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Qual a cor da sua motivação?

Motivação. Para cada tarefa que se imagine, há quem tenha muita, pouca ou nenhuma. Mas para adivinhar quem a vai realizar é preciso fazer algo a que não estamos habituados: avaliar não quanta motivação a pessoa tem, mas que tipo de motivação lá está. Quais as cores que ela reflete.

Nos manuais, motivação define-se em duas palavras: direcção e energia. Direção é o destino e a razão de ser da motivação. Agir para quê, com que finalidade? Por exemplo, está motivado para cozinhar hoje o jantar? Mas para agir é preciso energia. Motivação (que deriva do latim movere) é intenção em acção e sem energia nada se faz. Ou cozinha.

Mais importante, avaliar os diferentes tipos (as cores) da motivação ajuda-nos a perceber três aspectos que fazem toda a diferença. Eles explicam a qualidade do que fazemos, a persistência das nossas acções e também como nos sentimos ao fazê-las. No nosso exemplo, ajudam a perceber não quem vai hoje fazer o jantar, mas quem vai tornar-se o chef da casa. Por vontade própria. E com um sorriso nos lábios!

Preto: “Não ligo nada a comida. Cozinho porque tem de ser mas se vivesse sozinho não cozinhava... A minha cara-metade chega tarde e a Lara tem de comer... Se gosto? Nem por isso, mas já ganhei o jeito com tanto treino. É preciso ser feito e realmente pouco importa se gosto ou não gosto. Cozinho e pronto.”

Castanho: “Cozinhar é um stress diário e às vezes já não sei o que mais inventar... Mas é minha responsabilidade alimentar a família. Acho que herdei isto da minha mãe, que Deus a tenha. O meu mais velho diz que faz ele o jantar se eu quiser, mas acabo sempre por fazê-lo eu. Não me sinto bem de outra maneira.”

Amarelo: “Não sou um chef, mas é a minha tarefa principal em casa. E as compras também! Escolhi que fosse assim. Não era grande coisa, mas aprendi e agora até consulto livros de nutrição. Planeia-se a coisa ao Domingo, monitoriza-se a dispensa, e, geralmente, corre bem. As refeições são importantes lá em casa e agrada-me ser eu a tratar disso.”

Branco: “Em criança, ajudava sempre a minha avó na cozinha. Aprendi muito com ela e hoje sinto-me bem a cozinhar. Não o faço todos os dias, apenas quando me apetece. Nesses dias deixo a coisa fluir, sem pensar muito e dá-me um gozo especial preparar algo que nunca ninguém preparou. É um bocadinho de mim que ali fica em cima da mesa.”

Para a mesma tarefa, quem está mais motivado? Não é fácil dizer. E quem se sente mais capaz de “dar conta do recado”? Também não é fácil distinguir. Por vezes confundimos motivação com autoconfiança, mas as diferenças são óbvias:

- Nas cores escuras, a energia vem de fora para dentro. Pelo contrário, nas claras a motivação tem o “centro de gravidade” interno;

- Nas cores escuras predomina o dever, a força de vontade, a disciplina, enquanto a flexibilidade e a tranquilidade, sem cansaço aparente, caracteriza as claras;

- Nas cores escuras uma parte quer, outra não quer (ou não tem a certeza), mas nas claras, não há ambivalência;

- Nas cores escuras tomou-se uma decisão, nas claras exerceu-se uma escolha. Parece o mesmo mas não é.

Tudo isto importa porque, em áreas como a saúde, a educação, nas organizações e mesmo nas relações pessoais, é cada vez mais consensual que as cores da motivação (os seus elementos qualitativos) são um factor determinante para prever a mobilização e a persistência com que encaramos as nossa tarefas. E também para a criatividade, para a produtividade e para o bem-estar associado.