A obra surge como resposta à crise migratória europeia
A obra surge como resposta à crise migratória europeia Twitter

Solidariedade

Um artista sírio transformou líderes mundiais em refugiados

Um pintor sírio, a crise migratória europeia e os líderes mundiais entram num bar. O que se segue?

E se Donald Trump fosse um refugiado? Foi a esta pergunta que o artista sírio Abdalla Al Omari respondeu, através de um quadro que integra a obra The Vulnerability Series. A este, juntam-se retratos de Barack Obama, Angela Merkel, Putin, Bashar-al-Assad, entre outros, “marginalizados ou deslocados civis”, explicou Omari ao HuffPost.

“Os media falam em milhares de refugiados. Mas o que precisamos de saber é: quem são estas pessoas? Quando conhecemos a história de alguém, ainda que num nível básico, ligamo-nos a ela”, disse o artista. Foi com esta tese que Omari decidiu escolher estes líderes como personagens de uma realidade paralela, expondo personalidades políticas influentes no mundo às fragilidades da actualidade.

“Inicialmente, fui levado pela minha própria experiência, independentemente da raiva que sentia, como qualquer outro sírio, enquanto a situação na Síria descarrilava”, conta, referindo-se à guerra civil, que ainda perdura e que desencadeou a crise migratória na Europa.

Omari foi ele mesmo um refugiado. Viveu o conflito sírio de perto e fugiu do país do Médio Oriente em 2011, altura em que começou a guerra. Obteve asilo na Bélgica e actualmente mora em Bruxelas, onde, há dois anos, decidiu criar estes retratos político-sociais.

Seis anos após o início da guerra civil na Síria, mais de cinco milhões de sírios são agora refugiados nos EUA. Muitos deles crianças, actualmente portadoras de doenças do foro psicológico, segundo o mais recente relatório da organização Save The Children. O mesmo relatório indica que muitas das crianças refugiadas tentam o suicídio.

 

 

“Senti-me emocionalmente obrigado a envolver-me e a enviar uma mensagem a estes líderes, que são, em parte, responsáveis pelo deslocamento em massa de sírios”, conclui Abdalla Al Omari.