• Vestido jaspeado Mango (29,99 euros)
    Vestido jaspeado Mango (29,99 euros) DR
  • Casaco Ferrache (73,90 euros)
    Casaco Ferrache (73,90 euros) DR
  • Vestido H&M (29,99 euros
    Vestido H&M (29,99 euros DR
  • Vestido Benetton (79,95 euros)
    Vestido Benetton (79,95 euros)
  • T-shirt OVS (7,99 euros)
    T-shirt OVS (7,99 euros) DR
  • Calças curtas estampadas Kiabi (18 euros)
    Calças curtas estampadas Kiabi (18 euros) DR
  • Macacão Mango (89,99 euros)
    Macacão Mango (89,99 euros) DR
  • Camisola Benetton (59,95 euros)
    Camisola Benetton (59,95 euros)
  • Saia plissada H&M (19,99 euros)
    Saia plissada H&M (19,99 euros) DR
  • Vestido Ferrache (84,90 euros)
    Vestido Ferrache (84,90 euros) DR
  • Blusão H&M (49,99 euros)
    Blusão H&M (49,99 euros) DR
  • Vestido com fivela Mango (69,99 euros)
    Vestido com fivela Mango (69,99 euros) DR
  • Vestido OVS (29,99 euros)
    Vestido OVS (29,99 euros) DR
  • Top fluido Kiabi (8 euros)
    Top fluido Kiabi (8 euros) DR
  • Vestido Ferrache (114,50 euros)
    Vestido Ferrache (114,50 euros) DR
  • Vestido com fechos Mango (19,99 euros)
    Vestido com fechos Mango (19,99 euros) DR
  • Vestido Ferrache (117, 90 euros)
    Vestido Ferrache (117, 90 euros) DR
  • Vestido com motivos florais H&M (24,99 euros)
    Vestido com motivos florais H&M (24,99 euros) DR
  • Top branco Kiabi (8 euros)
    Top branco Kiabi (8 euros) DR
  • Vestido Ferrache (59,50 euros)
    Vestido Ferrache (59,50 euros) DR
  • Vestido Kiabi (25 euros)
    Vestido Kiabi (25 euros) DR
  • Saia-calça Benetton (59,95 euros)
    Saia-calça Benetton (59,95 euros)
  • Camisola OVS (9,99 euros)
    Camisola OVS (9,99 euros) DR
  • Camisola de malha fina Kiabi (25 euros)
    Camisola de malha fina Kiabi (25 euros) DR
  • Vestido Ferrache (78,90 euros)
    Vestido Ferrache (78,90 euros) DR
  • Vestido OVS (29,99 euros)
    Vestido OVS (29,99 euros) DR
  • Vestido de renda H&M (24,99 euros)
    Vestido de renda H&M (24,99 euros) DR
  • Vestido Benetton (49,95 euros)
    Vestido Benetton (49,95 euros)
  • Blusa com decote cruzado Kiabi (20 euros)
    Blusa com decote cruzado Kiabi (20 euros) DR
  • Leggings OVS (24,99 euros)
    Leggings OVS (24,99 euros) DR
  • Calças H&M (19,99 euros)
    Calças H&M (19,99 euros) DR
  • Calças skinny Kiabi (19 euros)
    Calças skinny Kiabi (19 euros) DR

As lojas estão desenhadas para nos envergonharmos do nosso peso?

É frequente a disposição das lojas discriminar consumidores de tamanhos grandes, escreve a professora Kathryn Anthony.

Quase dois terços (62%) das americanas são consideradas como tendo excesso de peso. De acordo com o Los Angeles Times, a americana média pesa 73,9kg e veste o 44, mas as lojas tratam-na como se não fosse normal. Muitas mulheres grandes fazem compras pela Internet para não terem de passar pela experiência desagradável de fazer compras numa loja, mas deste modo perdem a capacidade de ver, tocar ou experimentar os produtos – e muitas vezes são obrigadas a devolver o que compram. 

Tal como os afro-americanos do Sul dos Estados Unidos tinham portas separadas para “pessoas de cor”, dá-se uma forma de discriminação muito pouco subtil no design de muitas lojas, que colocam a roupa de tamanhos grandes em locais escondidos e difíceis de encontrar, longe da vista das outras pessoas. As mulheres mais fortes podem fazer compras em cadeias de tamanhos grandes, como a Lane Bryant, ou em grandes lojas como a Kohl’s e a Target. O Walmart é o líder de vendas de roupa de tamanhos grandes nos Estados Unidos. Mas as mulheres que procuram mais estilo e moda em grandes superfícies costumam sentir-se como cidadãs de segunda categoria. Muitas lojas nem sequer vendem roupas de tamanhos grandes, embora estas possam estar disponíveis online. A mensagem que isto envia aos clientes de tamanhos grandes é: “Não és suficientemente bom para fazer compras aqui.”

Em Portugal existem cada vez mais lojas com tamanhos grandes e com espaços destinados a esses clientes. Se há uns anos, eram marcas com produtos mais caros que se destacavam no panorama nacional, nos últimos tempos são os grandes retalhistas internacionais, que vendem a preços mais baixos, que apresentam alternativas para os tamanhos grandes. 

Mas a escassez de oferta, bem como os espaços escondidos nas lojas levam a que as mulheres grandes enfrentem um dilema: compram menos do que podiam porque não encontram produtos suficientes que lhes agradem. Por outro lado, muitos retalhistas usam o nível baixo de vendas como prova de baixa procura e não fornecem essa oferta.

