Miúdos&Dinheiro

Como posso ensinar ao meu filho o que é o dinheiro e como usá-lo?

Quando a minha filha mais velha - agora com 22 - tinha cerca de um ano de idade levei-a à FAO Schwartz, uma loja de brinquedos em Nova Iorque, pensando que se iria deslumbrar no meio de tantos brinquedos e peluches. Mas tirasse eu o que tirasse das prateleiras, ela interessava-se sempre mais pelas etiquetas com o preço do que pelos próprios brinquedos. Doze ou 13 anos mais tarde, ela continuava obcecada com os preços, poupando na mesada para comprar jeans de 150 dólares (eu compro as minhas na Costco por 12 dólares e elas assentam na perfeição, obrigado). Ao longo de todos estes anos, não consigo contar o número de vezes em que quando estávamos juntos numa loja eu lhe dizia “ Não querida, não quero comprar isso agora,” ela voltava-se e dizia “Papá, não podes só tirar o dinheiro de uma dessas máquinas?”

Por vezes era divertido – a inocência da infância-, mas noutras ocasiões tornava-se um pouco assustador: como explicar-lhe o que é o dinheiro e de onde vem? Com o passar do tempo, tentei ensinar aos meus três filhos o que era o dinheiro: juros, impostos, taxas, poupanças e solidariedade. Mas, segundo um estudo de T. Rowe Price, a minha família faz parte de uma pequena minoria. De acordo com o resultado dos inquéritos, 77% dos pais dizem que nem sempre são honestos com os filhos no que respeita a temas relacionados com dinheiro e 15% mentem aos filhos sobre estas questões pelo menos uma vez por semana. Ainda 43% dos pais não admitem diante dos filhos o quanto se preocupam com dinheiro, sendo que um em cada três alega pobreza – dizem aos filhos que não podem pagar nada, quando na verdade podem – e 25% dos pais foge à conversa quando o assunto é a situação financeira da família.

Provavelmente já ouviu dizer que a maioria das pessoas tem mais receio de falar em público do que da própria morte. Sucede praticamente o mesmo quando o assunto é dinheiro: os pais preferem falar de drogas e tabaco do que de temas financeiros. De maneira geral, as discussões sobre dinheiro estão equiparadas a temas como o sexo e a puberdade.

O estudo indica que, ainda que 80% dos pais consideram estar preparados para falar acerca de metas financeiras, poupanças e gastos responsáveis, não conseguem efectivamente pôr as ideias em prática: apenas metade ensina os filhos a definir objectivos de poupança. Citando o estudo, “46% está a ensinar coisas como equilíbrio entre gastos e poupanças e só uma pequena parte fala em inflação (19%), investimento (16%), diversificação (11%), e alocação de activos (8%)”. Mais assustador ainda é o facto de estes valores reflectirem a realidade dos adultos, uma vez que o número de pais que desconhecem estes conceitos é praticamente o mesmo.

Ah, e nós somos horrivelmente pessimistas. O estudo revela ainda que “existem mais pais que acham que é possível descobrir a cura para o cancro ou que haja vida noutros planetas do que os que acreditam que a Segurança Social, na sua forma actual, estará funcional quando os seus filhos se aposentarem”.

Ideia-chave: se não sabe o suficiente sobre dinheiro e finanças, aprenda. Há toneladas de bons livros por aí. E, quando já souber algo de mais substancial sobre o assunto, comece a ensinar os seus filhos. Se não o fizer, vai acabar por ter uma conversa como a que um pai entrevistado para a pesquisa teve: “A minha filha de seis anos disse-me assim no outro dia: ‘Pai, eu quero um cartão de crédito.’ E eu disse, ‘O quê? Mas para que é que tu queres um cartão de crédito?’ E ela respondeu, ‘Porque tu tens um cartão de crédito e podes entrar numa loja e comprar o que quiseres.’”

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service