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Livros

Dia do Pai: mimar os pais com livros

Um pai a amparar ao colo um filho e um livro é um belo quadro. Se o livro falar sobre a relação entre ambos, fica perfeito.

Os pais que mimam também merecem ser mimados. Um pai a amparar ao colo um filho e um livro é um belo quadro. Se o livro falar sobre a relação entre ambos, fica perfeito. Seis títulos para o Dia do Pai: três recentes, três não.

A tua história também é a minha

O Meu Pai É o Melhor do Mundo
Autoria e direitos: Penguin Random House Grupo Editorial
Edição: Arena
92 págs., 10,95€

Um álbum pensado para ser preenchido em conjunto por crianças e adultos. Nele se pode contar a história de pai e filho e ilustrá-la com fotos, desenhos e colagens. O livro vai sendo completado com a informação que a criança for solicitando, até concluir a sua primeira obra. “Neste livro, vou escrever, desenhar, cortar e colar para contar a história mais bonita do mundo: a história de como te tornaste meu pai. É para te oferecer a ti, o melhor pai do mundo.” Nada impede que parte do livro seja criada com a ajuda de um outro familiar e a outra parte com a do próprio pai, criando momentos felizes de partilha, cumplicidade e criatividade. Memória, portanto.

Saber amar

O Meu Pai Adora-me
Texto e ilustração: Giuliana Gregori
Edição: Jacarandá
10 págs., 7,95€

“O meu pai adora-me. Eu sei que sim.” Esta primeira frase do livro serve de mote a uma série de elogios que a criança irá fazer ao seu pai. Este dá-lhe coragem, “mesmo quando só quero chorar”; ajuda-o a experimentar coisas novas, “mesmo quando eu acho que não sou capaz”; ensina-o a partilhar, “mesmo quando algo era só para mim”. Para concluir: “Ele ensina-me a amar só por me amar a mim.” É verdade.

À procura dos pais perfeitos

Agência de Pais / Pais Perfeitos Procuram-se
Texto: David Baddiel
Tradução: Ana Cardoso e João Cardoso
Ilustração: Jim Field
Edição: Editorial Presença
328 págs., 13,90€

Um rapaz de dez anos anda infeliz com a vida e faz uma lista com tudo o que odeia. E começa logo pelo nome que lhe deram, Barry. Mas o mais grave é que declara que gostaria de ser filho de outros pais, já que os dele, na sua opinião, são chatos, pobres, não o deixam jogar videojogos, estão sempre cansados e são mais simpáticos com as suas irmãs gémeas do que com ele. Como é sabido, é preciso ter cuidado com o que se deseja… E Barry há-de aprender isso mesmo na sua busca pelos pais perfeitos.

Os livros não azedam

Porque os livros não azedam, aqui ficam outros títulos lançados há mais tempo e sobre os quais já escrevemos na página Crianças (que sai ao sábado na edição em papel).

Contar sempre com o pai

Danny, o Campeão do Mundo
Texto: Roald Dahl
Tradução: Susana Ferreira
Ilustração: Quentin Blake
Edição: Oficina do Livro
224 págs., 15,50€

Danny é um rapaz que perdeu a mãe quando era bebé e contou sempre com o pai para que lhe ensinasse tudo o que de mais importante uma criança precisa para poder enfrentar o mundo e ser feliz. É mecânico e ambos vivem numa modesta caravana.

Danny fala do pai e de si próprio, logo nas primeiras páginas, assim: “Acho que transferiu para mim todo o amor que sentia pela minha mãe. Durante os meus primeiros anos de vida, nunca conheci um momento de infelicidade nem estive doente.” Há-de descobrir-lhe mais tarde alguns defeitos.

