LUSA/TANNEN MAURY

EUA

Antes de Michelle houve outra mulher na vida de Obama

Uma nova biografia sobre o ex-presidente norte-americano indica que Barack sacrificou o amor em nome da política.

Há uma nova biografia sobre Barack Obama que nos mostra quem é e como pensa o ex-Presidente dos EUA. O autor é David J. Garrow e no livro Rising Star ("Estrela em ascensão", numa tradução livre) conta como Obama viveu e explora os cálculos que ele fez nas décadas que levaram à sua vitória presidencial, defendendo que preferiu sacrificar o amor em nome da política.

Garrow retrata Obama como um homem que, desde cedo, acreditou que estava talhado para a grandeza e que fez sacrifícios emocionais na busca de um objectivo que parecia improvável para todos, menos para ele: ser Presidente dos EUA. Esse objectivo reflectiu-se na universidade que escolheu, assim como na mulher que deveria amar. 

Pela primeira vez, chega a público a história de uma mulher que Obama amou e com quem viveu em Chicago, uns anos antes de conhecer Michelle, e a quem pediu para casar com ele. Antes, noutras biografias já escritas sobre o ex-Presidente não foi dada tanta importância às namoradas que Barack teve antes de conhecer Michelle, mas nesta, Sheila Miyoshi Jager, agora professora do Oberlin College, é uma presença recorrente, assim como o seu relacionamento com um Obama que queria singrar na política e analisava os compromissos que seria necessário fazer para conseguir os seus objectivos. 

De certa maneira, esta namorada tem semelhanças com a mãe de Barack, Stanley Ann Dunham, escreve o Washington Post, depois de ler a biografia. Tal como Dunham, Jager estudou Antropologia, e enquanto Dunham se concentrou na Indonésia, Jager estudou a Península Coreana.

Sheila Miyoshi Jager era de ascendência holandesa e japonesa, enquadrando-se assim no mundo multicultural que Obama estava a começar a deixar para trás, já que em Chicago o jovem começou a trabalhar com a comunidade afro-americana. Quando namoravam, Jager percebeu que Obama tinha "uma profunda necessidade de ser amado e admirado", disse a Garrow.

A professora descreve o tempo que namorou como uma experiência isoladora, já que nunca conheceu as pessoas com quem Obama trabalhava, nomeadamente o pastor Jeremiah Wright que tanto o influenciou. Era como se tivessem "uma ilha só para nós", descreve.

No entanto, tinham amigos comuns, conheceram a família um do outro e falaram sobre a possibilidade de casarem. "No Inverno de 1986, quando visitamos os meus pais, ele pediu-me em casamento", conta Jaeger no livro. Os pais dela opuseram-se, não por razões raciais já que olhavam para ele como "um rapaz branco da classe média", mas porque Jaeger, que é dois anos mais nova do que Barack, ainda era muito nova. 

Foi no início de 1987, quando Obama tinha 25 anos, que a namorada sentiu uma mudança. "Ele tornou-se... demasiado ambicioso" de repente, disse a Garrow. "Lembro-me claramente quando se deu essa transformação", então "ele já tinha a intenção de se tornar Presidente".

E, para isso, tinha de se assumir como afro-americano a quem uma mulher branca não ficava bem, dizem amigos próximos do casal que se recordam de uma discussão. Barack voltou a pedir Sheila em casamento, mas a professora preparava-se para ir discutir a sua tese de doutoramento na Coreia do Sul e declinou o pedido. A relação não terminou de imediato e ambos prosseguiram com os seus projectos, na verdade ainda se viam quando Barack conheceu Michelle e casou com ela, em 1992. Pouco a pouco afastaram-se. 

O biógrafo conclui que as escolhas românticas de Obama foram influenciadas pelas suas ambições políticas. Contudo, Michelle era bastante céptica em relação às perspectivas de Barack e desencorajou-o por diversas vezes, ressentindo-se da ausência do marido e pedindo-lhe para arranjar um trabalho onde ganhasse bem. 

Garrow não é um novato na escrita biográfica e recebeu o prémio Pulitzer pela sua biografia de Martin Luther King Jr..