• Christopher Kane lançou uma colecção de 33 peças
    Christopher Kane lançou uma colecção de 33 peças
  • Vestido Christopher Kane (2995 euros)
    Vestido Christopher Kane (2995 euros)
  • Vestido Christopher Kane (2995 euros)
    Vestido Christopher Kane (2995 euros)
  • Sapatos Christopher Kane (895 euros)
    Sapatos Christopher Kane (895 euros)
  • Camisola Christopher Kane (425 euros)
    Camisola Christopher Kane (425 euros)
  • Clutch Christopher Kane (338,71 euros)
    Clutch Christopher Kane (338,71 euros)
  • Vestido Christopher Kane (995 euros)
    Vestido Christopher Kane (995 euros)
  • Camisola MinkPink (73,33 euros)
    Camisola MinkPink (73,33 euros)
  • Vestido MinkPink (77,33 euros)
    Vestido MinkPink (77,33 euros)
  • Camisa de ganga MinkPink (86,66 euros)
    Camisa de ganga MinkPink (86,66 euros)
  • Choker Swarovski (510,90 euros)
    Choker Swarovski (510,90 euros)
  • Casaco Juicy Couture (826,84 euros)
    Casaco Juicy Couture (826,84 euros)
  • Relógio Juicy Couture (586,37 euros)
    Relógio Juicy Couture (586,37 euros)
  • Tacho Le Creuset (260,60 euros)
    Tacho Le Creuset (260,60 euros)

Cinema

Como “A Bela e o Monstro” conquistou a indústria da moda

Christopher Kane acaba de lançar uma colecção cápsula inspirada no clássico da Disney. E não é o único.

Não é surpresa que um filme da Disney produza lucros extraordinários no que toca a merchandiseCarros, lançado em 2006, gerou cerca de dez mil milhões de dólares em produtos a nível mundial, de acordo com o Los Angeles Times, e, no ano seguinte ao lançamento de Frozen: O Reino do Gelo, os fatos de Elsa, Anna e Olaf dominaram as vendas de Halloween e de Carnaval. Menos comum é que surjam de filmes da Disney colecções dignas de aparecer nas páginas da Vogue.

A nova versão de A Bela e o Monstro chegou esta semana aos cinemas e já conseguiu atrair a atenção de marcas de luxo como Christopher Kane – que lançou na quinta-feira uma colecção cápsula inspirada no clássico conto da Disney –, assim como de outras marcas mais acessíveis, como a Uniqlo, Juicy Couture e MinkPink. Pode ver algumas das peças na fotogaleria (em cima).

Tal como observa a Harper’s Bazaar, entre as mais recentes adaptações da Disney – Maléfica e O livro da Selva, por exemplo nenhuma conseguiu inspirar a indústria da moda da mesma forma. A questão que se coloca é, então, porquê A Bela e o Mostro?

O tema da história e o contexto actual são relevantes para encontrar uma resposta. A protagonista, Belle, é uma rapariga independente (apesar de aprisionada num castelo), mais preocupada com os livros que tem para ler do que em encontrar o seu príncipe encantado – ao mesmo tempo, os desfiles de Nova Iorque, em Fevereiro, mostraram como o feminismo está na moda. Entre mensagens contra as políticas de Trump, passaram na passerelle slogans como “girls just want to have fundamental rights” (as raparigas só querem ter direitos fundamentais).

Se ligarmos os pontos, o resultado terá provavelmente semelhanças com o rosto de Emma Watson. Além de ser um dos grandes ícones de estilo da sua geração – com várias capas de revista no currículo, inclusive da Vogue americana, e uma relação próxima com grandes designers e outros nomes importantes da indústria da moda –, a actriz britânica é também uma activa feminista. Em 2014 tornou-se embaixadora de boa-vontade da ONU e lançou a campanha #HeForShe, incentivando os homens a fazer também parte do movimento da igualdade de género.

A Bela e o Mostro é uma história tão fantástica porque não é baseada numa princesa, mas numa rapariga da vida real, com aspirações reais; ela estava interessada em encontrar-se a si mesma”, explica Christopher Kane à publicação Fashionista. A colecção de saias de tule, estampados de rosas e um casaco de cabedal que desenhou é direccionada para uma mulher inconformista, tal como a Belle. “Ela sempre foi uma outsider com um forte sentido de individualidade (…), pode usar o que quer quando quer. Ela é a mulher Christopher Kane, de humilde a extravagante”, conta ainda o designer, à Harper’s Bazaar.

A colecção de 33 peças de Christopher Kane, criada em parceria com a Disney e a Eco-Age, é sustentável – outro ponto em comum com a forma de estar de Emma Watson. O impacto da indústria da moda no ambiente e na população tem levado a actriz a lutar para chamar a atenção das pessoas para esta questão. Em 2015, fez o compromisso que daí para a frente só iria usar roupa sustentável na passadeira vermelha. Durante a promoção de A Bela e o Monstro criou uma conta de Instagram para partilhar as peças de roupa que ia usando em entrevistas e ante-estreias. Livia Firth, fundadora da Eco-Age, nota como uma princesa como a Belle nos tempos de hoje “seria provavelmente muito dedicada à sustentabilidade e às roupas que usa”, segundo cita a Fashionista.

A abordagem da MinkPink é mais subtil e direccionada a um público jovem. As peças utilizam símbolos e cores do filme da Disney, com cortes mais modernos. Há uma camisa de ganga com imagem de Lumiere (o candelabro da versão animada do filme) e as palavras “light my fire” (acende o meu fogo, em português) e um vestido amarelo com decote Bardot (86,66 e 77,33 euros, respectivamente).

O apelo destas colecções faz ainda mais sentido tendo em conta que um dos principais públicos do novo filme da Disney é a geração dos millenials – hoje sensivelmente com 18 a 35 anos – que cresceu com o filme de 1991. A Disney sabe isso e adaptou a estratégia comercial para apelar ao sentido de nostalgia destas faixas etárias. Depois da recente queda de 23% nas vendas de produtos relacionados com filmes, no último trimestre de 2016, James Pitaro, chefe da divisão de consumer-products da Disney, revela à Bloomberg que a empresa está focada em alargar o seu leque de consumidores. O primeiro passo, conta, foi procurar marcas de alta gama para criar uma aura à volta da marca A Bela e o Monstro.

A Juicy Couture lançou recentemente uma colecção com a marca da Disney, que inclui um o casaco de veludo azul com uma rosa nas costas (826,84 euros) e um relógio com cristais (586,37 euros). A Swarovski também pegou na memorável rosa para criar uma colecção que inclui brincos, anéis e colares. Até a Le Creuset tem uma versão do seu famoso tacho com a rosa d’A Bela e o Monstro