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Prioridades vs. Responsabilidades

Depois de estar quatro anos a estudar na universidade, o nosso filho voltou para casa e está a ter dificuldades em orientar-se. Entre a escola, o emprego e a namorada, não passa muito tempo em casa e o meu marido está sempre à espere que ele o ajude com o quintal. Apesar de ter um emprego, por vezes pede-nos dinheiro e depois não cumpre com a sua parte do acordo. Isto gera muitos conflitos com o pai, que fica chateado e me faz queixas. O que devo fazer?

Enquanto pais, todos esperamos que os nossos filhos cresçam, mudem de casa e tenham uma vida cheia de sucesso. Amamos os nossos filhos e fazemos tudo o que estiver ao nosso alcance para os ajudar durante a infância e adolescência, mas a partir de certa altura eles precisam de ser independentes. Certo? Infelizmente, a crise tornou as coisas muito duras para os jovens à procura de um emprego que pague o suficiente para que consigam viver por conta própria. É por isso que precisamos de ser flexíveis.

Olhemos para as coisas do ponto de vista do seu marido. Se o vosso filho concordou em tratar do quintal em troca de voltar para casa, então o seu marido tem razão. Parte de ser adulto é aprender a honrar obrigações e responsabilidades. Se ele não consegue, ou não o quer fazer, vai passar um mau bocado quando voltar a sair de casa. Daí que seja tão importante que o tratem como um adulto.

Claro que, do ponto de vista do vosso filho, as coisas são muito diferentes. Ele trabalha, estuda, namora e tudo isso lhe ocupa tempo. E, se quase nunca está por casa, não deve sentir o impulso para acrescentar as tarefas domésticas à lista de coisas para fazer. Ainda por cima, a relva não está assim com tão mau aspecto – pelo menos na opinião dele.

Pai e filho vão ter de chegar a um compromisso. Por um lado, o vosso filho tem de começar a cumprir a parte dele – ou sentar-se com o pai e renegociar o acordo. Mas, dado que até agora ele não tem cumprido a sua palavra, eu ficaria surpreendido se o seu marido concordasse em mudar os termos até ver um sinal de boa-fé. Eu não o faria.

Por outro lado, o seu marido precisa de relaxar um pouco. O vosso filho já está muito ocupado e tem um emprego, o que mostra que está a fazer um esforço e que não é completamente desleixado. Em vez de deixar as coisas abertas com pedidos como “trata da relva”, dar-lhe prazos específicos como “tens até segunda-feira de manhã para limpar o quintal” pode ajudar.

O truque é fazer com que ambos conversem abertamente e estejam dispostos a ceder. Como cada um deles acha que está certo, é muito provável que façam precisamente o contrário. É aí que você entra.

Antes de começarem a conversa, pai e filho têm de concordar que você será a juíza e que a palavra final é sua. Esta não é uma posição fácil para se estar, provavelmente vai ser acusada pelos dois de estar a tomar o partido do outro (o que, regra geral, é um bom indicador de que está a desempenhar bem o seu papel).

Encoraje-os a ouvirem-se mutuamente e certifique-se de que cada um compreende a posição do outro. Isso pode ser suficiente para os fazer baixar as defesas. Se não for, cabe-lhe a si ditar as regras.

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service