Reuters/Christian Hartmann

Ir para a universidade

Há algum tempo que o meu filho de 16 anos fala dos seus planos para quando terminar o secundário. Todos na minha família têm no mínimo a licenciatura, pelo que assumi que também ele iria para a universidade. No entanto, à medida que discutimos o futuro dele, torna-se claro que o ensino superior não está no horizonte. Estou a tentar encorajá-lo a, pelo menos, fazer alguma pesquisa sobre programas de bolsas e a enviar umas quantas candidaturas, mas ele acha que não vale a pena.

Muito importante – e a tendência é para ser cada vez mais. Dizem que os tradicionais quatro anos de faculdade não são para todos, e não se espera que sejam. Deixe-me começar com os argumentos pró-universidade:

Neste momento, quase 70% dos alunos que acabam o secundário nos EUA seguem para o ensino superior e a expectativa é de que esse número aumente à medida que a economia se torne mais global e dermos connosco a competir com profissionais altamente treinados de todo o mundo. À medida que sobem as qualificações exigidas pelo mercado de trabalho, os empregadores, que há uns anos ficariam contentes por poder contratar alguém acabado de sair do liceu, estão agora a exigir uma licenciatura.

Além disso, há uma correlação directa entre educação e rendimentos mais elevados. De acordo com o Bureau of Labor Statistics, o departamento norte-americano responsável pelas estatísticas relativas ao trabalho, um trabalhador em regime full-time com o ensino secundário ganha anualmente o equivalente a cerca de 25 mil euros. Se adicionarmos uma passagem pela universidade (não a licenciatura completa), o rendimento anual sobe até aos 27,5 mil euros. A grande diferença começa a sentir-se a partir do bacharelato, pois quem detém este título ganha mais de 41 mil euros por ano. Se este argumento não convence só por si, os licenciados em cursos de quatro anos têm o dobro das probabilidades de encontrar um emprego do que os que não completaram o ensino superior.  

Ok, agora vamos aos argumentos dos que acham que a universidade já não é o que era: 

Apesar de tudo o que ouvimos sobre as altas taxas de desemprego e o número de pessoas que desistiram de procurar emprego, metade dos empregadores norte-americanos têm vagas que não conseguem preencher, de acordo com o Talent Shortage Survey, o relatório anual do ManpowerGroup relativo a 2012. E os primeiros cinco da lista de dez vagas de empregos mais difíceis de preencher não requerem um curso universitário. Em vez disso, exigem habilidades manuais, como as de canalizadores e electricistas, mas também condutores de camiões, limousines e táxis, mecânicos e operadores de máquinas pesadas. 

Pode ter sonhado que o seu filho seria médico, advogado ou engenheiro, mas a universidade não é de forma alguma o único sítio para se obter formação. Na verdade, para algumas pessoas, poderá ser um desperdício de tempo e de dinheiro. A pergunta realmente importante é: quais são os interesses e talentos do seu filho?

Ele interessa-se por algumas das profissões que referi acima como tendo muitas vagas por preencher e que não requerem sequer um bacharelato, como pintor de construção civil, webdesigner, higienista oral, agente imobiliário, chef, carteiro ou bombeiro? Se sim, dar-lhe alguma formação específica irá definitivamente ajudá-lo a longo prazo. É por isso que lhe recomendo vivamente que ambos considerem escolas técnicas ou mais dirigidas para as necessidades do mercado de trabalho e que o ajudem a desenvolver os seus interesses e aptidões. 

Pode pensar também numa carreira militar que, frequentemente, oferece algum do melhor treino do mundo – e paga-lhe para aprender. Na maioria dos casos, os cursos militares focam a aquisição de conhecimento necessário para desenvolver determinado trabalho ou profissão. O que é muito diferente do que acontece numa formação universitária. 

Quer o seu filho siga a via universitária ou não, o mais importante é que ele continue a aprender e a desenvolver capacidades. Muitos dos empregos que serão essenciais daqui a alguns anos provavelmente nem sequer existem hoje.

 

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service

Texto alterado às 17h10, de 25 de Janeiro, de modo a retirar a referência a enfermeiros, uma profissão que tem um enquadramento e exigências nos EUA que diferem das da realidade portuguesa.