Mattos enviou ao Life&Style uma fotografia dos convites para assistir à cerimónia
Mattos enviou ao Life&Style uma fotografia dos convites para assistir à cerimónia DR

Óscares

É português, tem dois Óscares e vai estar hoje na plateia

Carlos de Mattos nasceu em Angola, foi criado em Portugal e Moçambique e viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos.

Na década de 1980 subiu duas vezes ao palco dos Óscares para aceitar prémios pelos desenvolvimentos tecnológicos utilizados em filmes como E.T. - O Extra-Terrestre. Carlos de Mattos é português, mas passou a maior parte da vida na Califórnia, onde fundou duas empresas de equipamentos para o cinema. É um dos cerca de 6000 membros da Academia e vai estar neste domingo (madrugada de segunda-feira em Portugal), na plateia, a assistir, acompanhado de Todd Fisher, filho de Debbie Reynolds – e irmão de Carrie Fisher.

Os dois Óscares que coleccionou vivem hoje vidas separadas: “guardo um no meu escritório em Burbank [na Califórnia] e outro na minha casa”, conta ao Life&Style, acrescentando que o fazem sentir muito nostálgico.

Nascido em 1952, em Angola, passou os primeiros anos da sua vida em Moçambique e Portugal. Foi aos 18 anos estudar para a Califórnia e lá acabou por ficar e criar família. Em parceria com um amigo,  Ed Philips, geriu uma empresa de equipamento de cinema, a Matthews Studio Equipment Inc. A tecnologia inovadora que desenvolveram chamou a atenção de realizadores como Steven Spielberg – que usou alguns dos equipamentos em filmes como E.T. - O Extra-Terrestre e Parque Jurássico –; e de James Cameron – que os utilizou nas gravagões do Titanic. O primeiro prémio chegou em 1982, pela Tulip Crane, uma grua onde podiam ser montadas as câmaras. Depois, em 1985, voltou a ser distinguido pela criação da Cam-Remote, uma câmara operada à distância, através de um comando.

“Chegámos a facturar mais de 100 milhões de dólares (perto de 70 milhões de euros), empregar 460 pessoas e estar cotados na Bolsa de Nova Iorque”, revelou ao Expresso, em 2009. Mais tarde, chegou mesmo a criar a sua própria empresa, a Cinemills Media Center, da qual é actualmente presidente e CEO.

As viagens de volta a Portugal não são hoje tão frequentes quanto antigamente. “Costumava ir a Portugal pelo menos todos os anos com a minha mulher e os meus três filhos, mas deixei de viajar para lá quando a minha mãe, a minha tia (que era como uma segunda mãe para mim) e o meu irmão Zé faleceram”, conta. “Por muito que ame Portugal, as suas pessoas, a comida, a música, as praias, os jogos de futebol, a selecção, o Benfica e o Cristiano Ronaldo…nada é o mesmo sem estas três pessoas queridas, de quem tenho tantas saudades”, confessa ao Life&Style por e-mail.

Mattos é hoje o único português com um Óscar no currículo, mas outros já estiveram perto. O fotógrafo Eduardo Serra já viu o seu nome duas vezes na lista de nomeados, na categoria de cinematografia, pelos filmes As Asas do Amor (1997) e Rapariga com Brinco de Pérola (2003). Já no ano passado, o filme destacado pela Academia na categoria de melhor direcção artística incluía Gonçalo Jordão – que criou uma série de painéis para o set – na equipa. “Foi muito bom. Foi uma noite incrível. É sempre bom ver o nosso trabalho reconhecido”, disse na altura ao PÚBLICO, depois de assistir à cerimónia à distância.