Reuters/Issei Kato

Limpar o meu quarto? Ok. Mas só se me pagarem

A minha mulher e eu temos opiniões muito diferentes sobre "subornar" os nossos filhos. Ela quer recompensa-los por tudo o que fazem, desde tirar boas notas a arrumar o quarto. As recompensas podem ser dinheiro, um brinquedo especial ou outras coisas. Já eu acho que as crianças devem aprender que um feito, como tirar boas notas, é uma recompensa por si só. Qual é a sua opinião?

Lamento dizê-lo mas aqui não existe certo e errado. Importante é esclarecer bem a diferença entre subornar e recompensar as crianças. Apesar de poderem ter resultados muito parecidos, existem aspectos que as distinguem.

De um modo geral, os subornos são de curta duração, são acordos únicos feitos para acabar com um comportamento negativo específico. Na maioria das vezes funcionam, mas não durante muito tempo. Sim, prometer um gelado pode acabar com a birra no corredor do supermercado - pelo menos dessa vez -, mas cria uma situação em que se invertem os poderes do adulto para a criança. Esta sabe que sempre que quiser uma recompensa só tem de envergonhar os pais em público. E quem sabe, talvez na próxima vez ela exija um gelado e ainda um chocolate. É possível que a criança se comece a habituar a receber uma recompensa por tudo e a última coisa que queremos fazer enquanto pais é alimentar nos nossos filhos um sentido de direito muito carregado.

As recompensas, por outro lado, são incentivos a longo prazo para gerar (ou manter) bons comportamentos. Por exemplo, uma recompensa pode ser algo como o acordo que tenho com a minha filha de nove anos. Digo-lhe: ‘Quando te for buscar à escola, podes usar o meu iPhone, mas só depois de passares cinco minutos a contar-me como foi o teu dia’. Se a conversa do “como foi a escola” costumava durar 12 segundos, agora mal consigo que ela pare de falar depois dos cinco minutos.

De vez em quando, todos subornamos os nossos filhos. Mas o nosso objectivo deve ser mudar para um sistema baseado em recompensas, em vez de castigos. Vou explicar como:

- Identifique a moeda de troca. O que é que vai motivar o vosso filho? Será dinheiro? Tempo extra na Xbox? Comida? Ir para a cama mais tarde? Um passeio especial com a mãe ou o pai?

- Elogios. Aquilo que as crianças mais querem é atenção e elogios dos pais. Na verdade, este é um processo de dois passos. Primeiro, é preciso definir expectativas: “Quando praticas desporto, espero que dês tudo por tudo para ajudar a tua equipa”. A parte dos elogios vem depois: “Estou muito orgulhoso do modo como jogaste. Estás mesmo a trabalhar no duro!”

Concentre-se em comportamentos contínuos em vez de conquistas singulares. Assim, em vez de lhe dar uma prenda por ganhar uma corrida, recompense-o por ir a todos os treinos e quebrar recordes pessoais (quer ganhem uma medalha ou não). Não o recompense por tirar nota máxima a tudo, mas sim por fazer os deveres de casa todas as noites e entregar os trabalhos escolares a tempo. É claro que deve reconhecer mérito às notas da escola, especialmente se têm vindo a melhorar ao longo do tempo, mas funciona melhor elogiar e reconhecer esforço do que tentar orientá-las apenas para objectivos específicos.

Crie um sistema. Quanto mais simples, melhor. Quantas mais crianças envolvidas a definir espectativas e recompensas, melhor. Espreite o My Job Chart, um site que permite a pais e filhos combinar tarefas e acompanhar os desenvolvimentos.