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Empresas-cegonha

O Estado tem a responsabilidade de desenhar e implementar políticas públicas que conduzam a um aumento efectivo e urgente da taxa de natalidade portuguesa. Mas não é só ao Estado que cabe a condução da mudança. As empresas, por exemplo, têm também um papel muito importante a desempenhar a este nível. E, a meu ver, algumas fazem-no muito bem.

Há empresas que celebram e incentivam a natalidade e isso deixa-me confiante num futuro melhor. Conheci uma de perto e deixo-lhe aqui um elogio público, o qual também pode ser lido como um guia de boas práticas. Acredito que há outras empresas como esta em Portugal, eventualmente até mais proactivas nesta matéria, mas sei, todos nós sabemos, que há muitas outras que deixam bastante a desejar a este respeito.

Quanto à questão da parentalidade esta empresa comporta-se mais ou menos assim:

Celebra o nascimento dos filhos dos colaboradores através de uma comunicação interna que segue para todos, em jeito de parabéns à nova mãe ou pai.

Brinda os recém pais com um cabaz de produtos necessários aos primeiros cuidados com os bebés.

No Natal, para além de presentear os colaboradores, oferece também um atractivo presente a cada um dos seus filhos. Confesso que nesses momentos desejei ter uma extensa prole.

No dia da criança esta empresa organiza uma festa para as crianças e os filhos dos colaboradores são convidados a aparecer.

As regalias que compõem o pacote remuneratório dos colaboradores podem contemplar uma comparticipação na mensalidade do colégio dos filhos, bem como um seguro de saúde para os mesmos.

Estes são algumas das boas práticas que a meu ver criam um clima organizacional pró-natalidade. Para além destas medidas mais institucionais, foram vários os sinais que colhi no mesmo sentido. Vi colaboradoras grávidas serem promovidas e era habitual os pais levarem as crianças passar um dia ao escritório, por exemplo. Eu própria sofri na pele esta cultura pró-natalidade. Com alguma frequência, os meus superiores hierárquicos faziam uso do humor para ardilosamente insinuar que estava na altura de eu ser mãe, que o meu relógio biológico estava a dar horas e outros blá-blá-blás parecidos que me davam conforto para avançar com esse projecto.

Apesar do aumento do número de nascimentos, recentemente noticiado, ainda temos muito a fazer enquanto sociedade. As empresas podem seguir este caminho que irão, seguramente, na direcção certa!

Socióloga, autora do blog super-mulher