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Peso & Medida

Demasiado stressado para fazer exercício?

Sob stress, os nossos recursos disponíveis tendem a diminuir, o sistema imunitário fica enfraquecido e a fadiga aumenta, o que resulta numa menor propensão para ser activo.

Nos dias de hoje a palavra stress é conhecida por todos e referida por adultos e até crianças como fazendo parte do seu quotidiano. O stress pode resultar de situações da rotina diária ou de acontecimentos de vida específicos. Ao pensamos nestes episódios, aqueles que surgem à cabeça da lista são os que têm uma carga negativa para a pessoa, como por exemplo uma doença, alteração no agregado familiar ou desemprego.

No entanto, se pensarmos em acontecimentos positivos, como o casamento, um nascimento ou uma mudança de emprego, facilmente nos apercebemos que estes podem também ser uma elevada fonte de stress. No fundo o que está em causa é uma percepção de desequilíbrio entre as exigências de uma determinada tarefa (valorizada pessoalmente) e as competências que a pessoa sente ter para lhe fazer face.

Muitas vezes o problema não está na fonte de stress mas nas diferentes estratégias que as pessoas utilizam para as gerir. Actividades como a meditação, relaxamento, exercício físico, procurar tempo para si próprio e buscas de espiritualidade podem ajudam a desencadear mecanismos que reduzem o stresse e promovem o bem-estar. No entanto, existem comportamentos que, embora produzam um alívio momentâneo, podem posteriormente gerar sentimentos negativos a muitos outros níveis, contribuindo assim para perpetuar níveis crónicos de stress. É o caso de comportamentos ligados a padrões alimentares desordenados, consumo de substâncias (álcool e tabaco, por exemplo), fazer compras de forma mais ou menos compulsiva ou o sedentarismo excessivo. 

Merece particular destaque o papel da actividade física pela sua acção na gestão do stress, diminuindo os seus efeitos fisiológicos e psicopatológicos e melhorando a saúde física e mental. A explicação para tal pode ser encontrada a diversos níveis que vão da diminuição hormonal de cortisol à menor reactividade a situações potencialmente stressantes, podendo também contribuir para a alteração de certos comportamentos prejudiciais para a saúde, como a adopção de um estilo alimentar saudável e diminuição do consumo de tabaco no caso dos fumadores. Para que estes efeitos se sintam, é importante que a actividade física tenha significado para a pessoa, permita que esta se sinta competente e que exista um relacionamento positivo com os outros participantes (no caso de existirem). As actividades de intensidade leve e moderada têm sido apontadas como potencialmente mais eficazes a este nível.         

No entanto, a actividade física é, também ela, uma das vítimas do stress. Quando sob stress, os nossos recursos disponíveis tendem a diminuir, o sistema imunitário fica enfraquecido e a fadiga aumenta, o que resulta numa menor propensão para ser activo. Além desta fadiga física, podem surgir afectos negativos que diminuem a motivação da pessoa para se envolver num estilo de vida mais activo. Quando debaixo da nuvem do stress, temos ainda menor capacidade de desfrutar das situações que nos dão prazer e alegria, fazendo lembrar o senhor muito sério do livro Pequeno Príncipe: “Tenho falta de exercício. Não me chega o tempo para passear. Eu cá sou uma pessoa séria.”

 

Madalena Mascarenhas,
Psicóloga e Mestre em Exercício e Bem-estar
Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa