Diana segura o filho mais novo, Harry, ao colo, numa visita a Maiorca, em 1988
Diana segura o filho mais novo, Harry, ao colo, numa visita a Maiorca, em 1988 Reuters/STRINGER

Saúde Mental

Harry e a morte de Diana: 20 anos a reprimir emoções, dois de "caos total"

O filho mais novo da princesa Diana revelou que reprimir o luto teve efeitos na vida pessoal e profissional.

Passaram quase duas décadas desde a morte de Diana no despiste de um automóvel num túnel em Paris, a 31 de Agosto de 1997. O filho mais novo da princesa, Harry, revela agora numa entrevista íntima ao Telegraph como tem lidado com a perda da mãe ao longo destes anos.

Harry garante que está agora "numa boa posição" em termos mentais, mas admite que não foi uma caminhada fácil, depois de ter passado demasiado tempo a reprimir o que sentia, adiando o recurso a ajuda especializada.

"Foram 20 anos a não pensar sobre [a morte da mãe] e depois dois anos de caos total", revela a Bryony Gordon, do Telegraph.

O príncipe foi um dos primeiros entrevistados de uma nova série de podcasts do Telegraph sobre saúde mental. Fê-lo com o objectivo de chamar atenção para um tema com um forte estigma associado. Em conjunto com o irmão, William, e a cunhada, Kate Middleton, o príncipe dirige a organização Heads Together, que promove a saúde mental.

 

The Duke and Duchess of Cambridge and Prince Harry will attend this year’s @londonmarathon together for the first time to support runners taking part in their mental health campaign @heads_together, which is this year’s Charity of the Year for the Marathon. All 39,000 Virgin Money London Marathon runners will be given a special Heads Together headband which they can wear on race day to be part of the national movement to end the stigma around mental health once and for all. During the week leading up to the marathon Their Royal Highnesses will attend several events in support of #TeamHeadsTogether - Heads Together wants to make this year’s marathon the ‘mental health marathon’ that gets the country talking about mental health and Their Royal Highnesses will cheer on all runners at points along the route on Marathon day!

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"Posso dizer com segurança que ter perdido a minha mãe aos 12 anos e ter reprimido todas as minhas emoções nos últimos 20 anos teve um efeito muito grave, não só na minha vida pessoal, mas também no meu trabalho", conta Harry. O príncipe revela que inicialmente escondeu a cabeça na areia e tentou ao máximo não pensar na mãe. "Só te vai fazer sentir furioso, não a vai trazer de volta", justificava a si mesmo.

"Provavelmente estive muito perto de um colapso completo em várias ocasiões", garante, fazendo referência ao sofrimento, mentiras e equívocos com os quais tinha de lidar constantemente. As aulas de boxe ajudavam-no, em alturas em que sentia vontade de "dar um murro em alguém".

Aos 28 anos (tem agora 32) decidiu procurar ajuda profissional. O incentivo do irmão mais velho foi fundamental. "Não é normal que nada te tenha afectado", dizia William a Harry.

"Passei a maior parte da minha vida a dizer que estava bem. É muito melhor do que entrar em detalhes, porque assim que dizemos 'mais ou menos', há uma pergunta que se segue, e depois outra e outra", conta.

Mais recentemente, Harry começou a ter algumas conversas sobre a perda da mãe e, conta, de repente, "todo o sofrimento que nunca tinha processado começou a vir à tona".

"Há aqui muita coisa com que preciso de lidar", concluiu então.