• Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, durante a campanha eleitoral, em Le Touquet
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, durante a campanha eleitoral, em Le Touquet Reuters/PHILIPPE WOJAZER
  • Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux celebram a vitória junto ao Louvre, em Paris.
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux celebram a vitória junto ao Louvre, em Paris. Reuters/CHRISTIAN HARTMANN
  • Brigitte vota na segunda volta das eleições
    Brigitte vota na segunda volta das eleições Reuters/PHILIPPE WOJAZER
  • No dia da primeira volta das eleições presidenciais
    No dia da primeira volta das eleições presidenciais LUSA/YOAN VALAT
  • Brigitte Trogneux à porta da sua casa, em Le Touquet
    Brigitte Trogneux à porta da sua casa, em Le Touquet Reuters/BENOIT TESSIER
  • Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux chegam ao Palácio do Eliseu, em Paris, para um jantar em hora do rei de Espanha Felipe VI e da rainha Letizia, em 2015
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux chegam ao Palácio do Eliseu, em Paris, para um jantar em hora do rei de Espanha Felipe VI e da rainha Letizia, em 2015 REUTERS/Philippe Wojazer/File Photo
  • Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, num jantar no Palácio do Eliseu, em Paris, em 2016
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux, num jantar no Palácio do Eliseu, em Paris, em 2016 REUTERS/Philippe Wojazer
  • Brigitte Trogneux numa reunião durante o Dia Internacional da Mulher, em Paris
    Brigitte Trogneux numa reunião durante o Dia Internacional da Mulher, em Paris REUTERS/Gonzalo Fuentes
  • Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux numa visita de campanha a Bagneres de Bigorre, nos Pirinéus em Abril de 2017
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux numa visita de campanha a Bagneres de Bigorre, nos Pirinéus em Abril de 2017 REUTERS/Eric Feferberg/Pool
  • O ministro das Finanças Michel Sapin, Emmanuel Macron (então ministro da Economia) e Brigitte Trogneux no dia da Tomada da Bastilha, em 2015
    O ministro das Finanças Michel Sapin, Emmanuel Macron (então ministro da Economia) e Brigitte Trogneux no dia da Tomada da Bastilha, em 2015 REUTERS/Mal Langsdon
  • Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux em Paris, em Fevereiro de 2017
    Emmanuel Macron e Brigitte Trogneux em Paris, em Fevereiro de 2017 REUTERS/Christophe Petit Tesson/Poo

Brigitte Trogneux

Brigitte Trogneux: um novo tipo de primeira-dama em França

A mulher de Emmanuel Macron assumiu um papel de destaque durante a campanha – ao lado do marido e à frente das câmaras. Vai redefinir o papel de primeira-dama.

Brigitte Trogneux é uma força política ao lado de Macron. Acompanhou o marido durante a campanha eleitoral e foi a sua conselheira mais próxima – algo que Macron fez questão de sublinhar repetidamente nos seus discursos –, assumirá, ao que tudo indica, um cargo de destaque enquanto primeira-dama, na área da Educação. Os franceses elogiam o seu estilo e a imprensa internacional contempla com algum espanto a sua idade – ou antes, os 25 anos que a separam do marido.

Alguns dos assessores de Macron comparam o papel que Brigitte assumirá enquanto primeira-dama ao de Michelle Obama, durante a administração de Barack, escreve o Telegraph. “Ela vai ter uma existência, vai ter uma voz, um ponto de vista sobre os assuntos. Ela vai estar ao meu lado, como sempre esteve, mas vai também ter um papel público”, garante Macron, citado pelo The Sydney Morning Herald.

Durante o mandato de Macron, Brigitte terá uma equipa, um orçamento e responsabilidades, mas não receberá um salário, algo que o político francês anunciou durante a campanha. Apesar de não ser ainda claro qual o papel que irá desempenhar, Macron disse que ia definir o cargo de primeira-dama, com uma descrição oficial – que não existe actualmente.

“O principal interesse de Brigitte é a reforma da educação e ela vai concentrar-se no trabalho para crianças autistas e com incapacidades”, prevê Candice Nedelec, autora da biografia do casal, Les Macron, citada pelo The Times.

