, é o conciliar do vinho, do café e… da sobremesa! Sim, porque quando se experimenta o bolo de chocolate negro ou a mousse de chocolate branco com framboesas frescas e se beberrica o café alternando-o com o moscatel é, de facto, uma experiência única. Sobretudo para quem não bebia café!
O objectivo do workshop está cumprido. A Nespresso – que não quer falar sobre se as marcas brancas que, entretanto apareceram nos supermercados com cápsulas que podem ser usadas nas suas máquinas, estão a prejudicar as suas vendas, conforme o Life&Style pergunta – prefere responder que continua a apostar num consumidor que é “exigente e selectivo”, que gosta de um” café de qualidade gourmet”.
O Life&Style participou no workshop a convite da Nespresso