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As curvas de Itália

Resposta à exclusão

À ordem de vestir, as raparigas despem os roupões. Nos cabides que lhes correspondem estão as roupas que passarão (três coordenados para cada uma) e um kit com um soutien - outra diferença em relação a outras passerelles; os soutiens podem marcar a roupa, pelo que, por norma, são dispensados. Aqui, fazem parte do vestuário de passerelle porque fazem parte do vestuário das mulheres.

Pintadas, penteadas e vestidas, as modelos seguem para o desfile que se chama Curve d'Italia.

Porque Elena Mirò quis responder à exclusão. Se o calendário oficial quer mostrar "os grandes" da moda italiana, então os criativos da sua marca iriam relembrar como tudo começou. E quem projectou a Itália como um país de moda? As mulheres. As mulheres morenas, curvilíneas e carnudas do cinema a preto e branco do pós-guerra. Sofia Loren, Gina Lollobrigida, Lucia Bosé, Ana Magnani. Na passerelle, mais do que uma colecção, desfilou uma atmosfera.

"A colecção é inspirada nas famosas capas de revistas italianas dos anos de 1940 e 50. Nessa época surgiu um novo ideal de beleza, que nasceu com as primeiras estrelas de cinema. Quisemos criar um equilíbrio entre a elegância natural das mulheres e a vitalidade, o desejo de alegria e o dinamismo da Itália dessa época", explica Elena Miroglio, acrescentando que, há 26 anos, quando a marca foi criada no grupo Miroglio, foi feito um trabalho de pesquisa sobre a forma de assentar da roupa em corpos que usam tamanhos grandes. "Esse trabalho é fundamental, as peças têm de ser muito bem cortadas, muito bem acabadas, têm de ter boas proporções e uma boa silhueta. Tudo isso permite que as peças plus size sejam bonitas."

A colecção para o Outono/ Inverno 2011/12 é muito glamorosa. As cores escolhidas são sóbrias mas vibrantes: azul-cobalto, cinza-pérola e fúscia. Os cortes são de inspiração alfaiate, ou seja, perfeitamente moldados ao corpo, o que permitiu obter vestidos muito elegantes e femininos, com saias ligeiramente abaixo do joelho e ornamentados com detalhes femininos como laços, renda e aplicações de strass. As calças de cintura subida e perna direita alongam a silhueta e os materiais usados (seda, por exemplo) permitem figuras bastante fluidas. A completar, sapatos stiletto e pregadeiras de brilhantes. A inspiração anos 50, que já esteve presente nas passerelles em estações passadas, vai portanto manter-se não só na Primavera/Verão mas estender-se ao Inverno.

Uma fatia de bolo

"A nossa mensagem" - prossegue Elena Miroglio - "é que este tipo de beleza feminina se vai ver cada vez mais. Aliás, já há sinais disso no cinema, na publicidade, nas revistas. Já vemos todo o tipo de corpos e não só os muito magros." As curvas, está convencida, vão ser a nova grande tendência na moda. "A maior parte da indústria está a sofrer um pouco devido à crise, ao dinamismo do consumo, e à dinâmica dos preços. Mas os tamanhos maiores estão a sair-se muito bem, é um mercado que está a aumentar", revela Elena Miroglio perante a persistência das perguntas sobre a opção de Mario Boselli.