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Cannes

Vestido da ministra israelita causa polémica na passadeira de Cannes

Miri Regev surgiu com um estampado da cidade de Jerusalém.

A ministra da Cultura israelita, Miri Regev, causou polémica na passadeira vermelha do 70.º Festival de Cannes, em França. Tudo por causa do seu vestido.

Criado pela designer israelita Aviad Arik Herman, o vestido era comprido, com o busto dourado, mas o que realmente o tornou polémico foi a parte inferior, onde estava estampada uma imagem de Jerusalém num fundo branco.

Para o jornal britânico The Guardian, o vestido era uma clara “declaração política”. No ano em que se celebra os 50 anos de libertação e reunificação da cidade de Jerusalém, a ministra afirmou, na passadeira vermelha, a sua felicidade por celebrar esse momento histórico através da arte e da moda: “Estou feliz com o trabalho executado pela designer. [O vestido] é emocionante e honra a nossa capital.”

Contudo, enquanto Israel declara a soberania sobre toda a cidade de Jerusalém, a maioria da comunidade internacional considera que apenas o Leste da cidade está sob ocupação israelita. Por isso, começaram a surgir, nas redes sociais, várias alterações do vestido, onde os utilizadores mais hábeis substituíram o estampado original por aquilo que, na sua opinião, deveria ter sido estampado inicialmente. Por exemplo com uma imagem de paraquedistas a celebrar junto ao Muro das Lamentações, ou uma imagem do muro da Cisjordânia, que separa a Palestina de Israel, ou os bombardeamentos sobre Gaza.

Por seu lado, o jornal israelita Haaretz expressou a sua opinião no Twitter dizendo que “a ministra queria mostrar o seu orgulho em Israel, contudo apenas gerou risos”.

Também o jornalista Greg Carlstrom afirmou que “independentemente da vossa opinião política, espero que todos concordem: o dinheiro que a ministra gastou no vestido, foi demasiado”.

Contudo, os defensores do Governo israelita mostraram entusiasmo com a escolha irreverente de Miri Regev, chegando mesmo a afirmar que este seria o “vestido do ano”.