Reuters/Claro Cortes

O filho único

As pessoas estão sempre a perguntar-nos quando é que vamos ter mais filhos. A verdade é que temos um e não estamos a pensar em ter mais. Como devo lidar com este interrogatório constante?

É muito comum fazer-se perguntas sobre filhos, sobretudo quando se está a conhecer pessoas novas. Estão na mesma linha de “Onde é que trabalha?”- a maioria das pessoas não o faz por mal. É uma forma de dizermos “Está tudo bem?” quando na verdade não queremos ter uma discussão sobre dores de costas ou joanetes. A diferença está no facto de que perguntas sobre filhos muitas vezes dão origem a discussões.

Infelizmente, há muitas pessoas que se sentem no direito de se pronunciar sobre o tamanho de uma família. Sinceramente, nunca fui capaz de perceber porque é que tantas pessoas se sentem incomodadas por famílias só com um filho. Penso que o “típico” modelo composto por pai, mãe, 2,5 crianças, cão e peixinho vermelho está tão profundamente enraizado que tudo o que lhe fique aquém parece mau (ainda que substituir o cão por um gato ou o peixinho vermelho por um hamster seja OK).

Se não está a pensar ter mais filhos, deixe isso bem claro. Em princípio, pelo menos essa pessoa não lhe fará novamente a mesma pergunta. Parece-me que discutiu a questão com o seu marido e que juntos chegaram a uma decisão. Se quiser dar uma explicação, força, mas não sinta que tem de justificar a vossa posição – especialmente se as razões forem muito pessoais.

Contudo, poderá haver leitores que estejam indecisos quanto à questão de ter ou não mais filhos. A esses gostaria de dizer que uma resposta directa continua a ser a melhor postura. Algo tão simples como: “Ainda não decidimos”. Claro que algumas pessoas mais agressivas poderão ver aqui um desafio e sair-se com algo na linha de “Não estás a ficar mais novo…” ou algum disparate como “Dois anos e seis meses é o intervalo ideal entre filhos”.

Quando estamos a lidar com pessoas insensíveis a limites, é difícil aguentarmo-nos e não gritar “Mete-te na porcaria da tua vida!”. Ainda que uma reacção destas pusesse um termo imediato à conversa, o melhor é que antes tente uma resposta firme: “É uma decisão complicada e estamos a debate-la em privado”. Se mesmo assim não perceberem a dica, simplesmente afaste-se.

Lidar com a família poderá ser um desafio ainda maior já que, frequentemente, os familiares sentem que têm o direito de se meter na questão. Na cabeça deles, por se tratar de um assunto que lhes interessa, acham que podem meter-se à vontade. Mas, ao contrário dos desconhecidos, os seus familiares muito provavelmente têm o seu número de telefone. Comece por isso com as tácticas de resposta que temos vindo a discutir, mas, se a determinado ponto sentir que já esgotou o que tem para dizer não receie sair-se com um “Obrigado pela opinião, mas não vou discutir isto contigo, nem agora nem nunca” (a parte do ‘obrigado’ é opcional, especialmente se tiver de o repetir duas ou três vezes).

Já pôs a hipótese de participar – ou começar – um grupo de pais que tenham apenas um filho? Passar tempo com outras famílias que tenham ideias semelhantes às suas no que diz respeito ao tamanho do núcleo familiar dar-lhe-á um apoio importante. É muito reconfortante saber que não está sozinho. Também poderá querer passar os olhos pela Only Child, uma revista especializada a questões familiares do género da sua. De acordo com esta revista, há 20 milhões de lares com apenas um filho nos EUA, e a tendência é para que o número continue a aumentar. Outro bom recurso é o livro de Bill McKibben, Maybe One. Poderá encontrá-lo aqui.

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service