Peso&Medida
Tecnologia para queimar calorias
Já pensou de que forma a tecnologia lhe pode devolver a actividade física e a saúde que lhe foi roubando a cada avanço? Se a modernização das rotinas nos atirou para um quotidiano mais sedentário porque não tirar partido desses mesmos avanços para nos mantermos activos?
Os avanços tecnológicos trouxeram marcadas reduções na exigência física do quotidiano e no contacto com a natureza. A humanidade está progressivamente mais sedentária, com toda uma série de malefícios associados a essa economia energética. Curioso é verificar que a mesma tecnologia que nos “roubou” a necessidade de movimento, volta-se agora para a promoção da actividade física.
A literatura sugere que pedómetros, acelerómetros, videojogos e aplicações de smartphone podem ser usadas para aumentar o dispêndio de energia corporal com a actividade física, recorrendo a estratégias de auto-monitorização, feedback e envolvimento social.
O pedómetro é um aparelho simples, prático e pouco dispendioso, que permite monitorizar a actividade física através da contagem dos passos dados, da medição da distância percorrida e do cálculo das calorias despendidas durante uma caminhada ou jogging. O acelerómetro é outro instrumento válido para a avaliação da actividade física habitual em termos de intensidade, frequência e duração e apresenta vantagens relativamente ao pedómetro, já que mede as deslocações em vários planos. Tem sido recomendado que cada pessoa efectue mais de 10.000 passos por dia, mas hoje considera-se que valores superiores a 7.500 passos são aceitáveis e positivos para a saúde.
Dois dos maiores “opositores” da actividade física são a televisão e as consolas de jogos. Para fazer face a este desafio, os fabricantes iniciaram a produção de jogos de vídeos activos em que os jogadores interagem pelo movimento. O divertimento proporcionado pela actividade parece aumentar a adesão a este comportamento de actividade física, aumentando o dispêndio energético.
Recentemente disponível no mercado, encontra-se um novo tipo de jogo de vídeo activo, com GPS para o smartphone, que pode ser jogado ao ar livre. Estas experiências incluem geocoaching e caça ao tesouro virtual, com possibilidade de incluir vários jogadores, o que acentua a componente relacional do jogo, aumentando o envolvimento dos participantes.
A generalização dos smartphones e a sua utilização na procura de informação relacionada com a saúde pode igualmente ser um excelente aliado na promoção de actividade física. Em Janeiro de 2013 havia mais de um milhão de aplicações entre as várias plataformas, estando 17,000 relacionadas com actividade física e saúde. Na lista das 64 melhores aplicações de fitness de 2013 podemos encontrar planos de treino, diário de registo e feedback, programas de treino de corrida, componente social, relógios e temporizadores, informação médica e de gestão do peso entre outras. A velocidade de produção de conteúdos para estas plataformas e a formação diversa de quem as desenvolve atrai os amantes da novidade, mas afasta muitas vezes as suas avaliações e o conhecimento baseado na ciência, pelo que se aconselha espírito critico na consulta das mesmas.
Pode-se ainda assistir a uma crescente oferta de gadgets, como o fitbit, o LIT ou o mybasis que monitorizam a actividade física, o consumo calórico e até a qualidade do sono e o metabolismo, através da temperatura corporal. Estes pequenos aparelhos devem acompanhar sempre o seu utilizador. Colocam-se na cintura, pulso ou braço e encontram-se ligados à Internet, registando os dados automaticamente para futura consulta e/ou divulgação nas redes sociais.
Os gadgets não farão o exercício físico por si, mas podem ajudar a tornar a experiência de o fazer mais interessante, divertida e fácil de encaixar no dia-a-dia.
Fisiologista do exercício e Personal trainer
Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa
hpereira@fmh.utl.pt