Calçado
"Rebranding": mudar de nome sem mudar de vida
Estratégias para chegar ao exterior variam. Há quem defenda um nome português, há quem continue a preferir um estrangeiro.
Há anos, os sapatos chamavam-se Mack James, mas o proprietário da fábrica Zarco, em São João da Madeira, começou a perceber que não fazia sentido ter um nome inglês e decidiu baptizar os sapatos de luxo com o seu próprio nome: Carlos Santos. Isto foi há uns anos. Mas não foi o único, recentemente, a Evereste que vendia as marcas Cohibas e Chibs decidiu mudar de nome para Perks. Chama-se rebranding.
As exportações do calçado estão a crescer e as estratégias para continuar essa ascensão pode passar pela mudança de nome. Os sapatos são os mesmos, feitos da mesma maneira, mas o objectivo é chegar a mais mercados ou evitar guerras judiciais.
Quando os proprietários da Evereste decidiram chamar Cohibas aos seus sapatos, a pensar na exportação, foi numa homenagem aos charutos cubanos e, por isso mesmo, o nome começou a ser rejeitado em determinados mercados. Na altura, para evitar problemas judiciais, a solução passou por criar uma outra marca, a Chibs (um "encurtamento" do nome original). Com o passar dos anos, ter duas marcas tornou-se uma dor de cabeça porque era preciso duplicar procedimentos – os sapatos podiam ser os mesmos, mas a marca impressa mudava consoante o país para onde iam, o que agravava os custos. Assim, a quarta geração da família decidiu manter um nome estrangeiro, desta vez inglês, e chamar Perks aos seus sapatos.
Agora, a Perks apresenta duas linhas, a Perks 1942, ano em que a marca nasceu, com reinterpretações dos clássicos lançados ao longo dos anos, para homem e mulher; e a Perks Today com sapatos mais práticos e com cores mais vibrantes.
Decisão diferente fez a Zarco, há cerca de 15 anos. Carlos Santos não sabe precisar quando foi a mudança, mas explica porque a fizeram: “Começámos a ser reconhecidos – o empresário, a empresa e o produto – e decidimos que chegara a altura de ter um nome português.”
Antes o calçado produzido na Zarco estava escondido, “disfarçado de produto estrangeiro”, acrescenta ao Life&Style. “Defendi que podemos andar devagar, sem estagnar, com um nome português para enaltecer Portugal com aquilo que temos capacidade para fazer”, continua o proprietário da Zarco. Os seus sapatos são vendidos pelo mundo todo e podem ultrapassar facilmente os três mil euros o par.