Luke MacGregor / Reuters

Peso & Medida

Abram portas ao exercício

Se em dias de chuva ou frio a conveniência de realizar exercício dentro de portas é óbvia, na maior parte do ano, em Portugal, é possível praticar desporto ao ar livre a um preço reduzido. Mas o custo não é a única vantagem do exercício em ambiente natural.

Estudos recentes sugerem que os benefícios específicos da prática de exercício a céu aberto não podem ser reproduzidos numa passadeira ou bicicleta estática. Quando comparado um dado exercício (como, por exemplo, a corrida na passadeira) em ambiente fechado com um seu semelhante ao ar livre, os participantes afirmam divertir-se mais no exercício ao ar livre e reportam maior vitalidade, bem-estar psicológico, entusiasmo, prazer, auto-estima e desejo de repetir a experiência. Bem como menor percepção de esforço, tensão e fadiga após o período de exercício.

Nesta linha, uma série de cinco estudos sugere mesmo que o simples contacto com os elementos naturais pode influenciar positivamente a vitalidade, independentemente da actividade física ou do contacto social associado. A vitalidade é um indicador importante do bem-estar subjectivo, geralmente definido como a percepção de energia física e mental, maior prontidão para a acção e maior entusiasmo e vivacidade.

Quem se exercita fora de portas tende a fazê-lo durante mais tempo e com maior frequência, estando este aumento relacionado com a redução do stress. Ambientes mais agradáveis ampliam estes benefícios, melhorando o estado de humor e a capacidade de lidar com os desafios diários. A este efeito podem ainda juntar-se outros não tão explorados, de natureza fisiológica.

Embora não se conheçam os mecanismos que estão na base desta diferença, parece que, após o exercício ao ar livre, os “atletas” apresentam menores níveis de cortisol, hormona relacionada com o stress, eventualmente devido à exposição à luz solar.

Em síntese, a combinação do exercício e do contacto com a natureza pode ajudar a combater o sedentarismo pois melhora a experiência subjectiva de quem o pratica, sendo este indicador um dos mais importantes preditores da consistência do comportamento ao longo do tempo. Já pensou qual é o seu “meio” preferido? Praia, campo, montanha ou cidade?

 

Fisiologista do exercício e Personal trainer
Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa

hpereira@fmh.utl.pt