E é assim que o inigualável Roald Dahl avisa os pequenos leitores: “À medida que forem crescendo, hão-de aprender, tal como eu aprendi naquele Outono, que nenhum pai é perfeito. Os adultos são criaturas complicadas, cheias de esquisitices e segredos. Uns têm esquisitices mais esquisitas e segredos mais secretos do que outros, mas todos eles, incluindo os nossos pais, têm duas ou três manias secretas escondidas na manga que, por certo, vos deixariam de boca aberta caso as descobrissem.”

Uma mania secreta do pai (que não revelamos) vai conduzi-los a várias aventuras, mas sempre numa atmosfera comovente de partilha e ternura.
(Texto divulgado na edição do PÚBLICO de 19 de Março de 2016.)

Todos os pais são dinossauros

Adoro-te, Pai
Texto: Joanna Walsh
Tradução: Carlos Grifo Babo
Ilustração: Judi Abbot
Edição: Jacarandá
32 págs., 10,90€

Adoro-te, Pai é um livro que nos reenvia para a ligação primordial e feliz com o progenitor masculino, o pai. “Ninguém ao acordar bate o Pai a bocejar. E a ressonar? É de assustar.” Convém esclarecer que aqui se trata de uma família de dinossauros. Mas, pensando bem, todos os pais serão sempre dinossauros aos olhos dos filhos. Seja pelo tamanho ou pela antiguidade…

“O Pai faz do pequeno-almoço um festival, desde sempre a melhor festa matinal. Eu nunca julgaria que sumo e cereais pudessem ser tão especiais. Quem iria pensar em tal?” Algumas páginas mais à frente, é dito que: “Cozinhar com o Pai é um gozo, uma brincadeira! E nada se perde, oh não! E é uma barrigada que sabe doutra maneira! Quem gosta de comer, e até bisa, cachorros, esparguete e pizza?”

Nem todos os pais são assim, nem todas as crianças os vêem desta forma, mas muitos conseguem ser bem mais do que este livro revela a partir do trampolim “tão-balalão”. Pais-colo, pais-baloiço, pais-bicicleta, pais-avião, pais-aconchego, pais-rumo, pais-alicerce, pais-futuro, pais-tudo. Obrigada a todos esses pais.(Texto divulgado na edição do PÚBLICO de 21 de Março de 2015.) 

Em defesa dos pais “horríveis”

O Pai mais Horrível do Mundo
Texto: João Miguel Tavares
Ilustração: João Fazenda
Edição: Esfera dos Livros
48 págs., 12€

“O meu papá é o pai mais horrível do mundo.” Assim começa um livro que dá voz a uma criança de quatro anos que reclama as atitudes do pai. “Ele só sabe dizer ‘não’”, “nunca tem tempo para mim”, “farta-se de gritar comigo”, “ainda acha que eu sou bebé” são alguns dos protestos de Gui. Este miúdo existe mesmo, é filho do autor e entretanto já tem cinco anos. Na verdade, Gui acaba por ser co-autor.

“A expressão ‘o pai mais horrível do mundo’ nasceu de conversas entre nós. O livro é muito o Gui”, contou João Miguel Tavares ao PÚBLICO. Com pouco texto, a obra vive sobretudo da dinâmica e expressividade das ilustrações, que nasceram de situações “domésticas” descritas a João Fazenda. O ilustrador registou-as com o talento e profissionalismo que se lhe reconhece, criando uma atmosfera divertida e ternurenta, com as imagens a contradizer o que a criança pensa do pai a cada momento.

Diz João Miguel Tavares: “Estamos a corrigir os filhos desde que acordam até ao momento em que se deitam: ‘chega aqui’, ‘despacha-te’, ‘agora não’. Somos uns miniditadorzinhos.” Por isso, na contracapa se convida para a leitura do livro “todos os miúdos que acham os pais uns grandes chatos”. Na terça-feira, 19 de Março, é dia de lhes agradecer o que fizeram por nós e connosco. Mesmo sendo “horríveis”.
(Texto divulgado na edição do PÚBLICO de 16 de Março de 2013.)

Outras sugestões para o Dia do Pai:
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