Recorde-se que a França não tem primeira-dama desde que François Hollande se separou de Valérie Trierweiler, há três anos. 

De professora a primeira-dama

Brigitte Trogneux nasceu em 1953, no norte de França, na cidade de Amiens. Cresceu no seio de uma família rica de chocolateiros (que hoje em dia fabrica macarons) e é a mais nova de seis irmãos. Aos 20 anos, casou com o banqueiro Andre-Louis Auzière, com quem teve três filhos.

Tornou-se professora de Literatura e Latim na prestigiada escola jesuíta da sua cidade natal, o Lycée La Providence d'Amiens, onde no início da década de 1990 conheceu Emmanuel Macron – que na altura, com 17 anos, era colega de turma da sua filha do meio. Nunca chegaram a ser professora e aluno, mas aproximaram-se quando trabalharam juntos numa peça de teatro da escola. Desde cedo, era evidente a admiração mútua que sentiam, sendo que o casal nunca revelou quando o romance começou.

Emmanuel terminou o último ano do ensino secundário em Paris – por vontade dos pais, que se opunham à relação –, mas isso não os afastou. Na altura, “telefonávamos um ao outro a toda a hora, passávamos horas ao telefone”, lembra Brigitte, citada pelo Telegraph. “Pouco a pouco, ele venceu todas as minhas resistências de uma forma incrível, com paciência”, recordou ainda, num documentário televisivo, citada pelo Independent.ie.

Antes de partir, Macron disse a Brigitte “o que quer que faças, vou casar contigo”. Passou mais de uma década até que a promessa fosse cumprida: Brigitte divorciou-se do marido Andre-Louis Auzière, em 2006, e no ano seguinte casou com Emmanuel Macron. 

Em 2015, a mãe de três (e avó de sete) abdicou do ensino para se poder focar na carreira de Macron, então ministro da Economia. Foi um elemento fundamental durante toda a companha presidencial, aconselhando o marido e aparecendo frequentemente ao seu lado em eventos. “Sem ela, eu não seria eu”, afirmou Macron na noite em que que venceu a primeira volta das eleições.

Numa entrevista ao Le Parisien, Macron disse que os comentários e suposições de que não seria possível estar apaixonado por uma mulher 25 anos mais velha eram sinais de misoginia. “Se eu fosse 20 anos mais velho do que a minha mulher, ninguém teria questionado por um segundo a legitimidade da minha relação”, assegurou.

No que diz respeito ao estilo, Brigitte Trogneux é muito elogiada pela sua elegância e, ao mesmo tempo, é vista como alguém que vai contra as regras porque, aos 64 anos, não hesita em usar, de forma confiante, vestidos e saias curtos, calças de cabedal e saltos de sete centímetros.

O estilo de Brigitte afasta-se do típico parisiense – caracterizado pelo look propositadamente desleixado –, aponta a Vogue UK, já que as suas escolhas passam, tipicamente, por vestidos linha A – impecáveis a nível de alfaiataria – que evidenciam a cintura, ou skinny jeans com um blazer.

“Ela é rock’n’roll”, comenta Delphine de Canecaude, uma conceituada directora de arte, citada pelo L’Express. Já a Vogue UK compara o estilo de Brigitte ao de Melania Trump – por causa dos vestidos – e ao de Jane Fonda, sendo que as duas partilham braços tonificados, um sorriso notavelmente branco e o cabelo arranjado.

“Brigitte Trogneux representa uma concentração de tudo o que é francês”, escreve uma repórter americana da Quartz, residente em Paris. No texto, a jornalista refere-se à forma como a nova primeira-dama se veste, ao seu cabelo aloirado pelo sol, à silhueta delgada e ao facto de que é uma herdeira, que se tornou professora e que agora assiste a desfiles de moda da Chanel e da Dior na primeira fila. “Ela personifica tudo o que é intoxicante, invejável e ridículo acerca da cultura francesa, impossivelmente elitista e socialista ao mesmo tempo”.