A sola vermelha é a imagem de marca dos modelos de calçado do francês de 54 anos
A sola vermelha é a imagem de marca dos modelos de calçado do francês de 54 anos Louboutin

Louboutin enfrenta polémica por pagamento a artesãs mexicanas

O modelo de malas Mexicaba da Louboutin, no valor de 1300 euros, foi feito por artesãs mexicanas. Inclui pedras preciosas e bordados. Mas, no melhor pano caiu a nódoa. Louboutin é acusado de pagar pouco.

Christian Louboutin é o desenhador de uma das marcas de sapatos mais conhecidas das passadeiras vermelhas. A sola vermelha é a imagem de marca dos modelos de calçado deste francês de 54 anos. A sua última colecção engloba uma linha de malas em homenagem às tradições mexicanas.

Vermelho, azul, laranja e verde. Bordados típicos e padrões étnicos. Louboutin foi, no início do mês de Maio, o protagonista da campanha de publicidade das malas coloridas. O estilista publicou nas redes sociais fotografias das artesãs mexicanas que bordaram as malas Mexicaba. A fotografia teve 29.000 gostos. O lançamento foi um sucesso. Até agora.

Dois meses depois, uma notícia diluiu o glamour das malas. O jornal El Universal, a 8 de Julho, avançava que a cada artesã foi atribuído o montante de 12 euros, por mala. A polémica instalou-se nas redes sociais e a imprensa mexicana revoltou-se contra a marca francesa.

O que se sabe é que as artesãs ganharam 12 euros por bordado e o custo das malas é 1300 euros.

Graciela Zavala, porta-voz da fundação Haciendas del Mundo Maya, organização que estabeleceu o vínculo entre Louboutin e as 150 artesãs de Yucatán, explica ao jornal El País que o desenhador se tinha comprometido a pagar 10% do valor das malas às artesãs para continuarem a praticar o ancestral artifício mexicano de bordar.

“Christian Louboutin encomendou 2000 bordados. Estiveram mais de 40 comunidades envolvidas no projecto. Cada bordado, dependendo da técnica, tinha o seu valor”, explicou Graciela Zavala. “A marca deu os materiais às artesãs e cada trabalhadora decidiu quantas peças queria e podia realizar”, afirmou a porta-voz ao El País.

Zavala iliba Louboutin de responsabilidades e diz ainda que as artesãs não eram responsáveis por manufacturar toda a mala. A grande parte do trabalho de produção do artigo foi realizado nas oficinas da marca francesa.

“Pertencemos à Organização Mundial do Comércio Justo, com isso garantimos que o que se paga é um valor correcto. O valor do trabalho obtém-se através de um cálculo da média entre o tempo de elaboração e a complexidade do trabalho”, afirma Zavala.

Calcular o valor de um trabalho artesanal e tradicional não é tarefa fácil. E quem o diz é Martina Zabala, coordenadora do programa de produtividade indígena em Maxcanú, um dos municípios que trabalharam na elaboração da malas.

 

Coolness!!! Louboutin "Mexicaba Tote"

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A coordenadora, em declarações ao El País, explica que a sua estimativa aponta para um pagamento médio dos bordados que vai desde os 25 euros até aos 38 euros, dependendo do tamanho e grau de dificuldade.

A verdade é que a mala está esgotada nas vendas online e as redes sociais estão inundadas de fotografias com a nova tendência: uma mala manufacturada por artesãs mexicanas. A marca ainda não comentou a polémica.