REUTERS/Bernardo Montoya

Como dizer não

Desde que minha filha fez 13 anos que só sabe pressionar-me a mim e à minha mulher para que lhe compremos roupa demasiado cara. Estamos a passar por um período financeiro difícil, pelo que não existe nenhuma forma de lhe podermos dar aquilo que ela nos pede. Algum conselho?

Claramente, é a sua primeira filha adolescente. Eu sobrevivi à fase em que as minhas duas filhas mais velhas passaram pela loucura do guarda-roupa sem perder o cabelo. A minha filha mais nova idolatra as irmãs e, aparentemente, estava a tirar notas quando elas eram adolescentes, está a tornar-se numa adolescente com ideias muito firmes no que a roupa diz respeito.

O facto de a sua filha estar a pedir - ou a exigir - roupas de marca é um bom indicador de que ela está a sentir-se pressionada para se integrar na escola. Uma vez que todo o processo de pressão dos amigos já foi iniciado, não vai demorar muito até que passe noites em branco a preocupar-se com a possibilidade de, um dia, ela aparecer-lhe à porta sentada na parte de trás de uma Harley Davidson, grávida, a fumar, com uma tatuagem e um piercing na língua. Imagens como esta a pairar sobre a minha cabeça fizeram com que perdesse muitas noites de sono. 

É muito pouco provável que se vire para a sua filha e lhe pergunte: “Querida, as pessoas que estão a pressionar-te para vestires roupa cara também te sugerem que fumes marijuana?”. Mas existem outras formas de abordar o assunto. Explique-lhe que, mesmo que hoje em dia pareça que integrar-se no grupo de amigos é a coisa mais importante do mundo, vai chegar a altura em que ela terá de deixar para trás o “rebanho” e destacar-se individualmente. Porém, quando estiver a conversar com a sua filha, lembre-se dos tempos em que os seus pais tentaram ter conversas semelhantes consigo. Vai ter de ser persistente. E não se esqueça que a pressão dos amigos, apesar de subtil, é muito poderosa.

Depois desta conversa, existem algumas coisas que pode fazer para deixar a sua filha feliz. Ofereça-se para a ajudar a encontrar formas mais baratas de adquirir o guarda-roupa que a vai manter longe da marginalização social e que o vai manter, a si, livre de dívidas e de uma adolescente mal-humorada. Diga à sua filha para ir à Internet em busca de lojas de artigos em segunda mão ou para procurar no Ebay ou noutros sites especializados.

Outra coisa que pode fazer é calcular quanto dinheiro gastaria em roupa para a sua filha durante um ano e dar-lhe uma décima segunda parte desse valor todos os meses (se a sua estimativa é de 600 euros por ano, isso equivale a 50 euros por mês). Deixe-a gastar a mesada como quiser. Ela até pode poupar durante alguns meses para comprar uma peça mais cara. Mas seja firme! Nunca a deixe gastar mais do que o valor da mesada e nunca lhe faça um adiantamento. Esta é uma boa forma de a ensinar a gerir as contas.

Finalmente, apesar de a sua filha ainda ser muito nova para arranjar um emprego em part-time, já tem idade suficiente para começar a ganhar algum dinheiro. Pode pagar-lhe para fazer pequenas tarefas em casa ou pode sugerir-lhe que faça babysitting. Perceber a quantidade de trabalho que ela precisaria de realizar para poder pagar os seus desejos de fashionista pode ajudar a sua filha a resistir à pressão dos outros adolescentes. 

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service