Obesidade infantil

Praticamente todos os dias surgem notícias preocupantes sobre a obesidade infantil e as consequências que daí advêm, como a diabetes. Aquilo de que raramente se ouve falar é do que podemos fazer para lidar com o problema. Não acho que textos que fiquem pelo “coma menos e faça mais exercício” sejam particularmente úteis. Poderia sugerir algumas dicas mais específicas para tornar os meus filhos mais saudáveis?

Com certeza. Antes de começarmos, porém, gostaria que mudasse um pouco a forma como aborda a questão. No fundo, não se trata de pensar em formas de “tornar os meus filhos mais saudáveis”, mas sim de “tornarmo-nos uma família mais saudável”. Estou certo de que, noutras situações, já prestou atenção ao facto de que as crianças estão mais atentas ao que fazemos, do que ao que dizemos. Assim, quando se trata de dieta e de exercício tem de ser o modelo do comportamento que está a incentivar.

 Quanto a nutrição, caso não esteja por dentro do assunto, saiba que a pirâmide dos alimentos está out e o MyPlate está in. A ideia é simples, todos nós - crianças e adultos - devemos comer mais frutas e legumes e reduzir um pouco a quantidade de proteínas, cereais e lacticínios que ingerimos. Uma vez que as porções dependem do sexo, peso, altura e níveis de actividade física de cada um, não deixe de visitar o site onde encontrará ferramentas que o ajudarão a calcular o que é aconselhável para si e para os seus filhos.

No que toca ao exercício físico, o realmente importante é que todos precisamos de o fazer mais. Mas definir “mais” é tão difícil quanto definir “uma boa nutrição”. Como referência, as crianças devem fazer diariamente cerca de uma hora de exercício. Já aos adultos é aconselhável que se exercitem todos os dias durante 30 minutos. Pensando especificamente em caminhadas, os adultos devem dar entre 8 500 a 10 000 passos por dia, enquanto o aconselhável para crianças deve oscilar entre os 10 000 e os 13 000 passos diários. Deixo aqui algumas ideias para tentar atingir estes objectivos:

 -Use a tecnologia como incentivo. Pode chamar-me de louco, mas penso que as frases feitas do tipo “diga não às tecnologias” são totalmente irrealistas. Na verdade, os nossos filhos precisam de ser entendidos em tecnologia para terem sucesso quando forem adultos. Dito isto, a moderação é fundamental, bem como criar compromissos entre o que eles querem e o que lhes faz bem. Len Saunders, autor de Kepping Kids Fit, sugere que as crianças possam ter tempo para desfrutarem do seu gadget preferido de acordo com o investimento que façam na prática de actividades físicas. Sugere ainda que, numa razão de 2 para 1, uma hora de exercício equivalha a meia hora para jogar Nintendo DS ou Wii. Pode ouvir uma entrevista feita por mim ao próprio Saunders aqui (procure por Saunders).

- Seja flexível. Os 10 000 passos, ou a hora de exercício, não têm que ser feitos de uma só vez. Com dez minutos aqui, mais 20 ali, vamos somando. Para além disso, os desportos de equipa não são para toda a gente. Por isso, incentive o seu filho a correr, saltar à corda, fazer flexões, abdominais, hula hoop ou fazer tesouras.

- Façam-no juntos. Pedómetros com funcionalidades especiais podem tornar as coisas mais divertidas. Os pedómetros normais controlam o número de passos dados ao longo do dia, sendo possível adicionar-lhes elementos de competição. Mas considere adquirir um Striiv. Este aparelho, um pedómetro muito especial, para além de fazer tudo o que um normal faz, gera desafios extra que incentivam a actividade física. E ainda contribui para causas de solidariedade social quando você ou o seu filho atingem as metas. Eu e o meu filho de oito anos temo-lo usado de há umas semanas para cá e as nossas caminhadas, corridas e passeios de bicicleta ganharam imenso.

- Utilize os intervalos televisivos. Se está a ver TV (outra coisa que devia fazer em família em vez de utilizar o Youtube como babysitter), faça um exercício diferente por cada intervalo.

- Levante a questão na escola. Recentemente, as instituições de ensino estão mais focadas nas notas e nos resultados de testes e muitas cortaram no tempo dedicado à educação física. Ironicamente, há uma clara ligação entre o exercício e o desempenho escolar: crianças que praticam mais exercício tendem a obter melhores resultados.

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service