O salmão é um dos peixes mais ricos em ómega-3
O salmão é um dos peixes mais ricos em ómega-3 Reuters

Nutrição

Sabe o que são os famosos ómega-3?

As gorduras (lípidos) dos alimentos podem classificar-se em saturadas, monoinsaturadas e polinsaturadas. Dentro desta última classe existem quatro famílias especiais, sendo uma das quais a dos ómega-3 (ou n-3).

Os efeitos benéficos para a saúde dos ómega-3 apenas se tornaram evidentes nos finais da década de 1970, quando se constatou a baixa prevalência de doença cardiovascular em populações de esquimós da costa oeste da Gronelândia. Nas observações originais, os investigadores relacionavam a reduzida frequência de doença coronária com o padrão alimentar, que se caracterizava pelo consumo diário de aproximadamente 400g de carne de foca, baleia ou peixe, e resultava numa ingestão média de 7g de gorduras ómega-3 (100 g de sardinhas podem ter cerca de 2g de ómega-3).

A descoberta, em 1979, de que depois de ingeridas as gorduras ómega-3 levavam à formação de alguns derivados metabólicos no nosso organismo que eram completamente distintos dos que se formavam quando consumíamos outro tipo de gorduras, estimulou o crescimento da investigação acerca das possibilidades de intervenção nutricional. Foi o início do estudo dos efeitos destas moléculas na saúde e, mais concretamente, nos sistemas cardiovascular e imunológico.

Muitas plantas marinhas, especialmente algas, são capazes de produzir ómega-3. É a formação destas gorduras pelas algas - e a sua transferência pela cadeia alimentar - que é responsável pela abundância de ómega-3 em alguns peixes. Contudo, os frutos oleaginosos ou gordos como nozes, amêndoas ou amendoins, podem também ser fonte de uma classe diferente de gordura ómega-3, com papel metabólico distinto das classes de ómega-3 que se encontram nos peixes, mas igualmente importante na prevenção de doenças crónicas.

Uma alimentação rica em ómega-3 pode favorecer a luta do nosso sistema imunológico e as populações com elevado consumo de peixe, como os esquimós da Gronelândia, têm menor frequência de alterações inflamatórias e melhores indicadores de saúde cardiovascular. Estas e outras observações levaram a um interesse crescente no uso de gordura ómega 3 como instrumento nutricional para o tratamento da artrite reumatóide, psoríase, asma e outras doenças em que os aspectos inflamatórios ou imunológicos são preponderantes, assim como na prevenção de doença cardiovascular.

Um dos componentes de gordura da família ómega-3, o ácido docosahexaenóico ou DHA, destaca-se também pela quantidade em que existe no cérebro e na retina. O DHA apresenta um papel fundamental nas membranas celulares, na edificação dos tecidos do sistema neurológico e é também muito importante para a função visual, prevenção de arritmia e morte por doença coronária. O aumento de DHA no cérebro da criança parece ocorrer durante o pico de crescimento cerebral correspondente ao terceiro trimestre de gravidez. Este rápido aumento de DHA nos tecidos neurais pode diminuir após o nascimento, mas continua significativo até aos dois anos de idade.

Para além do desenvolvimento neural, sugere-se que o DHA possa ser importante na função cognitiva. Como o organismo parece apresentar uma capacidade limitada para sintetizar os ómega-3 (um deles é mesmo um nutrimento essencial por ser impossível sintetizá-lo), tem-se salientado a importância de proporcionar um adequado aprovisionamento através dos alimentos, ingerindo frutos gordos, como nozes ou amêndoas, e peixes gordos pelo menos duas vezes por semana.