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Óbito

Morreu a escritora que enumerou as razões por que deveríamos casar com o seu marido

Doente terminal de cancro, Amy Krouse Rosenthal escreveu no "New York Times" porque é que o marido não devia ficar sozinho. A declaração de amor tornou-se viral. A autora morreu na segunda-feira.

A lista de atributos não foi feita por nenhuma ordem especial, mas Amy Krouse Rosenthal começa pela forma como o marido Jason se veste. Gosta de vestir-se bem e os filhos Justin e Miles, jovens adultos, pedem-lhe roupa emprestada. Jason Brian Rosenthal é bonito com o seu cabelo grisalho e olhos cor de avelã, tem bom gosto, é dedicado e atencioso e ficaria livre brevemente, já que a escritora sabia que iria morrer. A carta intitulada "Talvez queira casar com o meu marido" foi publicada no The New York Times na sexta-feira dia 3 de Março e Amy Krouse Rosenthal morreu dez dias depois, nesta segunda-feira, aos 51 anos, vítima de cancro dos ovários.

A autora de livros para crianças começa por contar que está casada com o "homem mais extraordinário" há 26 anos e que planeava passar outros 26 com ele. "Querem ouvir uma piada de mau gosto?", pergunta, para revelar como em Setembro de 2015 o casal foi às urgências do hospital, ela com uma dor que lhe parecia de apêndice e, afinal, era cancro nos ovários. A partir daí, a vida mudou. "Tantos planos por água abaixo", escreve, para passarem a viver um dia de cada vez.

Na sua carta – onde no final deixa espaço em branco para a futura mulher do seu marido preencher com outros atributos de Jason –, Amy informa como ele é tão bom a fazer pequenos arranjos em casa como a cozinhar. Ao final da tarde, a escritora gosta de o ver entrar em casa com o saco de papel da mercearia, de onde saem pequenas surpresas como um queijo cremoso ou azeitonas.

Jason gosta de música, um gosto que partilham, e é com ele que Paris, a filha mais nova, gosta de ir aos concertos. É um "pai maravilhoso". "Podem perguntar a quem quiserem", assegura.

Além do exercício da advocacia, Jason pinta. E é um bom companheiro de viagens. E atencioso: quando fizeram a primeira ecografia do primogénito, Jason levou um ramo de flores para oferecer à mulher. Ao domingo, como costuma acordar mais cedo, Jason tem sempre uma surpresa para Amy. E "é lindo. Vou sentir falta de olhar para o seu rosto", confessa a autora que não nega que "ele parece um príncipe e a nossa relação um conto de fadas", não fosse o cancro.

Como falar com os seus filhos sobre uma doença grave?

Amy tem um "J" tatuado no tornozelo e ele tem também as suas iniciais "AKR", há 25 anos. Quando Jason soube que a mulher tinha escrito este texto que saiu na secção de Estilo no jornal norte-americano ficou "chocado" com a beleza das palavras de Amy, ligeiramente surpreendido e emocionalmente destroçado, confessou ao The New York Times.

Além da escrita de livros – sempre com uma mensagem positiva, Amy Krouse Rosenthal também fez pequenos filmes e em 2008 fez uma experiência social com a qual conseguiu reunir algumas dezenas de pessoas num parque de Chicago, a 8/8/2008, às 8h08, para fazerem coisas como música, arte, algo bonito, abraçar alguém, fazer as pazes... O encontro voltou a repetir-se mais três vezes: a 9/9/2009, a 10/10/2010 e a 11/11/2011.

"Eu quero mais tempo com o Jason. Eu quero mais tempo com os meus filhos. Eu quero mais tempo para beber martinis no Green Mill Jazz Club nas noites de quinta-feira." Mas não aconteceu. Amy Krouse Rosenthal morreu aos 51 anos.