• Gargantilha Mr. President de Leonor Silva
    Gargantilha Mr. President de Leonor Silva DR
  • Anel de Ana João
    Anel de Ana João DR
  • Brincos de Joana Mota Capitão
    Brincos de Joana Mota Capitão DR
  • Brincos Arrecada de Maria Leão Torres
    Brincos Arrecada de Maria Leão Torres DR
  • Brincos da Allis Jewellery
    Brincos da Allis Jewellery DR
  • Anel Kathia Bucho
    Anel Kathia Bucho DR
  • Anel de Sofia Tregueira
    Anel de Sofia Tregueira DR
  • Pregadeira Hope de Leonor Silva
    Pregadeira Hope de Leonor Silva DR
  • Pulseira Joana Mota Capitão
    Pulseira Joana Mota Capitão DR
  • Brincos Exotic Birds de Ana João
    Brincos Exotic Birds de Ana João DR
  • Brincos Uva de Maria Leão Torres
    Brincos Uva de Maria Leão Torres DR
  • Anel Ana Dias
    Anel Ana Dias DR
  • Anel de Leonor SIlva, da colecção Kit Survival
    Anel de Leonor SIlva, da colecção Kit Survival DR
  • Escrava Candy de Ana João
    Escrava Candy de Ana João DR

Joalharia

As power girls chegaram à joalharia e vão expor em Lisboa

O primeiro evento Iconic é organizado pela Exponor. O tema tem um nome inglês – Girl Power –, mas é uma homenagem às criadoras portuguesas.

A tradição já não é que era, mesmo na joalharia. Esta é uma área onde os homens têm dominado e dão nome aos projectos, mas, pouco a pouco, as mulheres deixam de ser apenas as musas inspiradoras para serem as autoras. É o girl power que chegou e está a vencer, acredita a Exponor e que, pela primeira vez, vai a Lisboa com um evento que mistura a joalharia, a moda e o lifestyle. É a Iconic, que começa esta sexta-feira e termina no domingo.

Na feira estarão presente mais de meia centena de expositores, a maioria do Norte. Esta iniciativa, que se estreia em Lisboa com um formato diferente da Portojóia, tem como objectivo conquistar o mercado do Sul do país. O modelo é para ficar: a Iconic será na capital, sempre no primeiro semestre de cada ano, e a Portojóia no Outono, na Exponor, em Matosinhos.

Durante os três dias, a organização espera que passem pelo Convento do Beato cinco mil visitantes entre profissionais (fabricantes, criadores e lojas) e público em geral (que só poderá entrar no domingo). Amélia Monteiro, directora da feira e da Portojóia, informa que houve um “grande investimento na segurança” porque “haverá jóias de prata, ouro, pedras preciosas como diamantes, rubis e topázios em colares, anéis, alfinetes, relógios e pulseiras. Só um colar pode custar 50 mil euros”.

Neste primeiro ano, a Iconic deverá gerar um volume de negócios na ordem dos quatro milhões de euros, calcula Amélia Monteiro, comparando com os cerca de 15 milhões conseguidos pelos expositores na última Portojóia.

Este é um sector que passou por uma crise acentuada, mas os últimos dois anos têm sido de retoma. “Só em 2015 o volume de negócios foi de 700 milhões de euros”, divulga Fátima Santos, secretária-geral da Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP). “É um número simpático e espera-se que a nova dinâmica do sector e progressiva saída da crise faça crescer significativamente esses valores”. A percepção é de que 2016 supere 2015, continua, realçando a “importância das feiras como pontos de encontro e locais por excelência de realização de negócios”.

O mote do evento é o Girl Power e o objectivo é, por um lado, prestar uma homenagem às mulheres – que são também decisoras na hora da compra, embora também haja “um aumento do volume de venda de jóias para homens”, compradas pelos próprios, reconhece Fátima Santos. Por outro lado, a feira pretende divulgar as novidades do sector. A mulher “sempre foi musa inspiradora dos designers, mas agora está a dar cartas na joalharia, que era um sector mais masculino. É uma Girl Power”, define Amélia Monteiro.

Peças que contam histórias

Na última década surgiram novas criadoras, formadas por escolas que “trazem inovação, audácia e contam histórias com as suas peças”. Mais: “Souberam aproveitar as novas tecnologias para se promoverem nas redes sociais e criarem marcas com identidade e exclusividade”, explica a responsável da Exponor.

