• As criadoras Alexandra Castro e Rute Marques
    As criadoras Alexandra Castro e Rute Marques Adriano Miranda
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As caras por trás das marcas

As sapatilhas com morangos da Friendly Fire são originais de Alexandra Castro e Rute Marques

Amigas desde pequenas, a nutricionista e a professora tornaram-se designers de calçado.

São amigas desde pequenas. Como tantos jovens que tiram os seus cursos e não é bem aquilo que querem fazer na vida, também Alexandra Castro e Rute Marques se encontravam numa encruzilhada e decidiram, mesmo sem formação na área, arriscar na indústria do calçado. Três anos depois, os seus sapatos coloridos, cheios de pedras ou com pompons chegam à Rússia e ao Médio Oriente.

Quando bateram à porta da fábrica Darita, em São Torcato, Guimarães, não foi com o intuito de procurar trabalho, mas sim de pedir para fazer três modelos de sapatilhas para criarem o seu site e vendê-los online. Na altura, os modelos que apresentaram já tinham as características por que as criativas são conhecidas. Então, em meados de 2015, as sapatilhas que estavam na moda eram as Stan Smith, o modelo da Adidas, e o que as duas amigas – Alexandra Castro, formada em Ensino Básico, e Rute Marques, em Nutrição – imaginaram foram umas sapatilhas que se “tornassem intemporais e ficassem bem em qualquer ocasião”, explica Alexandra. Foi assim que pensaram em acessórios que fossem amovíveis. “Na altura, em Portugal não havia nada assim…”, diz Alexandra. “Nem em lado nenhum!”, acrescenta Rute.

Foi esta a proposta que fizeram à fábrica. Esta “viu qualquer coisa na faísca dos nossos olhos”, continua Rute, e o desafio que foi proposto às duas amigas foi, em vez de três, 25 modelos e dois meses para os fazerem, para serem apresentados em Milão, onde decorre a maior feira de calçado. “Não tivemos medo. A piada foi que não tivemos medo de nada”, afiança Alexandra, apesar de não serem da área, de não saberem desenhar, de não saberem mexer nos programas de computador feitos para o calçado, de não terem bem ideia de como é que se fazia uma sola. “Entrámos com um projecto nosso e saímos com o projecto de outro [da fábrica]”, resume a directora criativa da Friendly Fire – o nome é a única coisa que não é uma criação da dupla, já existia na empresa, que lançara apenas uma colecção com aquela designação.

“Embora não seja nossa, a marca nasceu de nós”, defende Rute Marques. Ambas são directoras criativas da Friendly Fire. “Nós não temos um departamento criativo, as ideias são nossas. Somos nós num escritório, só eu e a Rute. Portanto, sentimos a marca como nossa”, reforça Alexandra.

Hoje fazem mais do que sapatilhas com acessórios, há sapatos, botas, chinelos. Por ano têm de apresentar duas colecções. “Às vezes entramos em pânico. O maior medo é acordar sem ideias”, confidencia Alexandra, continuando, “mas quando se faz luz temos de cortar e guardar”. As duas amigas não estão preocupadas com as tendências, mas com aquilo de que gostam, e é pelas aplicações que começam, antes de desenhar o sapato.

As colecções são de 25 a 30 modelos. “Queremos cortar porque é frustrante para a cliente que quer comprar ter tantos modelos”, avalia Alexandra. Um par de sapatos pode custar entre 150 e 350 euros. O calçado é todo feito de pele e à mão – “de luvas calçadas”, explica Rute; “é quase artesanato”, acrescenta Alexandra –, com o cuidado e a paciência que exige colocar pedraria ou outro tipo de acessórios. Aliás, muitos destes são comprados no estrangeiro, em Paris ou Nova Iorque, porque não existem no país. Portanto, tudo isto contribui para fazer um produto de luxo. “Sabíamos que ia ser caro”, reconhece Rute.

Quando chegam às feiras internacionais com os seus modelos, os compradores confessam-se espantados quando sabem que a dupla é portuguesa. Os seus modelos já chegam a sete países – Espanha, França, Itália, Alemanha, Rússia, Polónia, Ucrânia, Dubai. Aliás, é nos países do Leste e no Dubai que os modelos têm mais sucesso, por causa dos “brilhos e da extravagância, que tem mais que ver com elas”, as clientes, diz Alexandra. Por isso, a dupla quer apostar mais no Médio Oriente e em Angola.

E são quase sapatos de colecção – “há modelos que se vendermos 500 pares é muito”, informa Alexandra. No primeiro ano venderam 500 exemplares, na presente colecção ultrapassaram os quatro mil pares. Em cada caixa vai um sem número de recomendações, porque ainda há quem ponha umas sapatilhas de pele na máquina de lavar. Existe ainda assistência pós-venda, ou seja, se cair um morango da sandália, aquela regressa à fábrica. “Queremos que as pessoas se sintam acarinhadas pela marca”, defende Rute. “Somos ambiciosas e sabemos que se queremos conquistar alguma coisa tem de ser trabalhando muito. Por vezes, o sucesso é efémero, por isso, o desafio é manter o interesse do cliente final”, conclui Alexandra.