Muitos blogues como A Curvy Cupcake e hashtags do Instagram como #ThisisPlus têm ajudado mulheres maiores a unirem-se para mostrarem ao mundo o que é um tamanho grande e como se diferencia da representação simplista presente do mundo da moda, para partilharem as suas experiências umas com as outras e para aceitarem e celebrarem os seus corpos tal como são.

Eu e a minha aluna Joanne Muniz passámos um ano a estudar o “deslocamento dos tamanhos grandes”, ou seja, como o design das lojas de roupa afecta as experiências dos consumidores de tamanhos grandes. Descobrimos vários estudos anteriores que incidiam sobre o “estigma da gordura” e a “linguagem da gordura” e como estes conceitos afectavam a auto-imagem dos consumidores e o seu nível de satisfação com a sua experiência nas compras. Mas encontrámos relativamente pouca informação sobre o impacto da disposição e do design do ambiente das lojas.

Assim, visitámos várias lojas no centro comercial local, onde registámos a sinalética no interior das lojas, os manequins, as imagens, a disposição dos produtos, os provadores e a proximidade da entrada nas lojas – factores que podem influenciar a experiência dos consumidores de tamanhos grandes.

Algumas das nossas observações mais surpreendentes foram que, nas grandes lojas, os corredores de roupas de tamahos grandes costumavam estar tão cheios e atravancados como os corredores do resto da loja – uma situação desconfortável que muitas vezes criava problemas de circulação. Em vários casos, encontrámos uma notável ausência de espelhos e muito poucos manequins – e os que encontrámos muitas vezes pareciam ser do mesmo tamanho dos existentes no resto da loja.

Em comparação, numa loja destinada exclusivamente a consumidores de tamanhos grandes observámos manequins colocados de forma visível perto da entrada. Estas utilizavam cores quentes e claras para fazer os clientes sentir-se bem recebidos, usavam pessoas de tamanho grande nas imagens da loja e os corredores eram espaçosos. De acordo com o gerente da loja, “a abordagem é fazer com que o cliente de tamanho grande se sinta confortável, bem tratado e, sobretudo, digno.”

Desenvolvemos um questionário online para saber mais sobre inquiridos de tamanho grande e as suas experiências típicas nas compras. Recebemos 80 respostas, incluindo de mulheres (84%) e homens (16%), com idades compreendidas entre os 15 e acima de 50 anos. A maior parte dos inquiridos tinha uma medida de cintura entre 101 e 132 cm, medida de camisa entre o XL e o 4XL e medida de calças entre o 46 e o 62.

As respostas às nossas perguntas sobre a disposição e o design das secções de tamanhos grandes foram surpreendentes:

  • Apenas um quarto (25%) disse que normalmente considerava a área de tamanhos grandes acessível e desobstruída.
  • Apenas 18% disse que a secção de tamanhos grandes era acolhedora.
  • Apenas 18% disse que conseguia localizar manequins de tamanho grande na loja.
  • Apenas 15% dos inquiridos disse que conseguia localizar facilmente a área de tamanhos grandes ao entrar numa loja.
  • Apenas 14% disse conseguia localizar facilmente na loja imagens de pessoas parecidas consigo.
  • Apenas 13% disse que era fácil orientar-se na secção de tamanhos grandes.
  • Apenas 13% disse que conseguia ver a entrada da loja a partir da secção de tamanhos grandes.
  • Apenas 9% disse que os corredores da secção de tamanhos grandes eram espaçosos.

Em suma, os inquiridos consideravam que a disposição e o design da secção de tamanhos grandes não se adequavam às suas necessidades.

As suas experiências enquanto consumidores também revelavam uma grande insatisfação. Só pouco mais de um quarto (26%) disse que se sentia confortável ao comprar roupa de tamanhos grandes nas lojas de roupa convencionais; apenas 23% disse que se sentia confortável com o ambiente da loja na secção de tamanhos grandes; apenas 20% disse que conseguia encontrar variedade de roupas na secção de tamanhos grandes; 19% disse que a disposição das roupas nas secções de tamanhos grandes os convidava a fazer compras; 19% disse que os lojistas os motivavam a comprar roupa; 14% disse que os lojistas eram atenciosos e apenas 10% disse que a sua experiência de compras tinha sido agradável.

Quando lhes foi pedido para falarem mais sobre as suas experiências ao comprar roupa de tamanhos grandes e como a localização, disposição e design da secção de tamanhos grandes das lojas os fazem sentir, muitos dos inquiridos afirmaram sentir-se ostracizados e tratados como “cidadãos de segunda”, desconfortáveis, stressados, frustrados e sem motivação para regressar. Algumas das piores experiências incluíram sentir-se “um pouco asfixiado.”

Em contraste, muitos tiveram as suas melhores experiências ao fazerem compras em lojas só de tamanhos grandes, onde encontravam uma grande variedade de roupas, bem como lojistas com um tipo de corpo semelhante ao seu e onde se conseguiam identificar com as imagens expostas. Ainda assim, outros inquiridos não conseguiam descrever nenhuma “melhor experiência” ao fazer compras de roupa de tamanhos grandes.

Que mudanças gostariam de ver no design das lojas para consumidores de tamanhos grandes? Os inquiridos pediram secções maiores de tamanhos grandes, maior variedade de roupas, mais manequins grandes, melhor sinalética, corredores mais espaçosos e provadores maiores. Mas o seguinte comentário dizia tudo: “Tornem a secção de tamanhos grandes mais espaçosa, mais atraente, perto da entrada da loja! Obrigar as pessoas gordas a retirar-se para o fundo da loja é revelador: os donos das lojas não querem atender pessoas gordas!” 

PÚBLICO/The Washington Post