Reuters/Jorge Adorno

Japão

Princesa Mako do Japão deverá abdicar do título para casar

A neta do imperador Akihito do Japão tem de deixar a família imperial para se casar com o ex-colega de faculdade Kei Komuro.

Parece um conto clássico, mas é bem actual: a princesa Mako do Japão vai ter de abdicar do seu título por amor, para se casar com o plebeu Kei Komuro.

Os dois conheceram-se na faculdade, em Tóquio. A princesa é a neta de 25 anos do actual imperador do Japão e Komuro, da mesma idade, trabalha numa firma de advogados, enquanto conclui os estudos. De acordo com as leis seculares japonesas, apenas herdeiros do sexo masculino podem assumir o trono e as mulheres que casem com plebeus deixam de fazer parte da família imperial. Foi o que aconteceu com a tia da princesa Mako, Sayako, que casou em 2005 com Yoshiki Kuroda.

A Casa Imperial disse à CNN que estão a ser feitos planos para que o noivado seja oficializado – momento a partir do qual a princesa deixa efectivamente de pertencer à família imperial. Komuro apareceu em frente à imprensa na quarta-feira e recusou-se a comentar, afirmando repetidamente, cita a Reuters"Agora não é a altura certa para eu comentar, mas irei falar no momento certo."

De acordo com a tradição, há todo um ritual que deve acontecer antes do casamento, avança o The Japan Times. Primeiro, um mensageiro de Komuro tem de visitar o Palácio Imperial com presentes para fazer um voto oficial de casamento – só depois é anunciada uma data. Quando uma princesa se torna plebeia através do casamente, continua a publicação, tem direito a uma pensão cujo valor poderá ser determinado, por exemplo, pelo primeiro-ministro. À medida que a data de casamento se aproximar há uma série de outras formalidades que devem ser cumpridas.

A família vai encolhendo

O anúncio do noivado pendente reacendeu o debate sobre a dimensão da família imperial, que actualmente tem apenas 19 membros – 14 dos quais são mulheres. Só existem três herdeiros legítimos ao trono: o filho mais velho do imperador, o príncipe Naruhito – que tem uma filha única –; o seu irmão (pai da princesa Mako), o príncipe Akishino, e o respectivo filho, o príncipe Hisahito.

O imperador Akihito tem quatro netos e apenas um é homem. "Sob o presente sistema, há um risco de que Hisahito será o último na família imperial", comenta o professor Hidehiko Kasahara, da Universidade Keio, citado pela Reuters.

Questionado sobre a escassez de membros da família real, Yoshihide Suga, ministro da presidência do conselho de ministros, disse em conferência de impressa, também citado pela Reuters: "Não há alteração no nosso ponto de vista de continuar em consideração com os passos para assegurar uma sucessão imperial estável."

Esta semana deverá ser aprovado um projecto de lei que permita que Akihito possa renunciar ao seu cargo – que segundo a lei imperial é vitalício. O imperador, de 83 anos, já tinha anunciado em Agosto passado a intenção de o fazer, alegando que a sua idade avançada dificulta a execução das tarefas que lhe competem.