Consequências do divórcio

A minha mulher e eu estamos a atravessar uma fase difícil no nosso casamento. Temos discutido o divórcio, mas estamos preocupados com o impacto que essa decisão poderá ter no nosso filho de seis meses. Até que ponto o divórcio o afectará?

É impossível prever quais serão os efeitos, uma vez que cada criança é diferente, e como tal, responde de forma particular às mudanças na sua vida. Dito isto, a grande maioria das crianças – bebés incluídos – é profundamente afectada pelo divórcio dos pais.

Embora no vosso caso o bebé tenha apenas seis meses, não entendendo sequer o que é o divórcio, as crianças pequenas têm uma capacidade fantástica de captar as emoções das pessoas que os rodeiam, especialmente as dos seus pais. Isto significa que ainda que não entendam o divórcio em si, o comportamento que dele resulta como consequência afecta o bebé. Por exemplo, nas casas onde existe muita tensão e discussões, o bebé tende a chorar mais e a tornar-se mais irrequieto ou ansioso. Quando há mau ambiente em casa, o divórcio pode ter um impacto positivo por implicar a separação de duas partes em conflito e um corte nos níveis de hostilidade.

Após o divórcio, o bebé continuará a apreender – e muitas vezes, a imitar – as emoções dos seus pais. Bebés que têm a mãe ou o pai deprimidos, frequentemente apresentam eles próprios uma aparência deprimida, um comportamento lento, patente por exemplo na falta de interesse em brincar, ou mesmo, na diminuição do apetite. Nestas crianças tende também a observar-se alguma perda de peso, problemas em dormir, passividade em relação a quem os rodeia, dificuldades em atingir determinados estágios de desenvolvimento, podendo até regredir (o que significa a perda de capacidades outrora dominadas).

Então, o que podemos fazer?

Bem, você já deu o primeiro passo em conjunto com a sua mulher ao colocar as necessidades do vosso bebé em primeiro lugar. O facto de estarem a agir como adultos, e de forma civilizada, é óptimo e vai facilitar os passos seguintes.

É fundamental que os pais falem acerca de horários e do tempo que cada um deverá passar diariamente com o filho. Os bebés não têm uma boa memória a longo prazo querendo isto dizer que não é boa ideia ficar mais do que um dia sem o visitar. 

É essencial compreender que as crianças querem e precisam de rotinas. Algumas são definidas pela própria criança, como o sono, a alimentação e o choro. Outras terão de ser impostas pelos pais, tais como preparar tudo aquilo de que ele necessita antes de dormir. Existe alguma discussão sobre se é melhor para os bebés dormir em casa de um dos pais, enquanto o outro apenas faz visitas durante o dia. No entanto, uma coisa é certa, os bebés são seres bastante flexíveis, que tendem a adaptar-se ao ambiente no qual estão inseridos – isto sempre que as suas necessidades são satisfeitas em ambos os lugares ou ambientes. Se a mãe está a amamentar, é imprescindível que veja o bebé todos os dias. Em todo o caso, não há nada que impeça a mãe de fornecer algum leite materno quando o bebé está em casa do pai. Se optar por dividir o tempo do bebé entre a cada da mãe e a do pai, certifique-se sempre que os objectos preferidos do bebé vão com ele (mantinhas, brinquedos, e tudo o mais).

O mais importante é certificar-se de que quando está com o bebé, está realmente com ele: abrace-o, leia-lhe histórias, brinque com ele, cante, não deixe de fora nenhuma das vossas actividades habituais. Aprenda a reconhecer os seus sinais e a compreender as suas necessidades. No entanto, não tente mantê-lo constantemente entretido, pois também precisa de momentos mais calmos. Cuide de si. Se estiver deprimido não conseguirá cuidar de forma eficaz do seu bebé.

Exclusivo Público / McClatchy-Tribune News Service