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Feminismo

Lena Dunham: "A revolução vai usar batom vermelho"

As feministas de hoje são de todas as formas e feitios e não escondem a sua feminilidade, escreve Lena Dunham, num artigo para a "Vogue".

Para Lena Dunham, o batom vermelho é o novo cartão de visita do feminismo. A criadora e protagonista da série Girls – sobre a vida e desafios de quatro raparigas a viver em Nova Iorque – defende, numa peça para a Vogue americana, que a feminista de hoje não abdica de prazeres tão simples quanto a maquilhagem. Tão pouco se esconde atrás das t-shirts largas e calças de bombazine que se viam nos protestos dos anos 1970.

"O estilo de minha mãe não era ostensivamente feminino" , começa por dizer. "Ela era uma de um grupo de mulheres cuja presença emergente no mundo da arte dominado pelos homens, no final dos anos 1970 e início da década de 1980, sinalizava uma mudança de maré."

Nesse contexto, era preciso alguma força e coragem para ser mulher: "talvez por isso me lembre de, quando estava a crescer, ver muitas camisas brancas, calças caqui da J. Crew, botas de deserto e chumaços", escreve a actriz. Ainda assim, o batom vermelho – que a própria mãe usava – era uma constante, "lembrando quem tinha o poder que feminilidade era um activo e não um incómodo".

 

Headed to @breakfastclubam to talk to @cthagod so I guess what I'm saying is never give up on your dreams, kids.

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"Quase 40 anos depois, encontramo-nos a fazer perguntas semelhantes sobre os nossos direitos, que nunca pensámos que tivéssemos de revisitar", continua a actriz de 31 anos. A diferença é que agora as mulheres que se juntam ao diálogo, em vez de esconderem a sua  feminilidade, têm uma noção bastante mais alargada daquilo que ser mulher significa. Resumindo, "a revolução vai usar batom vermelho".

Citando alguns exemplos de mulheres que gostam de pintar os lábios de encarnado – como Sarah Sophie Flicker, organizadora da Marcha das Mulheres; Symone Sanders, ex-assessora de imprensa de Bernie Sanders; e Huma Abedin, que foi conselheira de Hillary Clinton durante a campanha presidencial –, Dunham explica que esta geração reapropriou a maquilhagem como "um simples prazer, que permite um momento de felicidade privada até para as mais públicas activistas".

Mais ainda, "nos dias de hoje, feministas são reconhecidas em todas as formas, tamanhos e tons e não há pré-requisitos de moda para ter estatuto de membro", diz a actriz. Nas marchas das mulheres, cita Sarah Sophie Flicker, "há espaço para toda a gente: lábios vermelhos, hijabs, cabelo comprido, sem cabelo, cabelo natural, bem arranjado e menos arranjado".

 

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