• David Ferreira
    David Ferreira Rui Vasco
  • Ricardo Preto
    Ricardo Preto Rui Vasco
  • Awaytomars
    Awaytomars Rui Vasco
  • Ricardo Andrez
    Ricardo Andrez Rui Vasco
  • Eureka
    Eureka Rui Vasco
  • Kolovrat
    Kolovrat Rui Vasco
  • Filipe Faísca
    Filipe Faísca Rui Vasco
  • Mustra
    Mustra Rui Vasco
  • Luís Carvalho
    Luís Carvalho Rui Vasco
  • Patrick de Pádua
    Patrick de Pádua Rui Vasco
  • Duarte
    Duarte Rui Vasco
  • Christophe Sauvat
    Christophe Sauvat Rui Vasco
  • Valetim Quaresma
    Valetim Quaresma Rui Vasco
  • Dino Alves
    Dino Alves Rui Vasco
  • Nadir Tati
    Nadir Tati Rui Vasco
  • Nuno Gama
    Nuno Gama Rui Vasco

ModaLisboa

Três dias de desfiles ModaLisboa: arte ao vivo, um “freakball” e um manifesto

O Centro Cultural de Belém recebeu a 48ª edição da ModaLIsboa, para três dias de desfiles

Foram três dias de desfiles e ao todo 17 apresentações – a 48ª ModaLisboa passou, depois de seis anos no Pátio da Galé, para o Centro Cultural de Belém (CCB). Houve espaço para colecções extravagantes, como a Freakball de David Ferreira, arte ao vivo, com a Awaytomars, e um manifesto na passerelle de Dino Alves.

Depois de anunciado o vencedor de Sangue Novo (João Oliveira) na sexta-feira, David Ferreira fez as horas da casa e deu baile com a colecção Freakball. Saias gigantes em tule de várias cores, penas na cabeça e volumosos casacos de pelo de carneiro desfilaram no Freakball do jovem designer. O PÚBLICO esteve nos bastidores com David Ferreira antes do desfile, com uma câmara 360º. “Esta é a minha colecção: é sobre diferença, é uma celebração do que é único e do que faz cada pessoa ser especial”, contou. Em contraste, Ricardo Preto apresentou uma colecção mais sóbria, em tons escuros e com silhuetas geométricas.

Os desfiles de sábado dividiram-se entre a Garagem Sul do CCB e o Museu da Colecção Berardo. O dia começou com uma espécie de live art show da Awaytomars, uma marca que permite que criadores de todo o mundo submetam os seus designs. Antes do desfile, o público pôde passear pela sala, onde estava exposto o trabalho de 13 designers. Ao mesmo tempo, um grupo de artistas plásticos manipulavam as peças de roupa com pinceis, sprays e cordas com tinta preta — simbólico do espírito de co-criação da Awaytomars.

O Museu Colecção Berardo recebeu as apresentações de dois designers. David Ferreira mostrou Venus as a Boy, em linha com o trabalho que tem vindo a desenvolver sobre a identidade de género, e Lidjia Kolovrat transportou os convidados para as montanhas da América do Sul com uma mistura de lãs, tecidos e bordados e silhuetas geométricas.

Uma das apresentações mais aguardadas do dia foi a de Filipe Faísca. No seu Caleidoscópio houve espaço para vestidos longos num tom encarnado vivo, casacos volumosos de lã e peças em metalizado. A marca de sapatos Eureka e a de alfaiataria Mustra apresentaram também as propostas para o Outono/ Inverno no sábado e Luís Carvalho encerrou o dia com uma colecção saída “áreas mais profundas do oceano”. O designer foi buscar inspiração às águas escuras, plantas e animais marinhos “que habitam essas profundezas” e o resultado foi uma colecção com formas orgânicas e uma paleta de pretos, verde profundo e o vermelho oriental.

No último dia de desfiles, quem prometia o maior espetáculo de todos, era Dino Alves. Não desiludiu: primeiro encheram a passerelle modelos cobertos por guarda-fatos; depois subiram ao púlpito Ana Bola e Maria Rueff, para uma palestra em tom humorístico e sarcástico de quase dez minutos, sobre a discrepância entra o interesse das pessoas nos desfiles e o (menor) volume de compras e, finalmente, os modelos desfilaram com as etiquetas das peças à mostra e frases como “I prefer Chanel” (prefiro Chanel).

Nuno Gama também preparou um espectáculo para apresentar a sua colecção de homem inspirada no lado oculto dos Painéis de São Vicente de Fora. Antes do desfile começar, um dos modelos estava no centro da passerelle, encostado a uma coluna em pose de meditação e rodeado de luzes.

O dia começou com colecções de streetwear e sportswear. Primeiro, Patrick de Pádua mostrou um homem mecânico e militar, com ”uma silhueta alongada a partir de sobreposições”. Mais tarde, as modelos de Duarte desfilaram com goggles e pranchas de snowboard. As formas das peças alternavam entre o oversized e fitted, “num jogo provocante entre proteção e a forma natural do corpo”. Em contraste com as cores frias (azuis, brancos e cinzentos) que dominavam a colecção, apareceram ainda a passerelle um vestido longo e um capuz com mangas encarnados, simbólicos do “sentimento de desafio existente nos desportos radicais, como o snowboard”.

Valentim Quaresma apresentou uma colecção de joalharia com apontamentos de diferentes movimentos estéticos do século passado — da época vitoriana ao movimento punk, passando pelos anos 20 e pela Art Déco —, feita a partir de upcycling (reaproveitamento) de peças de joalharia vitoriana, folhas de radiografia e latão. Christophe Sauvat reuniu inspiração da Rússia, Los Angeles e Portugal para uma colecção onde os casacos de pelo conviviam com as cestas de junco. Já Nadir Tati mostrou Diamante Africano, uma colecção inspirada “na beleza e grandeza das mulheres do continente africano”.