Reuters/Brian Snyder

O divórcio explicado às crianças

Eu e a minha mulher vamos divorciar-nos. Temos dois filhos, uma menina de três anos e um menino de sete. Como é que lhes explico que o facto de nos estarmos a separar não tem nada que ver com eles?

Um divórcio nunca é agradável para ninguém. Mesmo que acabe por ser algo positivo a longo prazo para os adultos, é muitas vezes devastador para as crianças. De certo modo, é o fim do mundo deles. Ainda assim, é óptimo que esteja a pensar nos seus filhos e a pô-los em primeiro lugar. Seguem alguns conselhos para lhes dar a notícia:

Encontre um espaço grande de tempo livre na sua agenda de modo a que os miúdos possam ter a possibilidade de reagir e fazer perguntas. Não há timings perfeitos para este tipo de conversa, mas será de evitar tê-la imediatamente antes da hora de ir dormir, no carro, a caminho da creche ou da escola, ou antes de a sua mulher sair de casa para o trabalho.

Se você e a sua mulher ainda estiverem a tentar resolver a situação, NÃO diga aos seus filhos que estão a pensar em divorciar-se. Só irá assustá-los.

Sejam uma equipa. Não interessa quem é que deu início ao processo de divórcio ou quais foram as circunstâncias que vos trouxeram até aqui: você e a sua mulher são ambos responsáveis por dar as más notícias aos vossos filhos.

Criem um guião. Este não é o tipo de conversa que se tenha recorrendo ao improviso. Em vez disso, discutam com antecedência o que vão dizer e como. As regras-base são simples: ninguém irá culpar o outro pelo que está a acontecer, não vão discutir nem tentar que as crianças escolham um partido. Se não estão dispostos a estar na mesma sala ao mesmo tempo, cheguem a acordo quanto a ter conversas separadas com os vossos filhos que se pautem por estas regras.

Perceba que o que você diz e aquilo que os seus filhos ouvem podem ser coisas diferentes. A maior parte das crianças pequenas (e também algumas das mais velhas) irá culpar-se pelo divórcio. É muito importante pôr esta ideia de parte o mais cedo possível, dizendo-lhes directamente que a separação não tem nada que ver com eles e que se trata de algo que foi decidido por ambos os pais.  

As crianças são criaturas muito egocêntricas. O que querem realmente saber é de que modo é que a vida delas vai mudar. Certifique-se por isso que percebem que, apesar de se ir separar da mãe deles, nenhum dos dois vai deixar de os amar, que vão continuar a passar muito tempo com cada um dos pais e que estarão sempre lá para os apoiar.

Depois desta conversa inicial, o seu trabalho está longe de estar terminado. Isto é o que você precisa de saber para ultrapassar a situação.

Liberte a sua agenda. Os seus filhos vão demorar algum tempo a processar o que se está a passar – e vão precisar de doses extra de tempo e atenção. Esteja preparado para responder às mesmas perguntas muitas vezes.   

Dentro do possível, mantenha intactas as rotinas deles (escola, amigos, actividades).

Não use os miúdos para espiar a sua ex-mulher ou para lhe passar mensagens. E nunca fale mal dela à frente deles. 

Seja honesto. Não faz mal mostrar aos seus filhos que está triste por causa da separação. Mas não os ponha numa situação em que sintam que devem confortá-lo. Confortá-los é o seu trabalho.

Fale com o professor, com a ama e os pais dos amigos deles e ponha-os a par do que se está a passar. Peça-lhes que falem consigo se se aperceberem de algo de diferente no comportamento dos miúdos.

Se sentir que não consegue lidar com a situação ou que as crianças estão a ter muita dificuldade em lidar com ela, encontre um terapeuta que possa ajudar a sua mulher, os seus filhos e você próprio, em conjunto.

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service