Foram estes os ingredientes que levaram a Exponor e a AORP a escolher 15 projectos de novos designers. Ana João, 30 anos, de Matosinhos, e Leonor Silva, 51 anos, de Lisboa, são duas das joalheiras seleccionadas. A primeira, que chega à feira através da Exponor, criou a marca Ana João Jewelry há dois anos e apesar das dificuldades em vingar – “por ser mulher e não ter herança familiar na área”, justifica –, consegue ter mais sucesso no estrangeiro do que em Portugal. Já Leonor Silva, que lançou a marca Leonor Silva Jewellery em Janeiro deste ano, diz não sentir dificuldade no mercado nacional e conta ter “boa aceitação”. 

Leonor Silva marca presença no espaço Portuguese Jewellery Newborn, da AORP, que também leva os novos talentos Ana Dias, Filipe Fonseca, Kathia Bucho, Joana Mota Capitão e Maria Leão Torres. “Neste espaço queremos promover a nova ourivesaria portuguesa e estes novos designers que trabalham com materiais diferentes, como borracha, juntamente com a prata e o ouro”, diz Fátima Santos. Este “sangue novo” apresenta colecções a preços convidativos e “veio dar uma sacudidela” ao sector, defende.

Para Amélia Monteiro, “o mercado mudou muito e é preciso ser inovador para o conquistar”. A responsável lembra que antigamente a compra de uma jóia era encarada como um investimento e hoje uma peça é vista como um acessório de moda que pode contar uma história. 

O que é uma power girl?

Se Ana João trabalha mais com porcelana, Leonor Silva usa os materiais tradicionais procurando transmitir uma mensagem social. Por exemplo, a joalheira de Lisboa criou uma gargantilha de prata com patine e zircónio a que chamou Happy Birthday Mr. President, que de imediato remete para Marilyn Monroe e Kennedy, mas engana porque afinal é uma crítica a Donald Trump e à sua política de fecho das fronteiras. Ou a pregadeira Hope, feita de prata com oxidação, banho de ouro e borracha, que “é um tributo a todos os refugiados que continuam à espera de um futuro”.

As duas artistas usam sobretudo a prata porque “é mais barata e mais fácil trabalhar do que o ouro, que é mais denso”, justifica Ana João. Amélia Monteiro informa que o quilo da prata ronda os 580 euros enquanto a grama do ouro anda na casa dos 38 euros. Leonor Silva realça que “todo o processo de fabrico acarreta alguma dureza na manipulação dos metais e tem técnicas e ferramentas que são duras de manipular”. Aliás, essas são as razões por que as mulheres chegaram mais tarde à joalharia, avalia Joana Barrios, blogger convidada para falar no encontro.

E as novas criadoras são power girls? Ana João responde de imediato que sim. “Se não fosse, já tinha desistido há muito”, confessa. “Só mesmo com muita teimosia é que a mulher pode ter mais força no ramo da joalharia.”

Também Leonor Silva é rápida a responder que “sim, por ter o poder de transformar os sonhos dos outros em arte”. E até os seus próprios sonhos, acrescenta. “Ainda que num mundo de homens, encontramos muitas mulheres na joalharia contemporânea que tomaram as rédeas e são capazes de fazer, em vez de apenas usar as peças”, avalia. 

Há outras expressões de outras artistas seleccionadas que revelam a concordância com o mote da feira. “Nunca desisto”, diz Tânia Nunes da Minha Jóia Atelier; “sou determinada”, escreve Joana Mota Capitão; ou “sou sagaz”, define-se Maria Leão Torres, num conjunto de testemunhos recolhidos pela Iconic.

Fátima Santos, da AORP, acrescenta que as mulheres têm uma “capacidade de criar ligações emocionais nos negócios”. Por isso, “as empresas que passaram a ter mulheres trabalhadoras tiveram um aumento do volume de negócios”.

Para a designer de moda Katty Xiomara “não existe uma receita para ser uma power girl, seja qual for o ramo de negócio onde as mulheres entram. “Vai-se vivendo passo a passo, mas é preciso ter bastante força e estabelecer equilíbrio entre a família e o trabalho, saber gerir as situações.” Em Lisboa, a designer vai mostrar a colecção de Inverno que apresentou no Portugal Fashion, no final de Março, no Porto.

Além de Xiomara, estarão ainda Hugo Costa, Alexandra Moura e David Catalan, no espaço Portugal Fashion Show Room. Haverá ainda demonstrações de como se faz filigrana, espectáculos e conversas. Uma delas será sobre “o que é uma power girl na actualidade?” e Joana Barrios, autora do blogue Trashédia, será uma das participantes. Para a blogger, “a mulher só tem uma forma de vingar em qualquer sector: pela qualidade do seu trabalho.”