NUNO FERREIRA SANTOS

Conferência

António Costa: O luxo é o caminho e Salvador Sobral um exemplo

O primeiro-ministro abriu a conferência sobre o negócio do luxo, em Lisboa, e deu Salvador Sobral como um bom exemplo.

António Costa falou sobre o potencial da indústria do luxo para a Europa e Portugal, na abertura do Business of Luxury Summit. A conferência organizada pelo Financial Times, decorre pela primeira vez em Lisboa, esta segunda e terça-feira. Entre os membros dos vários painéis, estão Durão Barroso, Nicolas Ghesquière, o director artístico da Louis Vuitton, o chef Nuno Mendes e José Neves, da Farfetch.

“Este fim-de-semana, um jovem cantor português, Salvador Sobral, ganhou pela primeira vez o Festival da Eurovisão”, mencionou a meio do discurso o primeiro-ministro. Entre alguns risos leves da plateia, continuou, ganhou “com uma canção onde, mais do que a compreensão do que dizia, a expressão pessoal do sentimento foi a chave daquele resultado".

Numa lista de exemplos de portugueses e empresas portuguesas que se estão a afirmar no topo das suas respectivas áreas — desde o cinema à gastronomia, passando pelas artes plásticas —, António Costa destacou o caso de Salvador Sobral, pelo paralelo que estabelece um dos critérios que define o luxo: o factor diferenciador.

A vitória de Salvador Sobral “demonstra bem como aquilo que tem hoje mais valor neste mundo global é aquilo que se consegue diferenciar pela intrínseca qualidade humana, insubstituível pelos robôs que melhoram a nossa produtividade”, rematou.

A indústria do luxo, defende o primeiro-ministro, “é uma oportunidade para a economia europeia“, no mundo global.  “A Europa, para ser competitiva, tem de investir nos bens e serviços que gerem maior valor acrescentado”. Ora, é no sector do luxo, que está esse valor acrescentado.

A capacidade da Europa de oferecer algo único e diferenciador faz com que o sector do luxo seja um caminho a seguir. “Só a mão humana, o sentimento ou a cultura acumulada ao longo de séculos podem permitir essa diferenciação.”

De acordo com o primeiro-ministro, a Europa, mais do que qualquer país ou continente, consegue juntar a criatividade com a tradição. “Há outras regiões com elevado nível de criatividade, mas dificilmente é possível encontrar algum espaço como o europeu, onde se combine tradição com criatividade. E é isso que faz o luxo”.