Novos criadores
Alexander Wang, o próximo gigante
Ainda não ouviu falar de Alexander Wang? Se não, esta será apenas a primeira de muitas. Favorito de estrelas e editores de moda, tem o espírito de Nova Iorque e da geração Y e preços mais acessíveis que os gigantes do sector. É a next big thing da moda global.
Ralph Lauren, Michael Kors e Marc Jacobs podem ser os nomes da moda norte-americana que reconhecemos instantaneamente. Mas quando se trata dos novos valores do sector, seguramente Alexander Wang está na lista. Com apenas 27 anos, é a superestrela reinante da Semana de Moda de Nova Iorque. Os seus desfiles estão carregados de celebridades e as festas pós-desfile são eventos imperdíveis. Tem um loft de 2 milhões de dólares no bairro de Tribeca, a sua colecção está em mais de 500 pontos de venda em todo o mundo e já chamou a atenção do maior grupo de luxo mundial, o Louis Vuitton Moet Hennessy (LVMH) - este ano, os rumores sobre a sucessão de John Galliano na casa Dior , um dos cargos mais importantes da moda mundial, chegaram a envolver o seu nome.
Em Setembro, na mais recente edição da Semana de Moda, as fãs e famosas Alicia Keys, Courtney Love e Lea Michele estavam na primeira fila do seu desfile, enquanto Amanda Hearst, Christina Ricci e Penn Badgley festejaram com ele com shots de gelatina, barris de cerveja e actuações dos Odd Future e de Tyler, the Creator.
Talvez mais do que qualquer outro designer americano no activo, Wang é um produto do seu tempo - cria colecções para uma geração que cresceu com a Internet, desportos radicais e imagética sexualmente sugestiva e para quem "nostalgia" significa o grunge dos anos 1990. "Gosto de energia e agitação e de absorver as coisas", disse Wang, no seu estúdio na Baixa de Manhattan. "Estou sempre a mandar SMS, a ver TV e a falar ao telefone, mesmo quando tenho amigos ao pé."
Tal como Tom Ford no seu período na Gucci, Wang reconhece o humor que há no mau gosto. Sandálias de salto stiletto com pára-lamas, blazers decorados com piercings de metal, calças de Lurex brilhantes e malas com tachas suficientes para fazer disparar a segurança nos aeroportos fazem parte da sua estética sexy com uma piscadela de olho. Mas Wang também desenha muitas peças vestíveis, como as calças de desporto de seda e os blazers de malha da sua linha de básicos T by Alexander Wang, ou os seus vestidos pára-quedas com estampados bucólicos da colecção Primavera 2012 que mostrou em Setembro na semana de moda.
Tensão passado-futuro
"Apesar de os seus desfiles serem muito direccionados e urbanos, as colecções são fáceis de traduzir", diz Ken Downing, director de moda dos armazéns Neiman Marcus. "Quer sejam vestidos sexy de jersey com bainhas irregulares, blusões de cabedal sobre peças desportivas ou vestidos femininos, ele é o tipo das peças must-have."
Os locais preferidos de Wang não são museus nem galerias, mas o departamento de drogaria do Kmart, a loja Paragon Sports, as lojas de decoração Home Depot e lojas de fetichismo. "Não desconsidero nada", diz o designer com o seu longo cabelo, face doce e o seu uniforme de T-shirt e calças de ganga a disfarçar a imagem dura e trashy da sua marca, que inclui roupa de homem, mulher e acessórios. "Se acho que algo é verdadeiramente feio, quero perceber porquê e brincar com isso. Quero desafiar-me e fazer isso resultar [em algo]."
De muitas maneiras, Wang representa a tensão entre passado e futuro na moda, entre um luxo vagaroso, mais rarefeito e artesanal e um luxo rápido, made in China e acessível. Os seus preços estão bem abaixo dos das colecções de outros designers - 182 dólares por um vestido em jersey, 315 dólares por uma maxisaia, 585 dólares por um vestido de seda e, no máximo, 3995 dólares por um poncho de pele e angorá da colecção de passerelle; e a sua mala best-seller, a Rocco, custa 875 dólares.
"Ele percebe o seu tempo e os seus contemporâneos", elogia a criadora Diane von Furstenberg, presidente do Council of Fashion Designers of America.
Wang lançou a sua linha em 2007, conseguindo chamar a atenção com desfiles cujo styling estava a cargo da modelo Erin Wasson. Inicialmente, as suas roupas transmitiam a ideia da "modelo à paisana" - calções de ganga rasgados sobre collants, T-shirts deslavadas e blusões de cabedal. As suas colecções tornaram-se mais sofisticadas com o tempo. O desfile de Primavera 2009, muito bem recebido, tinha uma vibração colorida e tingida de um espírito Miami Vice anos 1980, com influências desportivas e a emergência de um estilo mais revelador do corpo que se viria a tornar uma imagem de marca de Wang. "Enquanto crescia, o único desporto que praticava foi ténis, porque queria estar no country club", diz, rindo-se de si mesmo. "Mas gosto da ideia de pegar em algo de que sempre fui muito distante e descobrir mais sobre isso."
De ascendência taiwanesa, Wang nasceu e cresceu em São Francisco. Os seus pais representam a verdadeira história de sucesso à americana: trabalharam no sector dos serviços e acabaram como proprietários de um negócio de fabrico de plásticos. Na adolescência viveu com os dois irmãos mais velhos enquanto os pais relocalizaram a sua empresa na China. Wang frequentou a elegante Drew School, em São Francisco, e começou a fazer roupas aos 15 anos. O seu primeiro desfile foi no casamento do irmão Dennis, em 1999, hoje responsável pelo seu departamento financeiro, com a cunhada Aimie Wang, hoje também a trabalhar na direcção da marca.
Mudou-se para Nova Iorque e inscreveu-se na Parsons School of Design em 2002, mas rapidamente se impacientou, desejando experiência no mundo real. Desistiu do curso e começou a estagiar - na Marc Jacobs, nas revistas Teen Vogue e Vogue. Em 2004, já planeava a sua própria linha. "Estava a ajudar a escolher roupa para revistas, sabia o que procuravam e o que não conseguiam encontrar ao preço desejado." Em seis semanas, montou uma linha de camisolas de caxemira. Eram largas, andróginas, "boyfriend sweaters" com preços entre os 295 e os 500 dólares, um deles com o desenho frontal de uma rapariga a fumar. Wang saiu do seu primeiro desfile profissional com 80 encomendas.
"Queria que as peças tivessem a integridade de um produto de designer, mas que os meus amigos pudessem comprar. Há um desligamento entre aquilo que vêem e sobre que lêem nas revistas e o que podem comprar."
Foi aí que Wang viu uma oportunidade. E desde então não parou de evoluir, saltando a grande velocidade na passerelle quando faz a sua vénia no final de cada desfile.
Em Dezembro, Wang contratou Rodrigo Bazan, vindo da Marc Jacobs, para ser o primeiro presidente da sua empresa. Em Março, lançou um site de vendas e abriu a sua primeira boutique em Nova Iorque. No próximo ano deve abrir uma loja em Pequim e também planeia uma linha de acessórios para a casa.
"Agora, mais do que nunca, o mundo está a mudar. Não é só uma questão de ser designer. É ser uma pessoa criativa que pode supervisionar toda uma marca, até às lojas e às pessoas que vendem o produto", diz Wang.
Exclusivo Público/Los Angeles Times/ MCT Information Services
Texto originalmente publicado na revista Pública de 11 de Dezembro